Após 7 dias de paralisação, vereador flagra rede elétrica queimada, almoxarifado virando sala e bebedouros sem filtro na unidade.
A Escola Municipal Domingos Cardoso da Silva, em Parauapebas, segue em abandono e sem aulas presenciais há mais de uma semana. O vereador Elvis Silva Cruz, o Zé do Bode, esteve na unidade nesta quarta-feira (7) e cobrou a Secretaria Municipal de Educação (Semed). Ele denunciou a parte elétrica sobrecarregada, aparelhos de ar-condicionado desligados e um almoxarifado improvisado como sala de aula.
A paralisação começou no dia 28 de setembro, por decisão conjunta de professores, pais e alunos. A principal razão é o calor insuportável nas salas, somado à ausência de climatização e à falta de resposta da gestão municipal. Por isso, a comunidade escolar manteve apenas atividades assíncronas durante o período.
“A missão é da gestão, não dos professores”, cobra vereador
Em pronunciamento gravado em frente ao portão da unidade, Zé do Bode direcionou a cobrança à secretária Maura Paulino. Além disso, ele reforçou que os docentes já fazem a parte deles e não podem resolver obra elétrica.
“Os professores formaram uma comissão e decidiram paralisar as atividades. Eles dão o seu melhor todos os dias, mas não é missão deles colocar a parte elétrica da escola para funcionar. Essa missão é de vocês”, afirmou o parlamentar, direcionando a fala à secretária.
Além do pronunciamento, o vereador entrou na escola e registrou em vídeo os problemas apontados. Assim, pôde documentar o que, segundo ele, caracteriza um quadro generalizado de abandono estrutural, bem como de descaso com a comunidade escolar.
Raio-x do abandono flagrado pelo vereador
Durante a vistoria, Zé do Bode listou quatro falhas estruturais na unidade. Portanto, segundo o parlamentar, o problema vai muito além do simples conserto dos aparelhos de ar-condicionado:
- Rede elétrica sobrecarregada: a instalação não suporta a carga dos aparelhos de ar-condicionado, mantidos desligados em meio ao calor de Parauapebas;
- Almoxarifado virando sala: espaços projetados como depósito foram adaptados para receber estudantes, segundo o vereador;
- Mobiliário degradado: faltam cadeiras adequadas nas salas e assentos apropriados no refeitório e na cantina;
- Água sem segurança: os bebedouros precisam de manutenção urgente e de troca imediata de filtros, para garantir água própria para consumo.
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Semed já enfrenta série de polêmicas em 2026
A cobrança sobre a Escola Domingos Cardoso chega em meio a um ano de denúncias contra a pasta comandada por Maura Paulino. A secretária é ré em uma Ação Popular que apura suposto rombo estimado em R$ 3.560.198,88 no contrato do transporte escolar. Dessa forma, a Justiça manteve a secretária e a empresa New Locações no processo.
Além disso, um requerimento do próprio vereador Zé do Bode aponta diferença de R$ 11,1 milhões entre os valores repassados pelo FNDE e o que aparece no Portal da Transparência, no PNAE. Em consequência, a Polícia Federal foi acionada para apurar a merenda escolar. Até agora, a Semed não respondeu às cobranças registradas desde abril.
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Ainda em 2026, a Justiça acolheu pedido do Ministério Público e suspendeu um contrato de R$ 14,7 milhões firmado sem licitação. A decisão aponta indícios de direcionamento, sobrepreço e falta de transparência. Ao mesmo tempo, o Ministério Público Federal cobra a abertura de conta exclusiva do Fundeb, para garantir rastreabilidade e evitar desvios de recursos.
Reunião de hoje pode liberar retorno paliativo
A comunidade escolar tem reunião prevista com a administração municipal ainda nesta quarta-feira (7). Por outro lado, o vereador alertou que o retorno das aulas depende de uma solução duradoura, não de maquiagem no prédio público.
“Hoje vai ter uma reunião e, provavelmente, com algum paliativo feito, as aulas podem até retornar. Mas isso não é o suficiente. O serviço tem que ser feito com qualidade e tem que ser duradouro”, concluiu o parlamentar.
A reportagem procurou a Semed e a direção da unidade, para informar o cronograma definitivo de reforma da rede elétrica e a data de normalização segura do calendário escolar presencial. O espaço para resposta segue aberto. Até lá, a Escola Domingos Cardoso continua em abandono e os estudantes seguem sem aulas em Parauapebas.
