Foto com gesto de facção rival motivou sequestro e execução da adolescente; três suspeitos estão presos
A Polícia Civil informou que a morte de Valentina Irene Alves Pereira, de 15 anos, começou com uma fotografia. Na imagem, a adolescente fazia gestos associados a uma facção criminosa rival, e essa fotografia teria motivado o crime. De acordo com a corporação, a investigação revela uma trama de violência entre organizações criminosas de Marabá.
O caso foi detalhado nesta quinta-feira (3), em coletiva na sede da Polícia Civil. Na quarta (2), três pessoas apontadas como participantes do crime foram presas: Adriele Vitória Silva dos Santos, Leonarda Sousa Silva, conhecida como Léo, e Jonas Mikael da Silva Rocha, o Black, companheiro de Adriele. Duas prisões saíram por mandado judicial, e Jonas foi detido em flagrante.
Desaparecimento e busca pelo corpo
O desaparecimento de Valentina foi registrado em 25 de agosto, por uma equipe da Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca). A partir daí, a Delegacia de Homicídios assumiu as diligências para localizar a adolescente. Oito dias depois, a operação policial encontrou o corpo.
Valentina estava enterrada em uma área de mata atrás do Residencial Tiradentes. A perícia identificou diversas perfurações causadas por arma branca. Além disso, os peritos localizaram projéteis de arma de fogo, que ainda serão submetidos a exame complementar.
A morte de Valentina, em Marabá, teve início com a privação de liberdade da adolescente. Segundo o delegado Antônio Mororó, superintendente regional de Polícia Civil, ela ficou presa por quase um dia inteiro. “A vítima foi privada de sua liberdade no dia 25, permaneceu por horas amarrada, para no dia seguinte, depois de aproximadamente 15 horas desse sequestro, ter sua vida suprimida”, afirmou o delegado.
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Como a facção decidiu o destino da adolescente
Conforme a investigação, a adolescente estava no núcleo Cidade Nova quando foi levada até a área de mata, próxima a Morada Nova. Ela teria acompanhado integrantes da facção por vontade própria. Ao chegar ao local, porém, descobriu que seria submetida ao chamado tribunal do crime.
O tribunal do crime é o método usado por facções para julgar e executar pessoas consideradas rivais ou que descumprem regras da organização. De acordo com o delegado Leandro Benício, da Delegacia de Homicídios, houve diversas sabatinas entre integrantes do grupo antes da decisão final. Dessa forma, as sabatinas resultaram no sequestro, na tortura e na morte da jovem.
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Durante o período em que ficou sob domínio da facção, Valentina foi submetida a mais de uma dezena de golpes de faca. A polícia também encontrou indícios de disparo de arma de fogo dentro da boca da vítima. Por isso, os projéteis serão encaminhados para perícia complementar.
Suspeita indicou o local da cova
Ainda na noite em que o caso chegou à Delegacia de Homicídios, já havia indícios de que Valentina estivesse morta. Na quarta-feira, equipes cumpriram mandado de busca e apreensão no Residencial Tiradentes, endereço de Adriele e Jonas. Leonarda já era alvo de mandado de prisão temporária.
Ao ser abordado, Jonas confessou que a adolescente havia passado pelo tribunal do crime. Ele negou participação direta, mas admitiu ter levado água e mantimentos para quem participou da execução. Na mata, ele indicou uma árvore onde o grupo se reuniu, mas negou saber onde estava o corpo.
Jonas afirmou, no entanto, que Adriele participou do crime. Segundo ele, as regras da facção determinam que mulheres executem outras mulheres. Adriele confirmou a participação e apontou a área de mata onde o crime teria ocorrido.
No local, os peritos encontraram manchas de sangue em folhas de árvore e uma faca sem cabo. Adriele negou ter ocultado o corpo e, em seguida, pediu para se sentar no chão. Um perito, porém, notou sinais de terra solta justamente onde ela estava sentada.
A equipe cavou o ponto indicado e encontrou o corpo. Para os investigadores, Adriele insistiu em permanecer sentada ali para dificultar a descoberta da cova, já que havia diversas equipes circulando pela área.
Crime foi registrado em vídeo, aponta investigação
As diligências começaram por volta das 13h, e o corpo foi localizado próximo das 17h. Durante a operação, a polícia também apreendeu drogas e uma arma de fogo em uma das residências. Segundo Mororó, uma das portas demorou a ser aberta, e Jonas chegou a fugir pulando o muro.
Com apoio de moradores vizinhos, as equipes acessaram outros imóveis e prenderam o suspeito. Ele chegou a arremessar um celular durante a fuga, mas o aparelho foi recuperado. Nos celulares apreendidos, a polícia encontrou fotografias e vídeos da adolescente morta e da execução.
De acordo com o delegado Leandro Benício, o crime foi gravado para comprovar a outras lideranças que a ordem havia sido cumprida. Essas lideranças acompanhariam a situação de forma virtual. Assim, o material reforça tanto a autoria quanto a participação dos presos.
Para a delegada Simone Felinto, diretora da 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil, o resultado representa uma atuação conjunta das forças de segurança de Marabá. Ela destacou a integração entre as unidades policiais e a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core). Segundo ela, a corporação vai manter a atuação diante de crimes que causam forte impacto na população.
Ao final da operação, a Polícia Civil esclareceu parte da dinâmica do crime e conseguiu entregar o corpo à família, para o velório e o sepultamento. Por fim, as investigações sobre a morte de Valentina, em Marabá, continuam para esclarecer a participação de cada envolvido.
