Colunista faz análise filosófica da gestão do prefeito Aurélio à luz do Trilema de Münchausen.
O Governo Aurélio é um desafio. Um desafio administrativo, um desafio logístico, um desafio cognitivo.
Um homem, sabidamente sem preparo (não estou julgando; são fatos), sem estudo, sem experiência de gestão ou administrativa, por motivos que não vêm ao caso para esse texto, é alçado ao mais alto posto do executivo municipal de uma cidade estratégica para a região, para o Estado e para o país, aí nós percebemos o problema que isso tem o potencial de se transformar. Suas escolhas, para lá de questionáveis, são o reflexo pálido do seu universo mental: estreito e raso.
Quando essa falta de preparo se junta a uma inteligência emocional de baixo índice, temos a receita do desastre. Mas eu acho que já tem bastante gente falando disso; quero fazer uma análise diferente dessa vez; uma análise filosófica do alcaide e seu governo.
O barão de Münchausen e o ciclo de justificativas
Tal qual o barão de Münchausen, que alegou ter se salvado de um pântano puxando a si mesmo pelos cabelos (o que é impossível, aliás), Aurélio constantemente se vê diante de impasses em que ele mesmo se colocou, e dos quais nenhuma das alternativas são aceitáveis ou agradáveis como resposta.
Ou coloca-se em uma situação de regressão infinita, em que suas justificativas sempre acabam levando a mais “por quês”, exigindo mais justificativas, impondo um ciclo vicioso, autofágico e infinito, sem jamais assumir quaisquer responsabilidades e sem explicar, por exemplo, como antes de se eleger ele sabia de tudo e agora tudo é novidade.
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Escolhas arbitrárias e o apelo à autoridade
Ou se coloca em uma situação de “escolhas arbitrárias”, ou o “axioma da escolha”, em que ele diz que a resposta a uma determinada questão é uma, ao tempo que não fornece nenhuma evidência de que seja isso mesmo. E aí reside o problema: o axioma da escolha é intuitivo; é como fé. Eu acredito, mas não provo. E assim, Aurélio segue culpando terceiros e sem apresentar nenhuma evidência de que esteja fazendo qualquer coisa pelo município ou seus habitantes.
Ou se utiliza da petição de princípio ou argumento de autoridade (“argumentum ad verecundiam” ou “argumentum magister dixit”), que são expressões em latim que significam apelo à autoridade ou argumento de autoridade. É quando se utiliza de uma falácia lógica que apela para a palavra ou reputação de alguma autoridade a fim de validar o argumento. Este raciocínio é absurdo quando a conclusão se baseia exclusivamente na credibilidade do autor da proposição e não nas razões que ele apresentou para sustentá-la.
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O Trilema de Münchausen aplicado a Aurélio
E não é exatamente o que Aurélio mais faz em seus discursos? Tudo o que ele diz pode ser avalizado somente por ele mesmo. Precisamos crer que ele diga a verdade para que se aceite como verdade.
Aos que se interessam pela matéria, esses pilares formam o “Trilema de Münchausen”. Para quem achava que o Aurélio não podia fornecer nada interessante, eis aí!

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