Operação Termidor cumpre 9 mandados de prisão e 26 de busca em cidades do Pará e em Indaiatuba (SP); Justiça suspende 11 empresas
A Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Termidor contra uma organização criminosa que atua no setor de produção de dendê no Pará. A ação é a resposta do Estado à chamada guerra do dendê, disputa territorial armada que atinge o nordeste paraense há anos.
De acordo com a investigação, o grupo é apurado por furto, receptação, venda ilegal do fruto, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Assim, a operação mira toda a cadeia, do plantio invadido até as empresas que injetavam o dinheiro sujo no mercado.
Ao todo, os agentes cumprem nove mandados de prisão preventiva e vinte e seis de busca e apreensão. Portanto, a força-tarefa atua simultaneamente em cinco municípios: Belém, Ananindeua, Castanhal, Tomé-Açu e Indaiatuba, no interior de São Paulo.
Justiça bloqueia R$ 153 milhões e suspende 11 empresas
As ordens judiciais saíram da 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará. Além dos mandados, o juízo determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 153 milhões em bens e valores dos investigados. Dessa forma, o dinheiro fica indisponível enquanto o processo corre.
A Justiça também determinou a suspensão imediata e por tempo indeterminado das atividades econômicas de onze empresas sob suspeita. Assim, as empresas param de operar até que a investigação conclua o exame da contabilidade e da origem do faturamento.
Segundo a Polícia Federal, o esquema nasce da disputa territorial conhecida como guerra do dendê. Contudo, o problema ultrapassa a cerca das fazendas: envolve furto do fruto no pé, receptação em galpões e revenda para empresas que fingem comprar de produtores legais.
Cinco municípios no epicentro do conflito
A região do conflito reúne Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia. Por isso, os cinco municípios concentram a maior área de cultivo intensivo do fruto no país. Além disso, a área virou alvo de uma estrutura com armamento e mão de obra armada.
De acordo com a PF, a organização criminosa usava violência para garantir o controle da atividade. Sobretudo, o grupo contava com o apoio de servidores públicos e possíveis membros de outras organizações criminosas. Portanto, a investigação avança para dentro do serviço público.
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R$ 1 bilhão em movimentação suspeita entre 2023 e 2026
O foco da Operação Termidor são grupos empresariais suspeitos de movimentar pelo menos R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026. Segundo a polícia, os investigados misturavam receitas lícitas e ilícitas para mascarar o fluxo financeiro na cadeia produtiva do dendê.
A Receita Federal, por sua vez, identificou graves irregularidades fiscais e indícios de lavagem de capitais. Além disso, o órgão detectou manutenção de patrimônio em nome de terceiros, prática comum em esquemas de ocultação.
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Material apreendido vai para perícia
Todo o material apreendido nesta quinta-feira passará por perícia técnica. Assim, documentos e dispositivos eletrônicos serão cruzados com dados fiscais e bancários dos suspeitos. Dessa forma, os investigadores esperam detalhar a participação de cada integrante.
Além disso, o cruzamento pode identificar novos envolvidos no esquema. Por isso, a Polícia Federal não descarta novas fases da operação nos próximos meses. A guerra do dendê, portanto, entra em um capítulo novo: o das contas.
