Vídeo obtido pelo Portal Felipe Tommy mostra as quatro piscinas abertas no leito desviado do Rio Novo
As imagens exclusivas do garimpo em Parauapebas mostram o que a fiscalização encontrou na zona rural do município. O Portal Felipe Tommy teve acesso ao vídeo da Operação Extractum III, que prendeu em flagrante o empresário Renato Frateschi Neto. A gravação percorre a área de extração e registra o rastro deixado pela atividade clandestina.
A operação reuniu a Polícia Federal, o Ibama, o ICMBio e a Força Nacional. As equipes identificaram dois pontos de extração de ouro na região do chacreamento Belo Vale das Águas. Ao chegarem, encontraram a frente de exploração em plena atividade.
O que o vídeo mostra
A câmera começa pelo curso original da água. “Aqui nós podemos ver o leito original do Rio Novo”, aponta o fiscal que conduz a vistoria. Logo depois, a imagem vira para a área escavada ao lado.
É ali que aparece a intervenção mais pesada. “Eles realizaram esse desvio aqui para poder formar essas piscinas. Tem três piscinas, quatro piscinas grandes dessas daqui”, descreve o agente. As lagoas artificiais servem para decantar o material retirado do solo.
O vídeo registra ainda a estrutura levantada para segurar a água. “Aqui a gente pode ver a barragem que eles fizeram com o uso das escavadeiras hidráulicas”, diz o fiscal. Do alto, as imagens mostram grandes clareiras, escavações profundas e poços de água barrenta em meio à vegetação.
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O mercúrio que desce pelo rio
A parte mais grave da gravação não está no maquinário, e sim na água. O mercúrio é usado para separar o ouro da terra, e o produto não fica parado no ponto de extração.
“Esse mercúrio está vindo aqui, está caindo nesse curso hídrico que já foi desviado e está seguindo aí”, afirma o fiscal durante a vistoria. Em seguida, ele resume o efeito já percebido na região: “Nós temos relatos de peixes mortos, tartarugas mortas”.
O agente também explica por que o problema não termina na cerca do garimpo. “Esse rio, ele atinge o rio Parauapebas, que atinge o rio Itacaiúnas e atinge toda a bacia hidrográfica do Itacaiúnas”, diz.
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A conta que chega em Carajás
O Rio Novo é afluente direto do Rio Parauapebas. Este, por sua vez, deságua no Rio Itacaiúnas, uma das bacias mais importantes para o abastecimento da região de Carajás.
Dessa forma, a água carregada de sedimentos e de metais pesados segue o fluxo natural dos rios. O impacto pode alcançar comunidades ribeirinhas e a fauna aquática a quilômetros do ponto de escavação.
Parte do maquinário foi destruída no próprio local, por meio de explosões controladas. A tática evita que a atividade seja retomada assim que a fiscalização deixa a área.
Quem foi preso
Renato Frateschi Neto, de 48 anos, engenheiro civil e empresário, foi preso em flagrante no dia 22 de setembro, por volta das 11h30. Segundo a decisão judicial, ele estava na própria área de extração, realizando bateamento de ouro com mercúrio.
No local, os agentes encontraram ouro misturado com mercúrio e mercúrio acondicionado em recipiente. O documento registra que ele se identificou como responsável pelo empreendimento, afirmou ser proprietário da área e reconheceu não possuir documentação autorizativa para a exploração mineral.
Na audiência de custódia, a Justiça Federal homologou o flagrante e recusou o pedido de prisão preventiva. O empresário teve a liberdade provisória concedida mediante fiança de R$ 81.050,00, com sete medidas cautelares, entre elas a apreensão do passaporte.
A ligação política do empresário
Frateschi Neto é apontado no meio político de Parauapebas como apoiador do deputado estadual Chamonzinho (MDB), candidato à reeleição em 2026. Por isso, o caso repercute além do campo policial.
A reportagem procurou o gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Pará e também o empresário. Até a publicação desta matéria, nenhum dos dois havia se manifestado. O espaço segue aberto para resposta, que será publicada na íntegra.
O que a investigação ainda persegue
A Polícia Federal informou que as apurações da Operação Extractum III continuam. O objetivo é identificar outros financiadores do esquema e mapear a cadeia de receptores do minério.
Os investigadores também acompanham a movimentação financeira de quem comercializa ouro na região. Em resumo, as imagens exclusivas do garimpo em Parauapebas mostram o ponto de extração, mas a cadeia por trás dele ainda está sendo desenhada.
O empresário responde, em tese, por usurpação de bem da União e por crimes contra o meio ambiente. Vale registrar que ninguém foi condenado, e o caso segue na fase de investigação.
