Nenhuma das três Comissões Processantes arquivou a denúncia; processos seguem até 10 de novembro
O prefeito Aurélio Goiano enfrenta três denúncias na Câmara Municipal de Parauapebas. Nenhuma Comissão Processante arquivou as denúncias contra Aurélio Goiano depois da defesa prévia. Foi três a zero.
As três Comissões Processantes instaladas para analisar as Denúncias nº 01, 02 e 03/2026 decidiram pelo prosseguimento dos processos. Na prática, nenhuma das acusações contra Aurélio Goiano foi arquivada. Isso não significa condenação, tampouco afastamento ou cassação. Mas também está longe de ser um detalhe burocrático.
Politicamente, o prefeito atravessa uma nova etapa do problema. Tudo começou com a aceitação das denúncias pela Câmara. Agora o caso entra na fase mais sensível: a instrução, quando documentos serão confrontados, testemunhas poderão ser ouvidas e provas serão produzidas.
Nenhuma denúncia ficou pelo caminho
A primeira Comissão Processante analisa suposta infração político-administrativa. O caso envolve declarações atribuídas ao prefeito sobre religiões de matriz africana.
A relatora, vereadora Érica Ribeiro (PSDB), analisou a defesa prévia, os documentos apresentados e os requerimentos formulados. Ao final, a comissão entendeu que havia elementos para a continuidade do processo. Também rejeitou a exceção de suspeição e impedimento apresentada durante a tramitação.
A segunda frente é politicamente ainda mais desconfortável para o Executivo, pois toca diretamente na relação entre Prefeitura e Câmara. A Comissão Processante nº 02/2026 apura suposta infração relacionada à ausência de respostas a requerimentos e pedidos de informação enviados ao Poder Executivo.
O relator, vereador Zé do Bode (União), também deu parecer pelo prosseguimento. Essa comissão já aponta para uma instrução movimentada: deverá analisar individualmente os expedientes que integram a denúncia, fazer diligências documentais e ouvir as oito testemunhas apresentadas pela defesa. Ou seja, o assunto saiu do campo da reclamação política e entrou no terreno formal da produção de provas.
E tem orçamento no meio
A terceira Comissão Processante acrescenta outro ingrediente delicado ao cenário. Sob relatoria do vereador Anderson Moratorio (PRD), a CP nº 03/2026 investiga supostas irregularidades em decretos municipais, registros contábeis e movimentações orçamentárias.
Também aqui a defesa prévia não encerrou o processo. A comissão decidiu avançar e pretende conferir, um a um, decretos, registros contábeis e movimentações orçamentárias. Vai buscar ainda publicações do Diário Oficial Eletrônico do Município referentes ao exercício de 2025.
É justamente nesta etapa que uma acusação genérica precisa encontrar documentos capazes de sustentá-la. Caso contrário, perde força diante das provas.
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O problema agora também é político
É importante fazer uma distinção que, em tempos de torcida política, costuma desaparecer rapidamente. O prosseguimento das Comissões Processantes não confirma as denúncias contra Aurélio Goiano. As próprias decisões são preliminares.
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O prefeito continua tendo direito ao contraditório, à ampla defesa e à apresentação de documentos e testemunhas. Todos os instrumentos previstos no rito seguem garantidos a ele. Mas existe outro julgamento acontecendo em paralelo ao processo jurídico-administrativo: o político. E, nele, o resultado desta primeira etapa não é confortável para o prefeito.
As denúncias contra Aurélio Goiano começaram sendo três. Depois das defesas preliminares, continuam sendo exatamente três. Nenhuma caiu. Esse é o fato politicamente mais relevante.
A partir de agora, cada audiência, cada documento e cada depoimento tende a produzir repercussão dentro e fora da Câmara. Por isso, o governo municipal terá de administrar duas agendas ao mesmo tempo: a administrativa, de quem precisa governar Parauapebas, e a política, de quem precisa acompanhar três processos capazes de gerar consequências graves.
Até 10 de novembro
Existe ainda um componente que pressiona todos os envolvidos: o relógio. Os trabalhos das três Comissões Processantes devem terminar dentro do prazo legal, que se encerra em 10 de novembro de 2026. Até lá, haverá produção de provas, diligências, oitivas e manifestações da defesa.
Portanto, ainda há caminho pela frente. Mas uma coisa mudou. Quando as denúncias foram aceitas pela Câmara, a pergunta era quantas sobreviveriam à análise preliminar depois da defesa do prefeito. Agora a resposta chegou: todas.
Aurélio Goiano ainda não foi julgado, muito menos condenado. Mas também não conseguiu, até aqui, tirar nenhuma pedra do caminho. Em política, carregar uma Comissão Processante já seria motivo de preocupação. Carregar três ao mesmo tempo é outra história.
