Renata Lo Prete sabatinou o presidente na quinta e o senador na sexta, a oito dias da votação de 25 de outubro.
Lula e Flávio Bolsonaro deram entrevistas à TV Globo na reta final do segundo turno das Eleições 2026. O presidente falou na quinta-feira (15). O senador respondeu na sexta-feira (16). Em seguida, os dois temas que dominaram as conversas foram o Supremo Tribunal Federal e a segurança pública.
A jornalista Renata Lo Prete conduziu as duas sabatinas, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A ordem saiu de sorteio feito com representantes das campanhas. Assim, Lula e Flávio Bolsonaro responderam em dias separados, sem confronto direto. O segundo turno acontece em 25 de outubro.
O que Lula disse na entrevista
Primeiramente, o presidente defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos. Foi a primeira vez que ele apoiou a medida na campanha. “Enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo eu sou favorável a diminuir a penalidade”, afirmou.
Além disso, o petista prometeu criar o Ministério da Segurança Pública. Ele também defendeu a PEC da Segurança Pública, que aguarda votação no Senado. “Para o trabalhador, comunidade e território, queremos tranquilidade, segurança e proteção. Para os bandidos, queremos prisão”, disse.
Sobre a crise no Supremo, Lula cobrou apuração completa do caso Banco Master. No entanto, atribuiu o desgaste a um movimento da oposição. “A extrema-direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas porque eles querem caçar o Alexandre de Moraes”, declarou. Por isso, prometeu discutir uma reforma do Judiciário em um eventual quarto mandato.
O presidente também comentou a ida do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a uma festa de Daniel Vorcaro em Londres. Segundo ele, a explicação do diretor não convenceu. “Aliás, ninguém precisava ter ido para aquela festa”, afirmou. Por fim, disse que mantém diálogo com Donald Trump e projetou acordo sobre as tarifas americanas.
O que Flávio Bolsonaro disse na entrevista
Primeiramente, o senador prometeu manter o fim da escala 6×1, aprovado pelo Congresso nesta semana. Ele era contrário à proposta e mudou de posição. “Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas”, justificou.
Em seguida, o candidato do PL afirmou que pretende cumprir apenas um mandato, sem tentar a reeleição. Ele apresentou uma PEC que acaba com a reeleição presidencial. “Eu só preciso de um mandato, eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade”, disse.
Sobre o Judiciário, Flávio defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. “Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, declarou. Ele também afirmou que o ministro Kassio Nunes Marques deve ser investigado.
O senador ainda respondeu sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. Ele é investigado pela Polícia Federal em inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas no caso. Segundo o candidato, “o contrato não foi cumprido”. Por outro lado, negou ter oferecido contrapartidas em razão do cargo que ocupa.
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Cargo para o pai não está no radar
A jornalista perguntou se o ex-presidente Jair Bolsonaro teria cargo em um eventual governo. Jair cumpre pena de 27 anos, após condenação do STF por organizar um golpe de Estado. O filho respondeu que nunca tratou do assunto com o pai e que o tema “não está no radar”.
Flávio também descartou nomear o irmão Eduardo Bolsonaro como ministro das Relações Exteriores. “Não, ele não vai ser meu chanceler”, disse. Eduardo foi condenado pelo STF por tentar interferir no julgamento do pai. Além disso, o senador afirmou que vai respeitar o resultado das urnas.
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Debate da Globo fecha a campanha
Dessa forma, as duas entrevistas anteciparam os temas do confronto direto. Lula e Flávio Bolsonaro se encontram no debate da TV Globo, em 23 de outubro. O jornalista César Tralli vai mediar o encontro, nos Estúdios Globo.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o candidato do PL teve 47,03% dos votos válidos. Lula somou 45,16%. A diferença ficou em 1,87 ponto percentual, ou cerca de 2,2 milhões de votos. Portanto, a decisão fica para o domingo, dia 25 de outubro.
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