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TRANSPARÊNCIA
Raio-X das contas públicas • atualizado

Cada parauapebense pagou R$ 1.252 em impostos em 2026, e a Prefeitura contratou 76% sem pesquisar preço

Nos primeiros nove meses de 2026, cada morador de Parauapebas contribuiu, em média, com R$ 1.252 em impostos e taxas municipais. São R$ 333,5 milhões saídos direto do bolso do contribuinte. A Prefeitura, no mesmo período, pagou R$ 1,45 bilhão, sendo R$ 751,8 milhões para empresas privadas. E 76 de cada 100 reais gastos com o mercado saíram sem disputa entre fornecedores. Uma única entidade, a ASELC/OSS, contratada por dispensa, concentra R$ 104 milhões. Este raio-X mostra o caminho de cada real.

Fonte: Portal da Transparência da Prefeitura de Parauapebas • período: 1º de janeiro a 10 de setembro de 2026 • Análise: Portal Felipe Tommy

Entenda em 1 minuto: o dinheiro do parauapebense em 2026

Quatro números que mostram o que o contribuinte pagou e para onde a Prefeitura mandou.

Você pagou
R$ 1.252
É quanto cada morador de Parauapebas contribuiu, em média, em impostos e taxas municipais nos primeiros nove meses de 2026 (IPTU, ISS, ITBI, taxas, IRRF). R$ 333,5 milhões no total, ou R$ 1,32 milhão por dia.
Para onde foi
R$ 751,8 mi
Do total pago pela Prefeitura em 2026, R$ 751,8 milhões foram para empresas privadas. O restante é folha de servidores (R$ 616,5 mi) e recolhimento de tributos federais (R$ 82,2 mi). São 4.884 fornecedores no ano.
Sem pesquisar preço
76%
De cada R$ 100 que a Prefeitura contratou com o mercado (fora folha), R$ 76 saíram sem disputa entre empresas. Foram R$ 402 milhões por dispensa, carona em ata de outros órgãos ou inexigibilidade. Em casa, seria comprar sem orçamento.
Um único credor
R$ 104 mi
A ASELC/OSS, contratada por dispensa (contrato de gestão) para administrar o Hospital Geral, já recebeu R$ 104 milhões em 2026. Sozinha, responde por 17% de tudo o que a Prefeitura pagou a empresas privadas no ano.

Resumo honesto: o Portal da Transparência mostra R$ 1,566 bilhão arrecadados e R$ 1,45 bilhão pagos até 10 de setembro. Mas o próprio RREO da Prefeitura, referência 30 de junho, registra déficit primário de R$ 26,4 milhões e resultado nominal negativo de R$ 398 milhões. Ou seja, a dívida do Município cresceu R$ 398 milhões no primeiro semestre. Ver a seção do RREO logo abaixo.

Impostômetro de Parauapebas 2026

Quanto o contribuinte local pagou em impostos e taxas de competência municipal (IPTU, ISS, ITBI, IRRF de servidores, taxas). Estão de fora repasses da União, do Estado e da mineração, que não saem do bolso do morador.

Impostos e taxas municipais arrecadados de 1º/jan a 10/set/2026
R$ 0
Cerca de R$ 1,32 milhão por dia saindo do bolso do parauapebense • R$ 1.252 por habitante no período (Censo 2022: 266,4 mil hab.)
Impostos e taxas municipais, mês a mês (R$ milhões)
Setembro contém apenas os 10 primeiros dias (barra listrada). Passe o mouse para o valor exato.
Janeiro: R$ 44,56 mi
Fevereiro: R$ 41,37 mi
Março: R$ 36,38 mi
Abril: R$ 37,44 mi
Maio: R$ 39,43 mi
Junho: R$ 40,74 mi
Julho: R$ 42,38 mi
Agosto: R$ 40,92 mi
Setembro (até dia 10): R$ 10,33 mi
JanFevMarAbrMaiJunJulAgoSet*

Os maiores credores da Prefeitura em 2026

Fora a folha de pagamento e o recolhimento de tributos federais, estes são os fornecedores privados que mais receberam dinheiro público entre janeiro e setembro. Base: 4.884 credores únicos no ano.

