Senador liderava o 1º turno com 47,03%, perdeu o 2º por 4,4 milhões de votos e contesta decisões do dia da votação
A nota de Flávio Bolsonaro divulgada nesta quarta-feira, 28, é o primeiro pronunciamento público do senador desde que ele deixou o Brasil. O texto foi publicado nas redes sociais pelo irmão dele, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Nele, o candidato derrotado afirma que uma fraude eleitoral se concretizou na noite de 25 de outubro. Além disso, pede a cassação da chapa Lula-Alckmin.
O documento não traz número de processo nem prova anexada. Contudo, as decisões que ele cita existem, têm data, horário e autor conhecidos. O portal reuniu essas decisões abaixo, na ordem em que aconteceram, separando o que é afirmação do senador e o que é registro público.
Veja abaixo a nota na integra.
A virada entre os dois turnos
No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou na frente. Ele somou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Três semanas depois, o quadro se inverteu.
Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos. Flávio ficou com 59.826.041 votos, 48,21%. A diferença final foi de 4.430.191 votos, ou 3,58 pontos percentuais. Na região de Carajás, por outro lado, o voto seguiu na contramão do país: o senador venceu em sete dos onze municípios do sudeste do Pará e teve 62,96% dos válidos em Canaã dos Carajás.
A decisão de Zanin no dia da votação
O ponto mais citado na nota é a prorrogação do horário de votação. A decisão foi do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. Zanin não integra o Tribunal Superior Eleitoral, que é a Corte competente para matéria eleitoral. Ele deferiu uma liminar pedida pela própria coligação de Lula.
O argumento apresentado foi a falta de transporte público em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, três cidades de um único estado. Ainda assim, a prorrogação valeu para todo o país, duas horas além do horário legal. Zanin foi advogado pessoal de Lula e foi indicado por ele ao Supremo em 2023.
A campanha de Flávio Bolsonaro também havia pedido mais tempo naquele domingo. O pedido dela foi feito ao TSE e envolvia 17 municípios de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, por causa de chuvas e alagamentos. Ou seja, as duas campanhas pediram mais tempo de votação no mesmo dia.
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A apuração parada e os dados que não saíram
A nota de Flávio Bolsonaro trata esse intervalo como peça central da contestação. O TSE suspendeu a totalização às 17h06, com 1.225 das 499.248 seções apuradas. Isso equivale a 0,25% do total. A contagem só foi retomada às 19h, depois do fim do prazo estendido. As urnas já encerradas não foram reabertas, portanto o país votou sob dois horários diferentes no mesmo dia.
Há ainda um ponto que este portal apurou por conta própria e que não aparece na nota. Até esta quarta-feira, 28, o Portal de Dados Abertos do TSE não havia publicado nenhum arquivo de resultado do segundo turno. Nas rodadas anteriores, o intervalo entre a votação e a publicação foi de cerca de 46 horas. Sem esses arquivos, imprensa, partidos e observadores não conseguem auditar a totalização por fora do sistema do tribunal.
Os sete minutos entre a derrota e o passaporte
O TSE confirmou a derrota de Flávio Bolsonaro na noite de 25 de outubro. Sete minutos depois, a Polícia Federal pediu ao Supremo a apreensão dos passaportes dele, segundo reportagem do Times Brasil. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a medida ainda naquela noite.
O Supremo não esclareceu o horário exato em que a decisão foi assinada. A ordem foi cumprida na manhã de segunda-feira, 26, e o senador ficou proibido de deixar o país. O caso tramita sob sigilo. Na nota, Flávio afirma que não existe mandado de prisão contra ele e classifica a sequência como perseguição política.
O que ele anuncia agora
Flávio deixou o Brasil na terça-feira, 27, um dia depois do prazo para a entrega dos passaportes. Ele desembarcou em Miami na quarta-feira, 28, em jato particular. No texto, afirma que não fugiu do país e que vai comandar a oposição a partir dos Estados Unidos.
A nota de Flávio Bolsonaro termina com um apelo aos parlamentares que ele ajudou a eleger. Inclusive, cita pelo nome Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado. O senador continua com mandato pelo Rio de Janeiro, e os processos em que é citado seguem em tramitação no Brasil.
Por fim, vale o registro: o portal busca manifestação do TSE e do STF sobre os pontos levantados na nota e sobre a publicação dos dados abertos do segundo turno. Este texto será atualizado assim que houver resposta.
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