CPI Vale interferência governo

CPI no radar: governo e Vale negam interferência estatal na mineradora

Mineração Política
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Publicado em 20/07/2026 às 10:13 | Atualizado 20/07/2026 às 10:13 por felipetommyreal


Congresso suspeita de operação política para ocupar o conselho da Vale; Lula e empresa rejeitam acusações e dizem que relação está pacificada.

Governo e Vale negam a interferência estatal na mineradora, mas o Congresso não recua. Fontes ligadas ao governo Lula e à empresa rejeitaram neste domingo (19) a ideia de que há uma operação política em curso para assumir o controle da Vale. A reação surge um dia após relatos de que a cúpula parlamentar avalia abrir uma CPI para investigar o caso.

De acordo com essas fontes, o movimento em curso é exatamente o oposto do que o Congresso descreve. O governo teria se afastado da companhia, não se aproximado. Portanto, a narrativa entre os dois lados é radicalmente diferente sobre o que está acontecendo nos bastidores da maior mineradora do Brasil.

A Previ e a reorientação técnica dos investimentos

O fundo de pensão do Banco do Brasil, a Previ, está no centro do debate. A ala técnica do fundo assumiu o comando neste ano, sob a presidência de Marcio Chiumento. Segundo as fontes, a gestão passou a orientar os investimentos por critérios técnicos, e não políticos.

Isso inclui a participação de 6,8% que a Previ tem na Vale. O motivo da mudança seria o desempenho ruim da gestão anterior. O Plano 1 do fundo fechou 2024 com déficit de R$ 17,6 bilhões. Além disso, o sindicalista João Fukunaga deixou a presidência da Previ em outubro de 2025, e lideranças ligadas à ala política do fundo, como João Vaccari, perderam espaço.

A saída de Stieler e a disputa pelo conselho

Daniel Stieler renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração da Vale em 6 de julho. A saída veio após um acordo milionário. O Congresso interpreta o episódio como o primeiro passo para que o governo retome o controle da empresa.

Contudo, as fontes ligadas à Vale contestam essa leitura. A Previ apoia o nome de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie, para presidir o conselho na eleição marcada para quarta-feira (22). Ollie nasceu em Portugal, vive em Londres e é conselheiro independente da Vale desde 2021. Por isso, as fontes argumentam que apoiar um executivo internacional contradiz a tese de interferência política do governo.

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A leitura do Congresso e o papel de Alexandre Silveira

No Congresso, a interpretação é outra. Parlamentares acreditam que Ollie, uma vez eleito presidente do conselho, assumiria também o comando do conselho da VBM, a Vale Base Metals, sediada em Londres. Em seguida, renunciaria ao cargo na Vale, abrindo espaço para José Maurício Pereira Coelho, nome ligado ao ministro Alexandre Silveira.

Coelho disputa uma cadeira no conselho nesta quarta-feira com apoio da Previ. Ele concorre contra Ieda Gomes Yell, indicada pela administração da companhia. Sobretudo, o ministro Alexandre Silveira nega qualquer ingerência na Vale, segundo informou à CNN.

A Bamin e o ponto de fricção entre Vale e governo

Outro elemento da disputa é a tentativa de aproximação entre a Vale e a Bahia Mineração, a Bamin. O ministro Silveira teria defendido a aquisição. Contudo, a diretoria atual da Vale rejeitou o negócio. Em fato relevante divulgado em 24 de junho, a empresa informou ao mercado que avaliou a oportunidade, mas não aprovou nenhum aporte.

As fontes ligadas ao governo afirmam que a sugestão de aproximação com os irmãos Batista, donos da Bamin, não partiu de Silveira, mas do próprio Daniel Stieler. Por conseguinte, teria sido esse movimento que levou a Previ a pedir o afastamento de Stieler.

A relação atual entre Vale e governo Lula

As fontes afirmam que a relação institucional entre a Vale e o governo está pacificada. O ponto de virada teria sido a chegada de Gustavo Pimenta ao comando da empresa e do jornalista Kennedy Alencar à diretoria de Relações Institucionais. A demonstração pública disso teria ocorrido em um evento no Pará no início de 2026, com a presença do presidente Lula.

Por fim, a CPI Vale interferência governo segue como uma ameaça real vinda do Congresso. A eleição do novo presidente do conselho nesta quarta-feira deve definir se o episódio se transforma em crise institucional ou se a tensão entre os Poderes se dissipa. A CNN procurou a Previ e a Vale e aguarda posicionamento oficial das duas instituições.

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