Empresas privadas que mais receberam em 2026 (R$ milhões, até 10/set)
DISP = contratada por dispensa de licitação (total ou parcialmente). CG = contrato de gestão.
ASELC/OSS, gestão do Hospital GeralCG
104,0
RESSOL Resíduos Sólidos, coleta de lixodisp
27,9
I. de Oliveira da Silva, recuperação de pavimento
24,8
Empório A&C, estradas vicinaisdisp
24,4
CCV Infraestrutura
17,0
Clínica de Nefrologia de Parauapebas, hemodiálise
14,9
Ricardo A. de Lima Martins, roçagem e limpezadisp
14,3
Equatorial Pará, energia elétrica
12,0
A & L Engenhariadisp
11,2
IPS Conleste, iluminação pública
10,8
ANNEL Transportes, transporte escolardisp
10,4
INFRACON Engenharia
9,7

🚨 Um único credor concentra 17% de tudo pago a empresas

A ASELC/OSS recebe em média R$ 11,5 milhões por mês para gerir o Hospital Geral de Parauapebas. Já são R$ 104 milhões empenhados no ano, tudo por dispensa. O modelo de Organização Social é legal, mas concentrar 17% do dinheiro pago a fornecedores em uma única entidade exige fiscalização rigorosa de metas, prestação de contas e do chamamento público que a escolheu.

Lei 9.637/1998 (contratos de gestão) e Lei 14.133/2021, art. 75, XV. Transparência das metas e resultados é obrigação do contrato de gestão.

O sinal vermelho: 76% dos contratos com o mercado sem disputa

Excluída a folha de pagamento e a categoria genérica “demais despesas”, a Prefeitura pagou R$ 529,5 milhões em contratações de mercado em 2026. Destes, R$ 401,8 mi (76%) saíram por contratação direta: dispensa, inexigibilidade ou “carona” em atas de outros órgãos. Só 24% passaram por pregão, concorrência ou tomada de preço.

Pagamentos por modalidade de contratação (R$ milhões, até 10/set)
Vermelho: contratação sem disputa entre empresas. Azul: com disputa pública.
Dispensa
276,3
Carona (adesão a ata)
72,3
Concorrência
68,6
Pregão
58,1
Inexigibilidade
41,7
Dispensa Art. 24 II
7,8
Dispensa Art. 24 I
3,7
Tomada de preço
1,0
Convite
0,04
Contratação direta (sem disputa)Com disputa pública

🚨 A “emergência” que não acaba nunca

Coleta de lixo (RESSOL), manutenção de estradas vicinais (Empório A&C), roçagem (Ricardo A. de Lima), transporte escolar (ANNEL) e obras de pavimento (I. de Oliveira da Silva) são serviços contínuos e 100% previsíveis. Vêm sendo pagos mês após mês por contratação direta, alguns já no 15º mês de “emergência”. Emergência que se repete por mais de um ano é o que os tribunais de contas chamam de emergência fabricada: falta de planejamento usada para fugir da licitação.

Lei 14.133/2021, art. 75, VIII: dispensa emergencial vale por no máximo 1 ano e é vedada a recontratação pela mesma regra. A emergência decorrente de desídia administrativa pode gerar responsabilização do gestor.

⚠ R$ 72 milhões de “carona” em atas de outros órgãos

Boa parte das obras de recuperação de pavimento, climatização de escolas e serviços técnicos foi contratada por adesão a atas de registro de preços de outras prefeituras ou órgãos, sem licitação própria do município. É legal dentro de limites, mas o volume (R$ 72,3 mi no ano) merece conferência dos tetos do art. 86 da Lei 14.133.

Lei 14.133/2021, art. 86, §§ 2º a 8º: adesão limitada a 50% dos quantitativos da ata por órgão e ao dobro no total.

Onde o dinheiro chegou, por órgão

Total pago pela Prefeitura em 2026, agrupado por órgão (até 10 de setembro).

Total pago por órgão em 2026 (R$ milhões)
Educação = Fundo Municipal de Educação + FUNDEB.
Educação (FME + FUNDEB)
404,5
Saúde (FMS)
365,4
Obras
99,8
Serviços Urbanos
85,4
PROSAP (saneamento)
63,1
Segurança Institucional
61,5
Fazenda
56,7
Gabinete do Prefeito
52,7
Assistência Social (FMAS)
40,9
Produção Rural
19,3
Administração
19,4

A tabela completa, mês a mês

MêsReceita arrecadadaImpostos municipaisPago no mês
JaneiroR$ 225.202.473R$ 44.564.529R$ 156.671.727
FevereiroR$ 195.324.664R$ 41.367.037R$ 205.028.417
MarçoR$ 188.828.613R$ 36.380.529R$ 185.942.414
AbrilR$ 177.469.821R$ 37.435.160R$ 208.854.808
MaioR$ 175.281.972R$ 39.434.845R$ 201.138.174
JunhoR$ 196.502.009R$ 40.740.305R$ 211.435.064
JulhoR$ 186.321.648R$ 42.379.159R$ 173.587.834
AgostoR$ 195.680.334R$ 40.917.152R$ 94.738.945
Setembro (até 10)R$ 25.588.201R$ 10.327.066R$ 13.074.821
TotalR$ 1.566.199.733R$ 333.545.782R$ 1.450.472.204

