impeachment de Santiago Peña

Paraguai ignora renúncia e mantém impeachment de Santiago Peña

Política Regional
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Senado marcou sessão para esta sexta (6), quando o presidente apresenta defesa após a quebra do banco ueno.

O Senado do Paraguai ignorou o pedido de renúncia apresentado pelo presidente e deu continuidade ao impeachment de Santiago Peña na noite desta quinta-feira (5). A decisão manteve de pé a crise política mais grave do país em anos.

De acordo com o G1, a Câmara dos Deputados já havia aprovado a abertura do processo horas antes. Em seguida, o caso seguiu para o Senado, que abriu uma sessão extraordinária ainda na quinta-feira. Os senadores marcaram nova sessão para esta sexta-feira (6), às 10h.

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O que derrubou a confiança no governo paraguaio

A crise começou com a quebra do banco ueno, instituição do Grupo Vázquez. O banco fechou as portas na terça-feira (3). Antes disso, o Banco Central paraguaio já havia iniciado o processo de liquidação.

A autoridade monetária identificou insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição. Segundo o Banco Central, o problema está ligado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio banco.

Os números explicam o tamanho do estrago. O ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes. Além disso, concentrava aproximadamente 850 milhões de dólares em depósitos públicos, inclusive recursos do Instituto de Previdência Social.

Três milhões de clientes sem acesso ao dinheiro

O efeito mais imediato da liquidação atingiu os correntistas. Milhões de clientes ficaram sem acesso aos próprios depósitos desde o fechamento do banco, na terça-feira (3). Foi esse impacto que o presidente citou ao pedir desculpas em vídeo.

O alcance do caso vai além das contas pessoais. Como a instituição guardava dinheiro público, inclusive da previdência paraguaia, o rombo passou a ser tratado como problema de Estado. Dessa forma, a quebra virou crise política em menos de 72 horas.

A acusação da oposição

Peña também é economista e foi acionista do grupo proprietário do ueno até março do ano passado. Por isso, a oposição passou a acusá-lo de conflito de interesses.

A denúncia aponta ainda manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, entre outras irregularidades. Segundo a acusação, o Banco Central paraguaio teria encoberto problemas na instituição.

A renúncia que o Congresso não aceitou

Mais cedo, Peña apresentou uma carta de renúncia em vídeo. Na gravação, ele pediu desculpas à população que perdeu o acesso ao próprio dinheiro. Também afirmou que decidiu deixar o cargo pensando na estabilidade do país.

Por outro lado, o comentarista Ariel Palacios, da GloboNews, leu o gesto de outra forma. Para ele, Peña tentou se proteger de futuras investigações e manter o foro privilegiado.

Isso porque a Constituição paraguaia transforma ex-presidentes em senadores vitalícios. A estratégia, contudo, foi frustrada pelo andamento do impeachment de Santiago Peña na Câmara dos Deputados.

A mesma Constituição estabelece que o ex-presidente perde o cargo vitalício se for submetido a julgamento político e considerado culpado. Além disso, cabe ao Congresso aceitar ou rejeitar o pedido de renúncia do presidente e do vice.

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O que acontece nesta sexta-feira

Na sessão das 10h, Santiago Peña deve apresentar a defesa. Ele terá a oportunidade de contestar as acusações feitas pela Câmara dos Deputados. Poderá, inclusive, apresentar provas e argumentos.

Depois da defesa, os senadores decidem se o presidente será condenado e perderá o mandato. Para isso, são necessários pelo menos 30 votos. O número equivale a dois terços dos 45 integrantes do Senado.

Se a condenação for aprovada, Peña também perde a condição de senador vitalício. Nesse cenário, o vice-presidente Pedro Alliana assume o comando do país. Ele deverá completar o mandato, que termina em agosto de 2028.

O que diz o presidente

Em carta publicada nesta quinta-feira (5), Peña afirmou que pretende colaborar com a Justiça. Ele defendeu que os responsáveis por eventuais irregularidades sejam punidos.

O presidente disse ainda que os clientes do banco ueno afetados pela crise devem ser ressarcidos. Segundo ele, o ressarcimento independe do seu futuro político.

Portanto, o desfecho do impeachment de Santiago Peña será definido nesta sexta-feira. O Senado decide se o Paraguai terá um novo presidente até agosto de 2028.

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