Valmir, Darci e Aurélio não estão na urna, mas disputam o voto de 2026 por meio dos candidatos que apadrinham
Quem é o candidato a deputado em Parauapebas? A pergunta certa em 2026 é outra: quem é o padrinho? Nas ruas e no material de campanha, o eleitor percebe logo que o santinho tem duas fotos. Contudo, a que carrega o peso político de verdade é a do padrinho. A eleição do padrinho em Parauapebas virou, na prática, o terceiro turno da prefeitura.
O município é o polo econômico do sul e sudeste do Pará. Por isso, três gestores disputam a mesma urna sem ter o nome registrado nela: um do passado, um de quatro mandatos e o atual ocupante do cargo. Cada um empresta a própria marca a um candidato. Dessa forma, o eleitor vota no nome da urna, mas escolhe também o grupo que está por trás dele.
Padrinho virou franquia política
Maquiavel dizia que o príncipe precisa de virtù e de fortuna. No xadrez de Parauapebas, o pré-candidato precisa é de padrinho. Assim, o mandato proporcional virou uma espécie de franquia. O candidato é a loja, mas o padrinho é a marca que garante a clientela.
O primeiro nome desse tabuleiro é Valmir Mariano (Podemos). Engenheiro civil e empresário, ele governou Parauapebas entre 2013 e 2016. Atualmente, atua nos bastidores e abençoa a pré-candidatura de Mariza Almeida (PL) a deputada estadual. Em encontro na cidade, ele resumiu a estratégia num conselho público.
“Parabéns pela sua iniciativa, mas parabéns mesmo, vá em frente, vá com garra, vá com determinação. Humildade é importante, seja humilde, mas seja firme”, disse o ex-prefeito. O gesto tem valor simbólico para uma pré-candidata em consolidação. Além disso, transfere a ela o canal de diálogo que Mariano mantém com setores produtivos e conservadores locais.
Darci Lermen aposta na memória social
Darci Lermen carrega a autoridade de quatro mandatos: 2005 a 2008, 2009 a 2012, 2017 a 2020 e 2021 a 2024. Ele traz o recall de projetos sociais emblemáticos da cidade, como o Lote Urbanizado e o Gira Renda. Por isso, sua marca é a mobilização orgânica no eleitorado de base, construída em duas décadas de vida pública.
Darci aposta as fichas em Junior do Macre (Republicanos) para a Assembleia Legislativa do Pará. No plano federal, apoia a reeleição do deputado Keniston Braga (MDB). Ou seja, ele entrega aos dois a história e a militância tradicional que acumulou desde 2005.
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Do outro lado está o atual prefeito, Aurélio Goiano (Avante). Ele venceu em 2024 com a marca histórica de 92.073 votos, 58,52% dos válidos. Aurélio é a estrutura de agora. Ele carrega a candidatura do deputado federal Joaquim Passarinho e desenha nos bastidores o nome de Wescley Tomás e Chamonzinho para a disputa estadual. Sua contribuição é a força institucional e o alcance que a gestão municipal proporciona.
A entrada do Dr. Denner reorganizou o jogo
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É nesse cenário, polarizado entre máquinas e legados, que surge a jogada mais inteligente da corrida em Parauapebas. Trata-se da articulação em torno do Dr. Denner. Em ascensão na reta final da pré-campanha, ele é muito identificado com o grupo do Dr. Daniel. Contudo, construiu um espaço próprio no eleitorado.
Ao fechar aliança com Joaquim Passarinho, o cenário mudou a favor do deputado federal. Passarinho passa a contar com o respaldo institucional de Aurélio Goiano. Ao mesmo tempo, soma a aceitação popular e o apelo de renovação do Dr. Denner. Em resumo, ganha prefeito e ganha doutor.
A parceria também combina a capacidade operacional do governo local com o fôlego de uma candidatura jovem. Portanto, ganha máquina e ganha novidade. Além disso, a presença do Dr. Denner injeta o gás necessário para Passarinho buscar votos fora da bolha da prefeitura. Ele alcança fatias do eleitorado que procuram alternativas fora da estrutura oficial.
Foi um movimento de alta inteligência tática. Ao diversificar os apoios, o deputado federal ampliou o próprio teto eleitoral de forma expressiva. Consequentemente, ele chega à disputa com a musculatura ideal para liderar a votação federal na cidade.
O que cada padrinho oferece
Valmir Mariano entrega a Mariza Almeida conselho, prestígio e abertura no setor produtivo. Seu alcance está no eleitorado conservador e empresarial. Darci Lermen oferece a Junior do Macre e a Keniston Braga a história, o recall social e a militância tradicional. Ele fala com as bases populares e com os beneficiários dos projetos sociais.
Aurélio Goiano cede a Joaquim Passarinho a estrutura oficial, a máquina pública e o mandato presente. Seu campo é o eleitorado governista e a base aliada. Por fim, a aliança com o Dr. Denner dá a Passarinho gás renovado, apelo independente e inserção na saúde. É o voto fora da estrutura da prefeitura.
Enquanto Valmir dá conselho de firmeza, Darci oferece a trajetória e Goiano empresta a estrutura. No entanto, é a aliança com o Dr. Denner que reconfigura a disputa federal em Parauapebas. No fim das contas, o nome que o eleitor digita na urna é o do candidato. A força que impulsiona o voto, porém, vem de quem está no bastidor.
A pergunta do começo continua no ar. Em outubro, você vai votar no candidato ou no padrinho dele? O padrinho pode não aparecer na foto da urna, mas é ele quem assina o resultado da eleição do padrinho em Parauapebas.
O Portal Felipe Tommy acompanha a campanha dos candidatos com base em Parauapebas e na região de Carajás. Assim, novos desdobramentos serão publicados conforme a reta final avançar.
