Delegados ficaram 16 horas na Câmara, a votação de continuidade teve 124 votos e saiu moção pedindo apuração
A Conferência Municipal de Educação de Parauapebas terminou na noite desta quinta-feira, 30 de outubro, com o plenário da Câmara Municipal praticamente vazio. Os delegados chegaram às 7h da manhã. A votação final só acabou perto das 23h.
A Conferência Municipal de Educação define o Plano Municipal de Educação, a lei que vai orientar a rede de ensino pelos próximos dez anos. Portanto, era a principal discussão educacional do município em 2026. No entanto, a plenária foi perdendo participantes ao longo do dia.
Votação decidiu continuar com 124 delegados
Por volta das 18h, a mesa diretora interrompeu a leitura do documento. Vários delegados pediram o adiamento. Dessa forma, a coordenação levou o impasse à votação.
O resultado foi anunciado no microfone: 69 votos pela continuidade, 50 contrários e cinco abstenções. Ou seja, restavam 124 delegados votando naquele momento. Segundo a Prefeitura, a rede municipal atende cerca de 49 mil estudantes.
Antes da votação, uma delegada já havia apontado o problema. “É vantagem para quem a plenária está esvaziada nesse momento. É vantagem pro governo”, afirmou, na transmissão oficial da Câmara.
Liberação tardia e troca de acusações
A organização do evento também entrou no debate. Uma professora afirmou que os servidores só foram liberados às 14h do dia anterior. Assim, segundo ela, o trabalho dos 14 grupos ficou comprimido.
Um representante da coordenação respondeu que quem deixou o plenário agiu por irresponsabilidade. A réplica veio em seguida. “Acho leviano a gente atribuir responsabilidade por qualquer educador que não esteja agora aqui”, rebateu outra delegada.
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Propostas que não chegaram à planilha
Já no bloco de financiamento, delegados cobraram propostas aprovadas pela manhã nos grupos de trabalho. Elas não apareceram no documento projetado. “Ela não colocou na nossa planilha”, disse um participante, sobre o item que impedia cortes no orçamento da educação.
Outro delegado questionou o método de condução dos trabalhos. “Por que que a gente não tá votando as propostas? A gente tá só debatendo um negócio que já foi discutido”, afirmou. Além disso, ficou registrado na transmissão o comentário de que o plenário já estava vazio.
Entre os dados citados em plenário, um chamou atenção. Parauapebas atende hoje 13% da demanda por creche, de acordo com a apresentação do grupo de trabalho da educação infantil. A meta nacional é de 60%, e o município fixou 38% até o fim do plano.
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Moção aprovada pede apuração de relatos
No fim da noite, a plenária aprovou uma moção apresentada pelo professor Eduardo Salazar. O texto questiona o alinhamento político do prefeito Aurélio Goiano e da Secretaria Municipal de Educação. Além disso, relata episódios ocorridos em duas escolas.
A moção cita relatos de assédio moral na escola Maria Salete Moreno e de abuso de poder na escola Oziel Alves. O documento pede apuração, com escuta dos envolvidos e proteção contra retaliação. Vale destacar que a moção não atribui a autoria dessas condutas ao prefeito.
O texto também cobra esclarecimentos sobre o suposto loteamento de secretarias entre vereadores. Por fim, pede o registro nos anais da conferência e o encaminhamento ao Executivo, à Semed e ao Conselho Municipal de Educação.
Semed já é alvo de pedido de CPI
A Secretaria Municipal de Educação é comandada por Maura Regina Paulino Ferreira. A pasta já é alvo do Requerimento 455/2026, que pede a abertura de uma CPI da Educação na Câmara. Dez vereadores assinaram o pedido em outubro.
Em 13 de outubro, a base do prefeito barrou a convocação da secretária ao plenário. Atualmente, portanto, a Conferência Municipal de Educação chega ao fim em meio a uma disputa aberta sobre a rede de ensino.
O próximo passo é técnico. A minuta de lei ainda será redigida, passará pelo Conselho Municipal de Educação e seguirá para votação na Câmara Municipal.
O Portal Felipe Tommy procurou a Prefeitura de Parauapebas e a Secretaria Municipal de Educação. O espaço segue aberto para manifestação.
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