Polícia Federal prendeu dupla que sacou R$ 2,5 milhões em Belém; dois políticos paraenses são investigados
A Polícia Federal prendeu em flagrante, na manhã desta quarta-feira, 16 de setembro, duas pessoas que sacaram R$ 2,5 milhões em espécie em uma agência bancária de Belém, no Pará. Segundo as investigações, o dinheiro sairia do banco para financiar de forma irregular a compra de votos nas eleições de 2026.
De acordo com a PF, os valores teriam origem em desvio de recursos públicos. Dois políticos paraenses aparecem como investigados na operação. No entanto, nenhum dos dois está entre os detidos nesta quarta.
Assim, o caso amplia a lista de investigações que atingem a política do Pará no ano eleitoral. Além disso, expõe o tamanho da movimentação financeira envolvida em campanhas irregulares no estado.
Como foi a operação da PF em Belém
A ação ocorreu logo após o saque no caixa da agência. Os agentes federais acompanhavam a movimentação e abordaram a dupla ainda com o dinheiro em mãos. Portanto, houve prisão em flagrante no local.
Durante a diligência, os policiais também apreenderam uma arma de fogo e materiais diversos. Esses itens agora passam por perícia técnica. Além disso, a Controladoria-Geral da União apoiou as investigações, sobretudo na análise e rastreabilidade dos recursos públicos supostamente desviados.
Os presos foram colocados à disposição da Justiça Eleitoral do Pará. Assim, eles poderão responder, conforme a participação de cada um, por lavagem de dinheiro, peculato, associação criminosa, corrupção eleitoral, porte ilegal de arma de fogo e resistência.
Dois políticos do Pará são alvos
Segundo a apuração, os R$ 2,5 milhões apreendidos pela PF em Belém tinham destino certo. O dinheiro iria bancar campanhas irregulares de dois políticos paraenses. Um deles é candidato a deputado estadual e atualmente ocupa cadeira de vereador. O outro, que concorre à Câmara dos Deputados, hoje é deputado estadual.
Contudo, os dois não constam na lista de presos da operação. A investigação segue em curso e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias, sobretudo à medida que a Justiça Eleitoral do Pará analisa o material apreendido.
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O que diz o Código Eleitoral
A compra de votos é crime previsto no artigo 41-A da Lei das Eleições. Além disso, o Código Penal enquadra a lavagem de dinheiro na Lei 9.613/1998, com pena de três a dez anos de reclusão. Já a corrupção eleitoral pode gerar cassação do registro ou do diploma do candidato.
Consequentemente, os políticos investigados podem perder o direito de disputar as eleições de 2026. A decisão, contudo, cabe à Justiça Eleitoral, com base nas provas reunidas pela Polícia Federal e pela CGU.
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Rota do dinheiro público desviado
De acordo com a PF, o dinheiro apreendido em Belém teria saído dos cofres públicos. A rastreabilidade dos recursos, feita pela Controladoria-Geral da União, indica que os valores passaram por contas usadas para maquiar a origem. Ou seja, o esquema teria montado uma rota para tirar o dinheiro do orçamento e transformá-lo em pilha de cédulas para pagar eleitor.
Além disso, o volume apreendido chama atenção. Esse valor equivale a quase cinco vezes o teto de gastos de uma campanha para deputado estadual no Pará. Portanto, a apreensão pode indicar apenas uma parte de uma operação maior.
O que ainda pode acontecer
A investigação segue sob sigilo. No entanto, novas fases da operação não estão descartadas. A PF trabalha para identificar todos os envolvidos e mapear a origem completa do dinheiro público desviado. A CGU, por sua vez, deve aprofundar a análise contábil das contas movimentadas.
A cerca de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026, o caso pressiona a Justiça Eleitoral do Pará. Assim, o cronograma judicial precisa correr para que o eleitor saiba, antes do voto, se os investigados poderão ou não continuar na disputa.
