Mais de 50 famílias foram à agência da Equatorial cobrar a religação e o reparo começou horas depois
Moradores ficaram sem energia no Alvorá por três dias seguidos, em Parauapebas. Cansados de esperar, eles decidiram cobrar pessoalmente. Na tarde desta quinta-feira, 24, um grupo de 15 pessoas foi até a agência da Equatorial Energia na cidade.
O grupo representava mais de 50 famílias do bairro. Segundo os moradores, parte do Alvorá está no escuro desde terça-feira. Na quarta, outra parte do bairro passou a receber apenas uma fase. Por fim, ao meio-dia desta quinta, mais de 50 famílias perderam o fornecimento por completo.
Entre os atingidos estão bebês recém-nascidos, gestantes de nove meses e idosos. De acordo com os relatos, grávidas precisaram de atendimento médico por causa do calor. Além disso, um idoso de 91 anos passou mal dentro de casa.
Bebê de três meses foi levado ao protesto
A comitiva que desceu até a agência levou uma criança de três meses. Segundo os moradores, o bebê apresentava sinais de desidratação provocados pelo calor. Dessa forma, o grupo decidiu que ninguém sairia do local antes de uma resposta.
O prejuízo não parou na saúde. Moradores e comerciantes perderam produtos guardados em geladeiras e freezers. Em resumo, três dias sem energia no Alvorá viraram perda de comida, de renda e de sossego.
Uma das moradoras havia procurado a redação do Portal Felipe Tommy mais cedo. Ela relatou o impasse e avisou que o grupo estava a caminho da concessionária. Por isso, a reportagem acompanhou o desdobramento do caso.
Reunião com o gerente foi filmada por moradora
Uma moradora gravou parte da reunião dentro da agência. No vídeo, o gerente da unidade explica que tentava acelerar o atendimento junto aos superiores. Ele conta o que disse à equipe da empresa por telefone.
“Quero que vocês entendam o seguinte, nossa agência fecha cinco horas da tarde”, afirma o gerente. “Eu tô com várias pessoas na agência, onde já era para estar fechado. Qual o prazo vocês vão me dar para fazer essa substituição?”
Em seguida, ele repassa a resposta que recebeu. Segundo o gerente, a empresa informou que já estava direcionando equipe para a ocorrência. Assim, ele tentou acalmar os ânimos no balcão.
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Moradores só liberaram a agência após o transformador chegar
A resposta verbal não bastou. Uma moradora deixou claro qual era a condição do grupo para desocupar o local. “Assim que o pessoal do bairro avisar aqui pra gente que o transformador chegou lá, a gente libera aqui”, disse ela.
Durante o ato, outro morador avisou que o movimento crescia. Ele informou que gente de outra localidade também estava a caminho da agência para protestar. Contudo, a negociação seguiu dentro do balcão.
Os manifestantes também reclamaram do atendimento. De acordo com eles, um dos atendentes tratou o grupo com truculência. Outro funcionário, então, assumiu a conversa e o clima melhorou.
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Equatorial enviou dois transformadores ao bairro
Depois do protesto, a concessionária agiu. A Equatorial enviou dois transformadores ao Alvorá e iniciou o serviço de reparo da rede. A substituição dos equipamentos começou ainda na noite desta quinta-feira.
O caso escancara um padrão que se repete em Parauapebas. O reparo só saiu do papel depois que o bairro inteiro se organizou e foi até o balcão. Em outras palavras, o consumidor precisou virar manifestante para ser atendido.
Vale lembrar que o fornecimento de energia é serviço público concedido. Portanto, a interrupção prolongada pode gerar direito a indenização por danos materiais, como a perda de alimentos. A Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, fixa prazos máximos de religação por norma.
Consumidor nessa situação deve registrar protocolo na concessionária e guardar o número. Em seguida, pode acionar a ouvidoria da empresa, a Aneel e o Procon. Fotos dos alimentos perdidos e a nota fiscal ajudam a comprovar o prejuízo.
A reportagem entrou em contato com a Equatorial Energia. No entanto, até o fechamento desta matéria a empresa não havia se posicionado. O espaço segue aberto para manifestação.
