Publicado em 16/07/2026 às 09:46 | Atualizado 16/07/2026 às 09:46 por felipetommyreal
Levantamento inédito revela que gastos comprometidos superam em R$ 300 mi o que entrou no caixa e royalties vieram 63% abaixo do previsto.
As contas da Prefeitura de Parauapebas em 2026 revelam um cenário alarmante. Um levantamento inédito do Portal Felipe Tommy cruzou mais de 70 mil registros do Portal da Transparência e chegou a um dado explosivo: entre 1º de janeiro e 15 de julho, o município arrecadou R$ 1,26 bilhão, mas já comprometeu R$ 1,57 bilhão em gastos. Ou seja, os compromissos assumidos pela gestão já superam em mais de R$ 300 milhões tudo o que entrou no caixa municipal neste ano.
Contudo, o número mais impactante está na forma de contratar. Excluída a folha de pagamento, de cada R$ 100 gastos com empresas, R$ 77 foram contratados sem disputa pública. Portanto, a concorrência entre fornecedores praticamente inexiste na gestão do prefeito Aurélio Goiano (Avante).
Veja a reportagem completa, com o impostômetro, os gráficos mês a mês, os maiores credores e todos os sinais de alerta:
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Como o dinheiro público foi distribuído sem licitação
O levantamento detalha como esse R$ 77 de cada R$ 100 foi dividido. São R$ 307 milhões por dispensa de licitação, R$ 99 milhões de adesão a atas de outros órgãos, o chamado carona, e R$ 55 milhões por inexigibilidade. Consequentemente, quase R$ 461 milhões saíram dos cofres municipais sem que fornecedores precisassem competir para oferecer o melhor preço ao contribuinte.
Entre os serviços contratados dessa forma estão coleta de lixo, transporte escolar, combustível, roçagem e manutenção de estradas vicinais. Todos são serviços contínuos e totalmente previsíveis, mas vêm sendo pagos mês após mês como emergência. Os boletins de medição já chegam ao 13º mês. Desse modo, a Lei de Licitações nº 14.133/2021 está sendo desrespeitada, já que ela limita a contratação emergencial a 12 meses e proíbe a recontratação pelo mesmo regime.
A CFEM que não veio e o orçamento que não fecha
Além da forma de contratar, o levantamento acende um alerta grave sobre as receitas. O orçamento montado pela gestão Aurélio Goiano contava com R$ 783 milhões em royalties da mineração, a CFEM, ao longo de 2026. Contudo, passada mais da metade do ano, apenas 37% desse valor entrou no caixa.
Se o ritmo se mantiver, faltarão cerca de R$ 250 milhões na principal fonte de renda do município. Sobretudo, esse déficit se combina com um nível de gastos comprometidos superior à arrecadação, criando uma pressão fiscal que pode comprometer o pagamento de fornecedores, servidores e a continuidade dos serviços públicos nos próximos meses.
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Quem mais recebeu: um credor, R$ 80 milhões
O levantamento identificou também os maiores credores da Prefeitura de Parauapebas em 2026. Um único nome se destaca: a organização social ASELC/OSS, que administra o Hospital Geral do município. Ela recebeu R$ 80,9 milhões no período analisado, o que equivale a R$ 14,28 milhões por mês. Igualmente, todo esse valor foi contratado por dispensa de licitação.
Por fim, enquanto isso acontece dentro dos cofres municipais, o Impostômetro de Parauapebas já marca R$ 271,9 milhões pagos em impostos e taxas municipais pelos contribuintes em 2026, o equivalente a aproximadamente R$ 1,4 milhão por dia. Visto que os dados mostram compromissos acima da arrecadação, contratos emergenciais acima do prazo legal e royalties muito abaixo do esperado, a população tem o direito de exigir respostas imediatas e claras sobre o destino dos recursos públicos de Parauapebas.
A Prefeitura foi procurada
A Prefeitura de Parauapebas foi formalmente procurada pelo Portal Felipe Tommy para se manifestar sobre os dados levantados. O espaço está aberto e qualquer resposta enviada pela administração municipal será incluída na íntegra nesta reportagem. Atualmente, a ausência de resposta não significa ausência de responsabilidade: os números do Portal da Transparência são públicos e a prestação de contas é uma obrigação constitucional de qualquer gestor público.
