Maior corretora do mundo promete cobrir perdas; TRM Labs e Chainalysis apontam a Coreia do Norte
Um ataque hacker na Binance resultou no desvio de US$ 6,3 bilhões, cerca de R$ 34 bilhões, na quinta-feira (29). A Binance é a maior corretora de criptomoedas do mundo. Segundo especialistas do setor, foi o maior roubo já registrado no mercado de ativos digitais.
A ação durou aproximadamente 20 minutos. De acordo com registros das transações analisados por especialistas, o desvio começou por volta das 17h, no horário de Brasília. Em seguida, os criminosos passaram a movimentar os recursos rapidamente, para dificultar o rastreamento.
Como o ataque hacker na Binance aconteceu
As investigações seguem em andamento. Inicialmente, a corretora suspeitou que a invasão tivesse começado pelo computador de um de seus engenheiros. O equipamento teria sido comprometido, o que abriu caminho para os sistemas da empresa.
Posteriormente, a Binance informou que encontrou outras falhas de segurança. Elas também podem ter sido exploradas pelos criminosos. Segundo a empresa de rastreamento TRM Labs, os invasores conseguiram comprometer o sistema que autoriza transferências de criptomoedas.
Fundada em 2017 em Xangai, na China, a plataforma permite comprar, vender e guardar moedas digitais. Além disso, segundo o relatório anual de 2025, a empresa tem 335 milhões de usuários cadastrados. Ela mantinha sob responsabilidade cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos digitais.
Onde está o dinheiro desviado
Até agora, cerca de US$ 3 bilhões em criptomoedas roubadas foram localizados. Parte desses recursos já foi bloqueada, com ajuda de outras empresas do setor. No entanto, bloqueio não significa devolução.
Parte do valor estava em stablecoins, criptomoedas criadas para manter preço estável. Diferentemente do Bitcoin, algumas dessas moedas podem ser congeladas pelas empresas que as emitem. Dessa forma, a Tether informou ter congelado quase US$ 1,57 bilhão.
A Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões. Já a Ripple congelou aproximadamente US$ 200 milhões. Segundo a Reuters, a World Liberty Financial, empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à sua família, também participou das ações de bloqueio.
Leia também
Bitcoin e Ether fora do alcance
Criptomoedas como Bitcoin e Ether não têm uma empresa central capaz de travar transferências. Por isso, segundo a TRM Labs, cerca de US$ 2,4 bilhões nessas duas moedas podem estar fora do alcance imediato das medidas de bloqueio.
Os especialistas explicam que esses recursos só seriam interceptados em situações específicas. Um exemplo é a tentativa de transferência para uma corretora disposta a travar a operação.
Publicidade
Conta e cartão em dólarAbra sua conta internacional pelo celular, sem sair do Brasil.Abra conta ↗
Suspeita recai sobre a Coreia do Norte
As empresas americanas TRM Labs e Chainalysis apontam semelhanças com ataques anteriores atribuídos a hackers ligados à Coreia do Norte. A principal comparação é com a invasão à corretora Bybit, em 2025. O FBI atribuiu aquele caso a criminosos norte-coreanos.
Segundo a TRM Labs, é possível que o mesmo grupo esteja envolvido agora. Autoridades americanas e sul-coreanas acusam a Coreia do Norte há anos de usar grupos de hackers para financiar atividades do governo. O país nega as acusações.
Apesar das suspeitas, a Binance ressaltou que ainda não identificou oficialmente os responsáveis. Portanto, a autoria segue em apuração.
O que diz a Binance
A corretora afirmou que os recursos dos clientes estão seguros. Além disso, prometeu cobrir todos os prejuízos provocados pelo ataque hacker na Binance. Os depósitos não foram afetados, segundo a empresa.
Os saques foram suspensos temporariamente. A previsão é que o serviço seja retomado em até 45 horas, conforme a atualização divulgada pela companhia.
Para compensar as perdas, a empresa informou que usará recursos próprios e um fundo de emergência. Conhecido como SAFU, esse fundo tem reserva de aproximadamente US$ 1 bilhão em Bitcoin. O valor, contudo, é muito inferior aos US$ 6,3 bilhões desviados.
De acordo com a Reuters, a companhia trabalha com autoridades policiais de vários países, inclusive o FBI e o Serviço Secreto dos Estados Unidos. “Este foi um ataque complexo e estamos fazendo tudo o que podemos, em coordenação com as autoridades, para resolvê-lo”, afirmou a corretora.
Mercado reage com queda
A notícia derrubou o mercado de criptomoedas nesta sexta-feira (30). O Bitcoin caiu mais de 3% e chegou a US$ 77.356,60, seu menor valor em seis semanas. O Ether também recuou mais de 3%, para US$ 2.178, o menor patamar em dois meses.
Já o BNB, moeda ligada à Binance, caiu 5% em 24 horas, para US$ 709,70. O impacto chegou inclusive à bolsa americana: as ações da Coinbase recuaram 4,8% e as da Strategy caíram quase 6% após o fechamento regular. A Coinbase afirmou que não foi afetada pela invasão.
O caso é o mais recente de uma série de grandes invasões no setor. Somente em 2025, criminosos roubaram aproximadamente US$ 2,9 bilhões em quase 150 ataques, segundo levantamento da TRM Labs. Em setembro deste ano, por exemplo, a corretora Bitget informou ter sofrido roubo de cerca de US$ 350 milhões.
📱 Acesse ao Canal do Portal Felipe Tommy no WhatsApp