Governador eleito diz que vai buscar na Justiça o fim da concessão para liberar investimentos na Cosanpa
O governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), afirmou que a rescisão do contrato com a Águas do Pará será o primeiro ato do seu governo. A declaração foi dada em entrevista coletiva na noite deste domingo (4), logo após a vitória no primeiro turno.
De acordo com ele, a medida tem um objetivo claro: liberar investimentos na Companhia de Saneamento do Pará, a Cosanpa. Assim, o novo governo pretende retomar o controle estatal do saneamento no estado.

O que ele disse sobre a Águas do Pará
Na coletiva, Dr. Daniel usou palavras duras para avaliar a concessionária. “O caminho agora é juridicamente buscar a rescisão desse contrato, porque claramente a Águas do Pará não entregou o que era para entregar para nossa população”, afirmou.
A proposta não é nova. Durante a campanha, ele já havia dito que a rescisão do contrato com a Águas do Pará seria sua primeira canetada. Além disso, prometeu devolver à Cosanpa a capacidade de investir em rede de água e esgoto.
Saúde no interior e fim dos pedágios
No mesmo discurso, o governador eleito listou outras prioridades. Primeiramente, citou o fim dos pedágios e a construção de estradas de qualidade. Em seguida, falou em levar serviços de saúde para perto de quem mora longe da capital.
“Podemos pegar os pequenos hospitais do interior onde as prefeituras não têm recurso para custearem, para equipá-los, colocar UTI e fazer cirurgias de média complexidade. Com isso, a gente vai resolver 70 ou 80% dos problemas de saúde nos próprios municípios”, explicou. Na campanha, inclusive, ele prometeu iniciar 30 hospitais e 30 policlínicas nos primeiros 100 dias.
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Pauta ambiental e produtor rural
O tema ambiental também entrou na fala. Para Dr. Daniel, a agenda precisa ser tratada com responsabilidade, sem travar quem produz. “Não podemos penalizar quem produz nesse estado. Hoje o nosso produtor rural é muito penalizado”, disse.
Dessa forma, segundo ele, o governo estadual deve atuar junto de quem busca regularização. A promessa interessa diretamente ao sudeste do Pará, já que pecuária, mineração e agricultura puxam a economia regional.
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Como foi a disputa
O resultado veio ainda no primeiro turno. Com 100% das urnas totalizadas, Dr. Daniel somou 2.345.721 votos, ou 51,36% dos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
A apuração começou às 17h de domingo (4). Desde os primeiros boletins, ele apareceu à frente dos demais candidatos, e a vantagem não mudou ao longo da noite. Durante a campanha, aliás, o discurso girou em torno de três eixos: reorganização da saúde pública, investimento em mobilidade e revisão de contratos estaduais.
A então governadora Hana Ghassan (MDB), que tentava a reeleição, ficou com 2.125.084 votos, isto é, 46,53%. A diferença passou de 220 mil votos. No entanto, o dado mais simbólico é outro: o vencedor derrotou o próprio grupo político de origem, o MDB.
Quem é Dr. Daniel Santos
Daniel Barbosa Santos nasceu em 25 de agosto de 1986, em Açailândia, no Maranhão. Ainda criança, mudou-se com a família para Dom Eliseu, no Pará, onde viveu até os 13 anos. Formado em Medicina, atualmente mora em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Ele é casado com a médica e deputada federal Alessandra Haber e pai de Julia e Davi.
A trajetória política começou em 2012, quando foi eleito vereador de Ananindeua com 4.445 votos. Depois, foi reeleito em 2016, com 12.675 votos. Já em 2018, elegeu-se deputado estadual com 113.588 votos e chegou à presidência da Assembleia Legislativa do Pará. Por fim, venceu a Prefeitura de Ananindeua em 2020, com 152.352 votos, e foi reeleito em 2024, com 229.930 votos.
A posse está marcada para 1º de janeiro de 2027. Até lá, portanto, o governador eleito ainda precisa montar a equipe de transição e detalhar como pretende executar a rescisão do contrato com a Águas do Pará sem travar o serviço de água nas cidades atendidas.
A Águas do Pará não se manifestou sobre a declaração até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamento da concessionária e da futura equipe de governo.
