Publicado em 03/08/2026 às 08:40 | Atualizado 03/08/2026 às 08:40 por felipetommyreal
Senador Rand Paul libera 1.141 páginas de anotações e aponta divergências entre o Fauci público e o privado
O diário de Anthony Fauci voltou ao centro do debate público nos Estados Unidos. O senador republicano Rand Paul liberou 1.141 páginas de anotações do ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. Ele preside a Comissão de Segurança Interna do Senado americano. Os documentos chegaram ao público no fim de julho de 2026.
As anotações cobrem o período inicial da emergência sanitária de 2020. De acordo com o material divulgado, elas registram a repercussão pessoal do médico na imprensa. Além disso, trazem passagens sobre a origem do novo coronavírus. Por isso, o caso reabriu a discussão sobre transparência de autoridades sanitárias.
O que Rand Paul aponta nos documentos
Rand Paul sustenta que as anotações contradizem depoimentos públicos do médico. O senador cita duas condutas específicas. A primeira seria mentir ao Congresso, o que configura crime federal. A segunda seria a destruição de registros públicos.
Em uma das passagens citadas, Fauci escreve sobre o mercado de Wuhan. A anotação de 26 de janeiro de 2020 trata o local como amplificador do surto, e não como fonte. Contudo, em abril daquele ano, ele afirmou publicamente que a crise resultou dos mercados de animais vivos. Essa diferença está no centro da cobrança do senador.
Outro ponto envolve reuniões com virologistas no início de 2020. Segundo as anotações, parte dos cientistas suspeitava de manipulação laboratorial. Já em público, a hipótese de origem laboratorial recebia o rótulo de teoria conspiratória.

Críticos silenciados e a Declaração de Great Barrington
O diário de Anthony Fauci também traz registros sobre o tratamento dado a críticos. Em 14 de julho de 2020, ele anota um pedido feito à Casa Branca. Fauci teria pedido ao governo para conter o economista Stephen Moore. Além disso, solicitou que um artigo crítico não saísse.
As anotações citam ainda os autores da Declaração de Great Barrington. O documento de 2020 defendia uma alternativa aos confinamentos gerais. Jay Bhattacharya, Sunetra Gupta e Martin Kulldorff assinaram o texto. Eles atuam em Stanford, Oxford e Harvard, respectivamente.
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O perdão preventivo assinado por Joe Biden
Fauci recebeu um perdão presidencial preventivo de Joe Biden. O ex-presidente assinou o ato nos minutos finais do mandato, em janeiro de 2025. O texto cobre eventuais crimes federais praticados desde 2014. Dessa forma, ele blinda o médico por atos anteriores a 20 de janeiro de 2025.
No novo depoimento ao Congresso, Fauci invocou o direito ao silêncio. Portanto, ele não respondeu às perguntas da comissão. O perdão, no entanto, não alcança declarações prestadas depois daquela data. Ou seja, uma informação falsa dada agora abriria novo processo.
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Repercussão nos Estados Unidos e silêncio no Brasil
Os principais veículos americanos noticiaram a liberação dos documentos. O Washington Post destacou o lado pessoal das anotações. A CNN, por outro lado, tratou o vínculo apontado por Rand Paul como alegação sem evidências. O Wall Street Journal publicou editorial crítico sobre o conteúdo.
No Brasil, a repercussão foi pequena até agora. Comentaristas levaram o tema às redes sociais. O analista Leandro Ruschel publicou um vídeo sobre o caso em 29 de julho. A gravação passou de 127 mil visualizações em poucos dias.
Por que o caso importa
O diário de Anthony Fauci alimenta um debate que ultrapassa a avaliação técnica de 2020. A discussão central envolve o controle da informação em situações de emergência. Além disso, toca no limite entre orientação científica e decisão política.
Até a publicação desta reportagem, Fauci não havia apresentado resposta pública às passagens citadas. Seus representantes também não comentaram as acusações do senador. A comissão presidida por Rand Paul mantém a apuração aberta. Por fim, novas audiências podem ocorrer nos próximos meses.
