Publicado em 31/07/2026 às 11:40 | Atualizado 31/07/2026 às 11:40 por felipetommyreal
Investigadores querem apurar corrupção e tráfico de influência na autorização de cannabis medicinal ligada ao Ministério da Saúde
A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Assim, os investigadores querem apurar suspeitas de corrupção e tráfico de influência no mercado de cannabis medicinal. Ou seja, a PF investiga Lulinha e possíveis irregularidades ligadas ao Ministério da Saúde.
O pedido chegou ao Supremo na última sexta-feira, dia 24 de julho. Em seguida, foi distribuído nesta quarta-feira, 29 de julho, ao ministro André Mendonça. Portanto, caberá a ele decidir se o inquérito será aberto. As informações são da Folha de S.Paulo.
O que a PF quer apurar
Segundo os investigadores, a suspeita envolve a autorização para comercializar cannabis medicinal. Esses programas estão ligados ao Ministério da Saúde. Além disso, o documento cita contatos entre os alvos e servidores públicos, inclusive do gabinete de Lula.
Dessa forma, a PF quer esclarecer se houve tráfico de influência junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência. De acordo com a apuração, Lulinha teria atuado ao lado da empresária Roberta Luchsinger. O foco seria o mercado de canabidiol, em favor da empresa World Cannabis.
Quem são os citados
Roberta Luchsinger é amiga de Lulinha e atua no mesmo ramo. Já a World Cannabis aparece ligada ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Por isso, os três nomes estão no centro do pedido enviado ao Supremo.
O Careca do INSS está preso desde setembro de 2025. Contudo, ele nega irregularidades. Em depoimento à CPI do INSS, afirmou que sua prosperidade é fruto de “trabalho honesto e dedicado”.
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A defesa dos investigados
Os advogados de Lulinha foram procurados, mas não responderam até a publicação. O Palácio do Planalto também não se manifestou. No entanto, todos vêm negando irregularidades nos últimos meses.
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Anteriormente, a defesa afirmou que Lulinha não participou de negociações. Segundo os advogados, ele não investiu trabalho nem dinheiro no projeto. Além disso, dizem que ele não recebeu convite para comprar cotas da World Cannabis.
Em março, contudo, a defesa admitiu um ponto. Lulinha teve despesas pagas pelo Careca do INSS em uma viagem a Portugal, em 2024. Por sua vez, Roberta disse que prestou consultoria ao lobista na área de canabidiol. Ela afirmou ainda que apresentou o Careca a Lulinha em um “contexto social”.
Como o caso chegou ao Supremo
O documento da PF aponta pagamentos do lobista para a RL Consultoria, empresa de Roberta. Por isso, a investigação tentará esclarecer se o dinheiro chegou a agentes públicos. Os investigadores também pedem o compartilhamento de provas da Operação Sem Desconto.
Essa operação apura desvios no INSS e tem o Careca como um dos alvos. O pedido foi enviado durante o recesso do Judiciário. Assim, o caso passou primeiro por Alexandre de Moraes, que estava de plantão na presidência da corte.
Em seguida, Moraes pediu um parecer da Procuradoria-Geral da República. A PGR entendeu que as quebras de sigilo “revelaram a prática de crime”, sem relação com a Operação Sem Desconto. Portanto, opinou pelo sorteio de um novo relator, e André Mendonça foi o escolhido.
O que disse Lula sobre o filho
No fim do ano passado, o presidente comentou o assunto. Ele afirmou que o filho deveria ser investigado caso houvesse envolvimento em irregularidades. “Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso será investigado”, declarou na ocasião.
Até agora, a PF investiga Lulinha apenas no campo das suspeitas. Nenhuma acusação formal foi apresentada. Dessa forma, o ministro André Mendonça terá a palavra final sobre a abertura do inquérito.
