Em live de 17 minutos, senador diz que foi intimado pela PF ao sair da casa do pai e nega sinal de fraqueza
Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e falou pela primeira vez sobre a decisão em uma transmissão ao vivo. A live durou cerca de 17 minutos. Ele apareceu de fora do país, ao lado da família. O senador afirmou que precisava explicar aos seguidores o que o levou a sair.
Logo no início, ele agradeceu o apoio recebido na campanha presidencial. Em seguida, disse que o momento não tem sido fácil para a família. Segundo ele, a esposa e as duas filhas estão no mesmo lugar. Por isso, ele decidiu falar antes de aprofundar o assunto em outra oportunidade.
A visita ao pai e a intimação da Polícia Federal
De acordo com o relato, tudo começou na segunda-feira seguinte ao segundo turno. Ele voltou a ter autorização para visitar Jair Bolsonaro por 30 minutos, na condição de advogado. A visita ocorreu por volta das dez horas da manhã. Contudo, ele só percebeu depois que seria o último encontro.
Ao fim do horário, uma pessoa bateu na porta para avisar que a visita havia terminado. Na mesma hora, segundo o senador, o aviso veio com outra informação. Havia agentes da Polícia Federal na porta da casa. Então ele olhou para o pai e disse que a perseguição havia começado.
No mesmo trecho, ele citou o irmão Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. Segundo o senador, o deputado também não voltaria ao país por temer novas medidas. Essa avaliação, entretanto, é dele e não foi confirmada por nenhum órgão.
O que ele diz sobre a decisão de Moraes
Ainda conforme o relato, o pai o acompanhou até o portão. Do lado de fora, ele foi intimado de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O documento determinava a apreensão dos passaportes e a proibição de deixar o país. Além disso, ele afirma que a decisão saiu poucos minutos após o TSE proclamar o resultado.
O senador também contesta o processo que motivou a medida. Segundo ele, a ação o acusa de envolvimento com contas bancárias de um amigo. No entanto, ele afirma que o Banco Santander enviou um ofício no domingo da eleição. Esse documento, conforme o relato, diz que ele nunca teve conta na empresa citada.
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Críticas ao Judiciário e ao resultado da eleição
Ao explicar por que Flávio Bolsonaro deixa o Brasil, ele repetiu que o país vive um “regime de exceção”. Além disso, afirmou que as instituições estão aparelhadas. O senador não apresentou provas dessas afirmações. Ele também disse que perdeu “para o sistema”, e não para o adversário.
Sobre a votação, ele voltou a falar em “gols de mão” do adversário. Da mesma forma, citou números que considera impossíveis. Contudo, ele não detalhou quais seriam esses números. Até esta publicação, nenhuma fraude foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Em outro momento, ele disse que a esposa do ministro Alexandre de Moraes deveria estar sendo investigada. Segundo o senador, a Procuradoria-Geral da República impediu essa apuração em poucas horas. A PGR não confirmou essa versão. O portal também não teve acesso a nenhum documento que a sustente.
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Congresso como trincheira e apoio a Rogério Marinho
Na parte final, ele pediu que os apoiadores fiquem firmes. Dessa forma, apontou o Congresso Nacional como a principal frente de resistência. Em especial, citou o Senado Federal. Por isso, declarou apoio ao senador Rogério Marinho para a presidência da Casa.
Ele também classificou como “nojentas” as negociações que, segundo ele, usam a liberdade do pai como moeda de troca. Logo depois, voltou a dizer que o pai está censurado. Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.
O senador fez ainda uma previsão sobre a economia. Para ele, o cenário é pior que o de 2014 e 2015. Dessa forma, avalia que o desgaste econômico vai atingir o atual governo. Entretanto, ele não citou indicadores para sustentar a comparação.
Fala em disputar a Presidência antes de 2030
Perto do fim, o senador falou sobre o próprio futuro político. Ele citou os quase 60 milhões de votos que recebeu. Em seguida, disse estar pronto para disputar a Presidência de novo. “Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso”, afirmou.
Ele encerrou com a frase que repetiu duas vezes na transmissão: “Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”. Por fim, pediu que os seguidores compartilhassem a live. Com a confirmação de que Flávio Bolsonaro deixa o Brasil, o foco agora passa para a reação das instituições.
O Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal não comentaram o conteúdo da transmissão até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação integral dos citados.
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