Empresário apoiador do deputado Chamonzinho foi preso em área de garimpo nos fundos da UFRA
A operação contra o garimpo ilegal em Parauapebas terminou com a prisão do empresário Renato Frateschi. A ação aconteceu na região de Parauapebas, em área de extração clandestina localizada próxima ao campus da Universidade Federal Rural da Amazônia, a UFRA. Frateschi é conhecido no meio político local como apoiador do deputado estadual Chamonzinho (MDB), candidato à reeleição.
A prisão ocorreu durante a Operação Federal, que reuniu cinco órgãos no sudeste do Pará. Segundo a Polícia Federal, o objetivo era coibir atividades clandestinas de garimpagem e de extração mineral. Além disso, a ofensiva buscou desarticular as estruturas usadas na exploração ilegal de recursos minerais.
Quem participou da operação
A Polícia Federal atuou ao lado do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio. Participaram também o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama, a Força Nacional e a Polícia Militar. Dessa forma, a fiscalização alcançou áreas de difícil acesso em dois municípios.
O alvo foi a extração ilegal de ouro e de cobre. Em Parauapebas, as equipes entraram na região. Já em Canaã dos Carajás, a ação mirou poços de cobre abertos sem autorização.
O que foi destruído
A região fica dentro da Área de Proteção Ambiental, nas proximidades da UFRA. Ali, as equipes inutilizaram motores estacionários e escavadeiras hidráulicas. Os agentes também destruíram 42 acampamentos clandestinos.
O balanço inclui ainda cerca de 2 mil litros de óleo diesel e 100 litros de gasolina. Na área, a fiscalização inutilizou dez armas brancas, uma arma de fogo, três motocicletas e aproximadamente 200 gramas de maconha. Por outro lado, alguns bens foram apreendidos em vez de destruídos: um caminhão-prancha, uma motocicleta, três munições e uma escavadeira hidráulica.
Leia também
Canaã dos Carajás também foi alvo
Em Canaã dos Carajás, as equipes inutilizaram oito poços de extração de cobre. Os agentes destruíram ainda três acampamentos clandestinos e dois britadores. No local, havia cerca de três metros cúbicos de madeira da espécie castanheira.
A ação também inutilizou uma escavadeira hidráulica e cerca de mil litros de óleo diesel. Outra escavadeira ficou apreendida na condição de fiel depositário. Durante a operação, os fiscais apreenderam dois transformadores trifásicos e outros equipamentos usados na extração ilegal.
Segundo a Polícia Federal, a destruição das estruturas seguiu os protocolos de segurança ambiental aplicáveis. Em resumo, o material que não podia ser retirado da mata foi inutilizado no próprio local.
📱 Acesse ao Canal do Portal Felipe Tommy no WhatsApp
A ligação política da prisão
O nome de Renato Frateschi circula no debate político de Parauapebas por causa do apoio declarado ao deputado estadual Chamonzinho. O parlamentar disputa a reeleição em 2026. Por isso, a prisão ganhou repercussão imediata na cidade.
A reportagem procurou o gabinete do deputado na Assembleia Legislativa do Pará e também o empresário. Até a publicação desta matéria, nenhum dos dois havia se manifestado. O espaço segue aberto para resposta, que será publicada na íntegra.
Vale registrar um ponto: a nota oficial da Polícia Federal sobre a Operação Federal Extractio II detalha o material apreendido, mas não informa nomes de presos. Portanto, a identificação do empresário não partiu do órgão.
O que pode acontecer agora
O garimpo ilegal em Parauapebas atinge uma unidade de conservação federal. A APA do Igarapé Gelado faz parte do mosaico de áreas protegidas de Carajás. Assim, o caso envolve crime ambiental, além da extração mineral sem autorização.
Quem atua na atividade pode responder por usurpação de bem da União e por crimes contra o meio ambiente. As penas variam conforme o papel de cada um na estrutura. Atualmente, ninguém foi condenado, e o caso segue na fase de investigação.
A fiscalização na região costuma voltar aos mesmos pontos poucos meses depois. Por isso, o Portal Felipe Tommy acompanha os desdobramentos da operação e a situação do empresário preso. O portal se coloca a disposição para postar a versão dos envolvidos, inclusive entramos em contato com eles mas até o fechamento dessa matéria eles ainda não tinham se pronunciado.
