impostos em Parauapebas 2026

EXCLUSIVO: cada parauapebense pagou R$ 1.252 em impostos em 2026

Política Regional
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Um único credor concentra R$ 104 milhões e 76% dos contratos com o mercado saíram sem pesquisar preço.

Cada morador de Parauapebas pagou, em média, R$ 1.252 em impostos e taxas municipais nos primeiros nove meses de 2026. Ao todo, saíram do bolso do contribuinte R$ 333,5 milhões em IPTU, ISS, ITBI, IRRF de servidores e taxas municipais. É o retrato mais atualizado do que o parauapebense pagou até aqui.

No mesmo período, a Prefeitura desembolsou R$ 1,45 bilhão. Portanto, ainda não há rombo de caixa: a arrecadação total, de R$ 1,566 bilhão, cobre o pagamento. A pergunta que este raio X responde não é se a Prefeitura tem dinheiro. É o que ela está fazendo com o dinheiro que o cidadão paga. Levantamento exclusivo do Portal Felipe Tommy sobre os impostos em Parauapebas em 2026 analisou 29.075 pagamentos registrados no Portal da Transparência da Prefeitura.

Para onde vai o dinheiro do parauapebense

Do total pago pela Prefeitura em 2026, R$ 751,8 milhões foram para empresas privadas. Contudo, esse dinheiro não se distribui de forma equilibrada. Ao todo, 4.884 fornecedores receberam pagamentos no ano, mas apenas as dez primeiras empresas concentram cerca de um terço de todo o valor pago ao setor privado.

No topo do ranking está a Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura, a ASELC/OSS, contratada por dispensa para administrar o Hospital Geral de Parauapebas. A entidade recebeu R$ 104 milhões em 2026. Isso representa 17% de todo o valor pago a empresas privadas no ano. Uma média de R$ 11,5 milhões por mês para uma única organização social.

76 de cada 100 reais gastos saíram sem pesquisar preço

Excluída a folha de pagamento e a categoria genérica de demais despesas, a Prefeitura contratou R$ 529,5 milhões com o mercado em 2026. Desses, R$ 401,8 milhões, o equivalente a 76%, saíram por contratação direta. Apenas 24% passaram por pregão, concorrência ou tomada de preço.

Do total sem disputa, R$ 276 milhões foram por dispensa, R$ 72 milhões por adesão a atas de outros órgãos, o chamado carona, e R$ 42 milhões por inexigibilidade. Em resumo, de cada R$ 100 que a Prefeitura gastou com o mercado, R$ 76 foram contratados sem que empresas competissem para oferecer o melhor preço ao contribuinte.

A emergência que não acaba nunca

Coleta de lixo, transporte escolar, roçagem, estradas vicinais e recuperação de pavimento estão entre os serviços mais caros contratados por dispensa em 2026. Todos são serviços contínuos e 100% previsíveis. Contudo, vêm sendo pagos mês após mês pelo mesmo formato, alguns já no 15º mês de contratação emergencial.

A Lei 14.133/2021 limita a dispensa emergencial a doze meses e proíbe a recontratação pela mesma regra, justamente para evitar o padrão que se instalou em Parauapebas. Emergência que se repete por mais de um ano é o que os tribunais de contas chamam de emergência fabricada: falta de planejamento usada para fugir da licitação. Consequentemente, o preço que o contribuinte paga não é o resultado de uma competição de mercado.

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O impostômetro do parauapebense

Os R$ 333,5 milhões arrecadados em impostos e taxas municipais equivalem a cerca de R$ 1,32 milhão saindo do bolso do parauapebense por dia. Ou seja, R$ 1.252 por habitante nos primeiros nove meses do ano, considerando a população do Censo IBGE 2022 (266.424 moradores). Vale lembrar: esse valor cobre só o que o morador paga diretamente.

Estão de fora repasses da União, do Estado e da CFEM da mineração, que também alimentam o caixa da Prefeitura. Além disso, os impostos em Parauapebas em 2026 seguem em ritmo estável desde janeiro, com média mensal próxima de R$ 41 milhões. Portanto, a arrecadação própria não é o problema. A pergunta continua sendo em quê o dinheiro está sendo aplicado.

Onde o dinheiro chegou, por órgão

Educação lidera com R$ 404,5 milhões, somando o Fundo Municipal de Educação e o FUNDEB. Em seguida vem Saúde, com R$ 365,4 milhões pelo Fundo Municipal de Saúde. Juntas, as duas áreas concentram mais da metade do total pago pela Prefeitura em 2026, na direção dos mínimos constitucionais.

Obras aparecem em terceiro, com R$ 99,8 milhões, seguidas por Serviços Urbanos (R$ 85,4 milhões), PROSAP de saneamento (R$ 63,1 milhões) e Segurança Institucional (R$ 61,5 milhões). O Gabinete do Prefeito soma R$ 52,7 milhões no período.

O outro lado

O prefeito Aurélio Goiano (Avante) tem afirmado publicamente que herdou da gestão anterior mais de R$ 1,6 bilhão em dívidas. Os dados são compatíveis com pagamento continuado de restos a pagar de exercícios anteriores. Contudo, as contratações emergenciais e a manutenção do padrão de dispensa em 2026 são atos da atual gestão.

A Prefeitura de Parauapebas foi procurada para se manifestar sobre os achados desta reportagem. A nota será publicada na íntegra assim que enviada. O raio X completo, com gráficos mês a mês, impostômetro, ranking de credores e todos os sinais de alerta, está disponível em felipetommy.com.br/contas2026, atualizado hoje.

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