cassação Aurélio Goiano Parauapebas

Câmara aprova três denúncias: Os 6 Vereadores que separam Aurélio Goiano da cassação em Parauapebas

Política Regional
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Publicado em 05/08/2026 às 13:02 | Atualizado 05/08/2026 às 13:02 por felipetommyreal


Por 10 votos a 6, os três processos já estão instaurados e as comissões instaladas; um único voto decide o mandato

A Câmara Municipal de Parauapebas abriu a cassação de Aurélio Goiano em Parauapebas na terça-feira, 4 de agosto de 2026. Em votação nominal, o plenário aceitou três denúncias contra o prefeito Aurélio Ramos de Oliveira Neto. Assim, a Casa instaurou três processos político-administrativos de uma só vez.

O placar se repetiu nas três matérias: 10 votos a favor e 6 contrários. Portanto, a atenção política da cidade se volta agora para o grupo minoritário. O rito regimental exige maioria qualificada ao fim da comissão processante.

Um voto separa o prefeito da perda do mandato

Na prática, os seis vereadores que votaram com o prefeito formam a última barreira de proteção. Se apenas um deles mudar de lado, o gestor perde o cargo. Ou seja, a margem é mínima.

A cidade ostenta um dos maiores PIBs do país graças à extração mineral. Por isso, cada movimento no plenário repercute muito além da Câmara. Além disso, o desgaste do prefeito nas ruas aumenta a pressão sobre esses parlamentares.

Os seis parlamentares no centro do furacão político

Dez vereadores formaram o bloco favorável às denúncias. São eles: Alex Ohana (PDT), Elias da Construforte (PV), Erica Ribeiro (PSDB), Francisco Eloecio (PSDB) e Fred Sanção (PL). A lista segue com Laecio da ACT (PDT), Maquivalda (PDT), Sargento Nogueira (AVANTE), Tito do MST (PT) e Zé do Bode (UB).

O presidente do Legislativo, Anderson Moratório (PRD), não votou por razão regimental. Ele só vota em caso de empate. Dessa forma, a base de sustentação do prefeito ficou restrita a seis nomes.

  • Graciele Brito (União Brasil)
  • Leandro do Chiquito (Solidariedade)
  • Léo Márcio (Solidariedade)
  • Michel Carteiro (PV)
  • Sadisvam (PRD)
  • Zé da Lata (AVANTE)

Esses seis vereadores entram agora sob forte pressão popular e política. Com o avanço das comissões processantes, o grupo vira o fiel da balança. Inclusive, cada depoimento colhido pode mexer no placar final.

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O peso das três denúncias aceitas pela Câmara

As três acusações cobrem um espectro amplo de supostas irregularidades. A primeira delas trata de conduta incompatível com a dignidade do cargo. Vanessa Silva das Neves Baia, a Mãe Vanessa de Oxum, assina a Denúncia nº 001/2026.

Ela representa o Instituto e Templo de Umbanda Águas de Oxum e a FEUCABEP. O texto aponta uso de estruturas da administração pública para proselitismo religioso. De acordo com a peça, a conduta se enquadra no Art. 4º, X, do Decreto-Lei nº 201/1967.

A Denúncia nº 002/2026 vem da eleitora Francielly Marins dos Santos. O documento sustenta que a gestão ignorou pedidos de informação da Câmara. Os dados saem do Sistema de Acompanhamento do Processo Legislativo, o SAPL.

Segundo o levantamento, 267 requerimentos não receberam qualquer resposta. Desses, 104 são de 2025 e 163 de 2026. Além disso, 131 chegaram fora do prazo de 15 dias úteis e outros 398 apresentaram irregularidades no atendimento.

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Decretos sem publicação e R$ 1,2 bilhão em movimentação

A terceira representação é considerada a mais robusta do conjunto. O microempreendedor Pablo Rafael Alves Pereira assina a Denúncia nº 003/2026. O texto aponta graves irregularidades orçamentárias no exercício de 2025.

O Executivo alterou substancialmente o orçamento de pastas cruciais. A Saúde saltou de R$ 432,1 milhões para R$ 581,4 milhões. Serviços Urbanos subiu de R$ 90 milhões para R$ 120,9 milhões.

Essas mudanças vieram por decretos de créditos suplementares. No entanto, o denunciante afirma que os atos não saíram no Diário Oficial Eletrônico. Por isso, ele sustenta que cerca de R$ 1,2 bilhão transitou à margem da transparência pública.

A peça cita ausências e saltos na sequência numérica dos atos. Os Decretos nº 633/2025, 2.053/2025 e 4.244/2025 aparecem como exemplo. As infrações se enquadram no Art. 4º, incisos IV, VI e VII, do Decreto-Lei nº 201/1967.

Comissões instaladas e silêncio do prefeito

As três comissões processantes já foram instaladas pela Câmara. Elas agora definem prazos, colhem provas e ouvem testemunhas. Em seguida, cada colegiado apresenta seu parecer ao plenário.

Até o fechamento desta reportagem, o prefeito não se pronunciou sobre os processos. Ele também não acionou o Poder Judiciário para tentar suspender a tramitação. Ou seja, nenhum pedido de liminar consta contra as decisões da Casa.

Rejeição de 87,5% acelera o isolamento do prefeito

O isolamento na Câmara acompanha a queda de popularidade nas ruas. Em 2024, Aurélio Goiano venceu com 58,52% dos votos válidos, o equivalente a 92.073 eleitores. Ele fez campanha com discurso de renovação e repúdio à gestão de Darci Lermen.

Em menos de dois anos, porém, a aprovação derreteu. Pesquisa do Instituto Data Populi ouviu 780 eleitores entre 18 e 20 de junho de 2026. O trabalho está registrado no TSE sob o número PA-02789/2026.

Os números desenham um cenário crítico para o gestor. Ao todo, 75,6% dos entrevistados desaprovam a administração. Apenas 1% considera a gestão ótima, enquanto as avaliações regular, ruim e péssimo somam 87,5%.

Com esse quadro, a sustentação política virou um fardo pesado. A cassação de Aurélio Goiano em Parauapebas passou a depender de seis votos. Por fim, uma eventual perda do mandato interromperia precocemente o ciclo do prefeito em uma das cidades mais ricas do Pará.

O Portal Felipe Tommy acompanha cada etapa das comissões processantes. Atualmente, a defesa ainda pode apresentar alegações em cada um dos três processos. Assim que houver manifestação oficial, esta reportagem será atualizada.

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