Requerimento de Zé do Bode entra na pauta desta terça e testa a lealdade da base aliada ao prefeito
A convocação da secretária de Educação em Parauapebas entra na pauta da sessão ordinária desta terça-feira (13), na Câmara Municipal. O Requerimento nº 417/2026, de autoria do vereador Elvis Silva Cruz, o Zé do Bode (União), já está pautado no Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL).
O documento pede que Maura Regina Paulino Ferreira compareça ao plenário. Ela comanda a Secretaria Municipal de Educação (Semed). O parlamentar quer esclarecimentos sobre a situação da infraestrutura das escolas da rede municipal.
A votação deve medir o tamanho da lealdade da base aliada ao prefeito Aurélio Goiano. Afinal, os vereadores governistas terão de decidir entre autorizar a ida da secretária ao plenário ou barrar o pedido.
Aula no chão de terra e escola fechada há dez dias
A justificativa do requerimento cita vistorias recentes feitas pelo próprio vereador. De acordo com o texto, a situação mais grave aparece na EMEF Eurides Santana.
Segundo o documento, crianças foram flagradas no período da tarde carregando as próprias carteiras para o quintal da unidade. Assim, elas assistiam à aula no chão de terra batida, atrás do refeitório e debaixo de uma árvore.
O improviso teria ocorrido por falhas na rede elétrica. Dessa forma, os aparelhos de ar-condicionado deixaram de funcionar. Durante as aulas ao ar livre, conforme o requerimento, alunos e material didático chegaram a ser atingidos por folhas e frutos secos.
Outro caso apontado no pedido ocorre na EMEF Domingos Cardoso da Silva. A unidade fica entre o Alto Bonito e os residenciais Casas Populares I e II.
De acordo com o parlamentar, a escola completou quase dez dias de portas fechadas. O motivo seria um colapso nas instalações elétricas. Por isso, o cumprimento do calendário letivo de 2026 ficou comprometido.
As perguntas que a secretária terá de responder
Caso o plenário aprove a convocação, Maura Paulino precisará prestar esclarecimentos formais. Além disso, terá de responder a uma lista de questionamentos do Legislativo.
Entre os pontos levantados no requerimento estão:
- por que as falhas elétricas da EMEF Domingos Cardoso não foram corrigidas antes da suspensão das aulas, e qual é o plano para repor os dias perdidos;
- desde quando a Semed sabia que alunos da EMEF Eurides Santana estudavam debaixo de árvores, e por que não houve medida emergencial;
- qual é a situação estrutural real das 81 escolas e 27 anexos que atendem cerca de 49 mil estudantes na cidade;
- quantas unidades estão hoje com salas interditadas ou com problemas elétricos e de climatização;
- quais contratos de manutenção predial e elétrica estão vigentes, e onde foram aplicados os recursos da pasta em 2026.
“A convocação da Secretária Municipal de Educação não possui caráter meramente protocolar. Busca-se obter respostas objetivas, documentos, prazos e providências concretas para problemas que estão interferindo diretamente no direito à educação”, escreveu Zé do Bode.
No documento, o vereador lembra ainda que fiscalizar os serviços públicos essenciais é obrigação constitucional da Câmara.
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Base aliada entra na mira da opinião pública
A votação coloca os vereadores governistas sob o olhar de pais, professores e da comunidade escolar. Portanto, o resultado tende a repercutir muito além do plenário.
O cenário ficou mais delicado depois da publicação do decreto de arrocho fiscal. Nesse contexto, votar contra a vinda da secretária pode soar como aval ao descaso com a rede de ensino.
Por outro lado, aprovar a convocação abre as portas do plenário para a gestão municipal se explicar publicamente. A pergunta de fundo permanece: por que um município com arrecadação bilionária mantém estudante sem aula ou em área improvisada de terra batida?
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O que acontece depois da votação
Aprovado o requerimento, a Câmara marca a data da audiência com a secretária. Em seguida, Maura Paulino responde aos questionamentos em sessão aberta ao público.
Se o pedido for rejeitado, a convocação da secretária de Educação em Parauapebas não acontece. Nesse caso, o Legislativo perde o principal instrumento de cobrança formal sobre a pasta neste momento.
A reportagem procurou a Prefeitura de Parauapebas e a Semed para se manifestarem sobre os pontos levantados no requerimento. O espaço permanece aberto para a resposta, que será publicada na íntegra assim que chegar.
