dados abertos do TSE

TSE ainda não publicou os dados abertos do 2º turno de 2026

Nacional Política
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Catálogo oficial do tribunal segue sem um único arquivo de resultado do segundo turno, 50 horas depois

O Tribunal Superior Eleitoral ainda não publicou os dados abertos do TSE referentes ao 2º turno das Eleições 2026. O resultado foi proclamado na noite de 25 de outubro, com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva por 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Contudo, os arquivos que permitem refazer essa soma, seção por seção, seguem fora do ar.

O levantamento foi feito pelo Portal Felipe Tommy no catálogo oficial do próprio tribunal, nesta quarta-feira (28). A consulta mostra a data e a hora de cada arquivo publicado. Até o fechamento desta reportagem, o número de arquivos de resultado do 2º turno era zero.

O que o TSE publicou antes da votação

Os dados abertos do TSE sobre o 2º turno começaram a sair antes mesmo do pleito. Em 24 de outubro, o tribunal publicou 112 arquivos com os logs do sistema de preparação das urnas eletrônicas. No mesmo dia, publicou outros 112 arquivos de correspondências esperadas e efetivadas.

Esses dois conjuntos foram atualizados em 25 de outubro, às 14h40 e às 14h53. Ou seja, a esteira de publicação estava montada e funcionando durante a votação. Por isso, a ausência dos arquivos de resultado chama atenção.

O que não entrou no ar

O conjunto de boletins de urna de 2026 reúne 56 arquivos. São 28 unidades federativas, cada uma com o arquivo de dados e o respectivo código de verificação. Todos os 56 trazem o rótulo de primeiro turno. A última alteração do conjunto é de 6 de outubro, às 17h14.

Além disso, a situação se repete nos demais repositórios. O conjunto que reúne votação por seção eleitoral, detalhe da apuração e relatório de totalização tem 61 arquivos, todos criados entre 6 e 8 de outubro. Já o conjunto de arquivos transmitidos para totalização tem 28 arquivos, igualmente de primeiro turno.

O prazo das rodadas anteriores já passou

Existe um padrão para comparar. Nas Eleições 2022, o 2º turno ocorreu em 30 de outubro e os arquivos entraram no ar em 1º de novembro, por volta das 15h13. Foram cerca de 46 horas entre o fim da votação e a publicação.

O mesmo intervalo se repetiu neste ano. O 1º turno de 2026 foi em 4 de outubro e os boletins saíram em 6 de outubro, às 15h29. Novamente, cerca de 46 horas. No caso do 2º turno, já se passaram mais de 50 horas sem publicação.

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O compromisso está escrito pelo próprio tribunal

A ficha do conjunto no portal de dados abertos informa que ele cobre o “1º e 2º turnos por UF”. No campo de periodicidade, o texto é literal: “Arquivo carregado uma única vez após o 1º turno e 2º turno com os dados do Boletim”. Portanto, a publicação posterior ao 2º turno é obrigação assumida pelo próprio órgão.

Não existe, porém, prazo legal para esse carregamento. A legislação eleitoral não fixa hora nem dia para a entrega do arquivo. Dessa forma, o calendário depende apenas da rotina interna do tribunal.

O que ainda pode ser consultado

É preciso registrar o que continua disponível. O Portal de Resultados do TSE permite consultar o boletim de cada seção eleitoral individualmente, com o registro digital do voto e o log da urna. A diferença está na escala, já que conferir meio milhão de seções uma a uma não substitui o arquivo único.

Atualmente, são os dados abertos do TSE que permitem a partidos, universidades e imprensa refazer a totalização em poucos minutos. Sem o conjunto consolidado, portanto, a verificação independente fica inviável na prática, ainda que o dado exista em outro formato.

Um pleito marcado por decisões no dia da votação

O 2º turno de 2026 teve episódios fora do comum. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou a votação até as 19h em todo o país, atendendo pedido da coligação de Lula sobre falhas no transporte público na Bahia. Em seguida, o TSE suspendeu a divulgação da apuração às 17h06.

Segundo o tribunal, a suspensão ocorreu com 1.225 das 499.248 seções totalizadas, cerca de 0,25% do total. Posteriormente, a divulgação foi retomada às 19h. A diferença final entre os dois candidatos ficou em torno de 4,4 milhões de votos.

O que o portal apurou e o que pediu

Este portal não identificou qualquer indício de fraude na apuração, e não é disso que trata a reportagem. O que se verifica é a ausência de um conjunto de dados públicos que o órgão se comprometeu a divulgar. São fatos diferentes, e misturar os dois seria desinformação.

Por fim, a reportagem procurou a Assessoria de Imprensa do TSE e registrou pedido com base na Lei de Acesso à Informação. Até a publicação, não havia resposta nem comunicado oficial sobre a data prevista. O espaço segue aberto para a manifestação do tribunal.

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