O RREO oficial: o déficit no documento da própria Prefeitura

Relatório Resumido da Execução Orçamentária, exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (art. 53, III), publicado pela Prefeitura de Parauapebas em referência a 30 de junho de 2026. Análise consolidada com RPPS, acima da linha, como aparece no Anexo 6 do documento oficial.

Resultado primário
− R$ 26,4 mi
Déficit primário no 1º semestre de 2026. Sem contar juros da dívida, a Prefeitura já gastou R$ 26,4 milhões a mais do que arrecadou em receitas correntes. É o número que a LRF usa para dizer se o Município “fecha as contas do dia a dia”.
Resultado nominal
− R$ 398 mi
Considerando juros e encargos da dívida (parcelamentos com União, Receita Federal, INSS, FGTS, precatórios), a dívida líquida da Prefeitura cresceu R$ 398 milhões no 1º semestre de 2026.
Indicadores distintos
Sem subtração
Primário e nominal medem coisas diferentes e são calculados de forma independente. Não é correto tratar um como “a versão sem juros” do outro. O primário mostra o desempenho fiscal corrente; o nominal mostra a variação da dívida no período, que inclui juros, novos empréstimos, refinanciamentos e outros ajustes patrimoniais.
O que isso quer dizer
Rombo real
O caixa do exercício, isoladamente, aparenta equilíbrio. Somada à dívida herdada e ao custo dos parcelamentos, a fotografia oficial é de déficit primário e crescimento acelerado da dívida do Município.

🚨 Como ler os dois números

Resultado primário mede o que a Prefeitura arrecadou de receitas primárias menos o que gastou com despesas primárias. Nele não entram operações de crédito, aplicações financeiras, juros nem encargos da dívida. Se é negativo, o dia a dia não está se pagando. Resultado nominal mede a variação da dívida líquida do Município no período. Nele entram juros nominais, novos empréstimos, refinanciamentos, precatórios e demais ajustes patrimoniais. Se é negativo, a dívida cresceu. São indicadores independentes, calculados por metodologias próprias e não se obtêm um pela subtração do outro. Ambos oficiais, assinados pelo próprio Executivo e remetidos ao Tribunal de Contas dos Municípios.

Lei Complementar 101/2000 (LRF), art. 53, III • RREO 3º bimestre de 2026, Anexo 6 • Portaria STN 04/2018.

Como fizemos esta análise

  • Fontes: Portal da Transparência da Prefeitura Municipal de Parauapebas (para os pagamentos, receitas, credores, órgãos e modalidade de contratação) e Relatório Resumido da Execução Orçamentária da Prefeitura, 3º bimestre de 2026, Anexo 6 (para os resultados primário e nominal). A base do Portal tem 29.075 pagamentos orçamentários registrados no período, 121 rubricas de receita e os órgãos e elementos de gasto do exercício de 2026. Extração em 11/09/2026, com dados oficiais até 10/09/2026.
  • Empenhado x liquidado x pago: empenho é a reserva do dinheiro; liquidação é o reconhecimento de que o serviço foi entregue; pagamento é a saída do caixa. Este raio-X trabalha com pagamentos, que é o dinheiro que efetivamente saiu.
  • O impostômetro soma apenas impostos e taxas de competência municipal (código orçamentário prefixo 001.1). Não inclui CFEM, ICMS, FPM, FUNDEB e demais repasses, que não são pagos pelo morador da cidade.
  • Classificação dos credores: o total pago (R$ 1,450 bi) inclui folha de pagamento (R$ 616,5 mi) e recolhimentos federais como INSS e PASEP (R$ 82,2 mi). O ranking de credores exclui esses lançamentos internos para mostrar quanto foi de fato para empresas privadas (R$ 751,8 mi).
  • População: Censo IBGE 2022 (266.424 habitantes).
  • Os valores de setembro são parciais (primeiros 10 dias). Pequenas divergências com relatórios oficiais consolidados (RREO/RGF) podem ocorrer porque o RREO trabalha com liquidação, não pagamento.
  • A Prefeitura de Parauapebas foi procurada para se manifestar sobre os achados deste raio-X. A nota será publicada na íntegra assim que enviada.