Áudios relatam sobrecarga; vídeos mostram danos e escala da UTI inclui tarefas de limpeza no hospital da ASELC.
Uma denúncia sobre piso danificado no HGP reúne imagens de deterioração e relatos de sobrecarga no Hospital Geral de Parauapebas. O Portal Felipe Tommy recebeu três áudios, três vídeos e uma fotografia de uma escala da UTI. O material aponta problemas na estrutura e questiona a distribuição de tarefas entre os trabalhadores.
A Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura (ASELC) administra a unidade. Entretanto, as datas de gravação e a localização exata de cada ambiente ainda precisam de confirmação independente. Os nomes dos arquivos indicam compartilhamento em 8 de novembro, o que não comprova quando ocorreram os registros.
Piso deteriorado e forro danificado aparecem nos vídeos
O primeiro vídeo percorre um corredor com falhas extensas no revestimento do piso. As imagens mostram partes descascadas e áreas com a camada inferior exposta. Em um áudio, o relato associa esse trajeto ao deslocamento de pacientes para exames de imagem.
Segundo a gravação, os desníveis provocariam impactos durante o transporte de pessoas com fraturas. Contudo, o material não comprova uma nova lesão causada pelo percurso. A reclamação sobre piso danificado no HGP é acompanhada pela cobrança de providências para o corredor.
Outro vídeo mostra uma área com cabines, abertura no forro e placas danificadas próximas ao chão. Não há registro do momento da queda nem indicação de sua causa. Por isso, as imagens, isoladamente, não permitem concluir se houve acidente, intervenção de manutenção ou outra ocorrência.
Escala da UTI inclui geladeira, balcão e pia
A fotografia e o terceiro vídeo mostram uma escala de atividades diárias destinada aos técnicos de enfermagem da UTI. O quadro traz as marcas da ASELC e do HGP. Além disso, divide as tarefas entre os responsáveis pelos leitos 01 a 10, nos plantões diurno e noturno.
No período das 7h às 19h, aparecem organização do anexo, expurgo, CME e carro de banho. A lista inclui limpeza da geladeira na segunda-feira, limpeza de balcão e pia e organização de materiais e equipamentos. Também menciona os horários de visita e de boletim médico.
Já no plantão das 19h às 7h, a limpeza da geladeira está prevista para quinta-feira. O quadro repete tarefas de organização e limpeza, além de indicar a visita do terceiro turno. No alto, orienta cada colaborador a trocar o coletor Descarpack conforme o leito sob sua responsabilidade.
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Áudios relatam sobrecarga e interrupção das refeições
Um dos áudios relata transporte de materiais para a Central de Material e Esterilização, coleta para laboratório e movimentação de macas. A pessoa que fala considera essas demandas excessivas. Segundo ela, a saída dos profissionais para outras tarefas prejudicaria o acompanhamento dos pacientes.
Em outra gravação, uma pessoa que afirma trabalhar na farmácia relata atuar sozinha e interromper refeições para atender demandas. Ela também menciona pedidos de contratação de mais pessoal e diz não receber adicional de insalubridade. Não foram apresentados contracheques, laudos ocupacionais ou registros de dimensionamento que permitam conferir essas alegações.
O portal não atribui as vozes a trabalhadores nominalmente identificados. Tampouco considera os três arquivos como confirmação por três fontes independentes. As gravações registram reclamações, mas a identidade dos interlocutores e as condições de trabalho descritas ainda exigem verificação.
Tarefas de limpeza não comprovam, sozinhas, desvio de função
A existência da escala não permite concluir automaticamente que houve desvio de função. O Parecer 208/2024 do Conselho Federal de Enfermagem aborda competências no preparo de materiais e equipamentos. O documento reconhece atividades de limpeza e organização relacionadas à assistência, conforme protocolos institucionais.
Assim, a apuração precisa identificar quais tarefas são realizadas, em que condições e com qual supervisão. Também precisa verificar se a equipe disponível atende à demanda. Uma análise específica do Coren-PA pode esclarecer os limites profissionais no caso apresentado.
Prefeitura anunciou reforma de dois andares
Em publicação oficial de 24 de outubro de 2026, a Prefeitura informou que a reforma do segundo e terceiro andares alcançara 80%. O anúncio previa renovar 80 leitos das clínicas médica e cirúrgica. Entre os serviços, estavam pisos, forro, banheiros e acessibilidade.
Contudo, não foi possível estabelecer se os ambientes filmados integram essa obra ou quando as imagens foram feitas. Portanto, o anúncio não esclarece, por si só, a denúncia de piso danificado no HGP. É necessário identificar os locais e conferir o cronograma de manutenção correspondente.
O que ainda precisa de resposta
A ASELC e a Secretaria Municipal de Saúde precisam esclarecer a origem da escala e os setores mostrados nos vídeos. Também cabe informar as medidas de manutenção, o dimensionamento das equipes e os critérios do adicional citado nos áudios.
O material encaminhado à redação não inclui manifestação específica da Prefeitura ou da ASELC sobre esses registros. O espaço permanece aberto para resposta, que deverá ser incorporada à reportagem. As alegações não representam conclusão de órgão fiscalizador nem comprovação de infração.
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