Documentos revelam cobranças de pagamentos do filme Dark Horse e contrato de R$ 131 milhões da esposa de Moraes com o banco
A Polícia Federal aponta que o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL, aparece como “interlocutor direto” do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em tratativas ligadas ao financiamento do filme Dark Horse. A informação consta em representação enviada pela corporação ao ministro André Mendonça, do STF, dentro do inquérito que investiga os crimes relacionados ao caso do Banco Master. Os documentos tiveram o sigilo retirado na noite de quinta-feira, dia 10.
De acordo com a representação, há indícios de que Flávio Bolsonaro participou da viabilização e das cobranças de aportes do longa, que conta a história política e pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram, além disso, o agendamento de reunião entre o parlamentar e o ex-banqueiro em dezembro de 2024 para tratar do “filme do presidente”. Posteriormente, o deputado Mário Frias também foi incluído no encontro, por ser o idealizador do projeto.
Cobranças por áudio e reuniões presenciais
Em setembro de 2025, o senador enviou áudio a Vorcaro cobrando pagamentos do filme. Para os investigadores, o político demonstrava preocupação com o risco de inadimplemento perante o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. No dia 22 de outubro, contudo, Flávio Bolsonaro voltou a cobrar e afirmou que a produção estava “no limite”. Em seguida, convidou Vorcaro para jantar com o ator e o diretor em São Paulo.
No dia 7 de novembro, o senador chegou a enviar vídeo ao ex-banqueiro afirmando que aquilo somente estaria acontecendo em razão da ajuda dele. Além disso, em 16 de novembro, às vésperas da fase ostensiva da Operação Compliance Zero, Flávio Bolsonaro tentou contato telefônico com Vorcaro. Por fim, encaminhou mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”. No dia seguinte, o ex-banqueiro foi preso ao tentar embarcar em jato particular com destino a Dubai.
Contrato da esposa de Moraes previa atuação em inquéritos
O escândalo também envolve o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master. Segundo o documento, a advogada ficaria responsável por prestar “consultoria estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis”. Portanto, o texto também previa atuação perante o Banco Central, a Receita Federal e o Cade.
O contrato previa pagamento de R$ 131 milhões, divididos em 36 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões cada. Com a liquidação do Master pelo Banco Central em novembro do ano passado, os pagamentos foram interrompidos. Além disso, a CNN mostrou que o próprio Moraes chegou a editar o contrato antes da assinatura. Em nota divulgada em março, o escritório afirmou ter prestado “ampla consultoria e atuação jurídica” e produzido 36 pareceres jurídicos.
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Toffoli e o fundo Arleen
Reportagem da revista Piauí, publicada na quinta-feira, revelou que um relatório da PF cita o ministro Dias Toffoli como possível “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do Fundo de Investimento em Participações Arleen. O fundo teria recebido ao menos R$ 35 milhões do ex-banqueiro Vorcaro. Por meio da empresa Egide I, os recursos foram transferidos para uma estrutura registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe.
Os investigadores apontam ainda que, em agosto de 2024, Vorcaro demonstrou preocupação com o atraso de transferências ao Arleen. Na ocasião, o ex-banqueiro teria enviado mensagem diretamente a Toffoli para justificar o atraso. Em novembro de 2025, após decisão relacionada ao caso da usina Alcídia, Vorcaro passou a discutir sua saída do fundo, que foi transferido para o empresário Alberto Leite, amigo do ministro.
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Racha no Supremo e cobrança de Moraes
A quebra parcial do sigilo determinada por Edson Fachin, presidente do STF, gerou críticas internas na Corte. Ministros pressionam pela divulgação integral, já que detalhes sobre Toffoli no caso do Tayayá Resort e do financiamento do Dark Horse seguem sob sigilo. Nos bastidores, uma ala da Corte avalia pedir que o pedido de investigação contra Mendonça seja analisado na mesma sessão do pedido contra Moraes, prevista para terça-feira, dia 15.
Alexandre de Moraes, por sua vez, acusou André Mendonça de “seletividade” e pediu a Fachin que todo o sigilo do caso Master seja disponibilizado. Além disso, o próprio ministro avalia participar da votação em plenário. Consequentemente, Fachin ainda fará uma rodada de reuniões com os colegas antes de definir o rito da sessão.
