cassação de Aurélio Goiano

Câmara aceita denúncia e abre cassação de Aurélio Goiano

Política Regional
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Publicado em 04/08/2026 às 12:34 | Atualizado 04/08/2026 às 12:34 por felipetommyreal


Por 10 votos a 6, o Legislativo instaurou o processo contra o prefeito e vai sortear a Comissão Processante

A Câmara Municipal de Parauapebas aprovou o recebimento da denúncia contra o prefeito Aurélio Ramos de Oliveira Neto, o Aurélio Goiano. O placar foi de 10 votos a favor e 6 contrários. Dessa forma, o Legislativo instaurou o processo de cassação de Aurélio Goiano.

A denúncia trata de infração político-administrativa. O documento aponta conduta incompatível com a dignidade e o decoro do cargo. A tipificação está no Art. 4º, X, do Decreto-Lei nº 201/1967. Além disso, a peça cita o uso de estruturas da administração pública para proselitismo religioso.

Vanessa Silva das Neves Baia formulou a denúncia. Ela é conhecida como Mãe Vanessa de Oxum e dirige o Instituto e Templo de Umbanda Águas de Oxum. Atualmente, também representa a Federação Espírita Umbandista dos Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Pará (FEUCABEP) na região.

Painel da Câmara de Parauapebas que demonstra a votação para admissibilidade de cassação do prefeito Aurélio Goiano.

Votação nominal e pedido de vista indeferido

A apreciação da matéria em Plenário reuniu articulações intensas entre as bancadas. A vereadora Maquivalda Barros (PDT) requereu formalmente a votação nominal. Assim, cada parlamentar precisou registrar abertamente a própria posição.

Em seguida, o vereador Léo Márcio pediu vista do processo. Contudo, o presidente da Casa, vereador Anderson Moratorio, indeferiu o pedido. Logo depois, ele determinou o prosseguimento imediato da deliberação plenária.

Submetida ao voto nominal dos parlamentares presentes, a denúncia alcançou a maioria necessária. Por isso, a Casa Legislativa formalizou o acolhimento da matéria.

Como votou cada vereador

Confira o placar detalhado da votação no Plenário da Câmara Municipal de Parauapebas. Primeiramente, veja os 10 votos favoráveis ao recebimento da denúncia:

  • Sargento Nogueira (Avante)
  • Alex Ohana (PDT)
  • Maquivalda Barros (PDT)
  • Elias da Construforte (PV)
  • Fred Sanção (PL)
  • Laécio da ACT (PDT)
  • Tito do MST (PT)
  • Zé do Bode (União Brasil)
  • Francisco Eloécio (PSDB)
  • Érica Ribeiro (PSDB)

Por outro lado, seis vereadores votaram contra o recebimento da denúncia:

  • Sadisvan Pereira (PRD)
  • Léo Márcio (Solidariedade)
  • Zé da Lata (Avante)
  • Leandro do Chiquito (Solidariedade)
  • Graciele Brito
  • Michel Carteiro

Entre os votos contrários está o do vereador Zé da Lata (Avante). Ele é pai do prefeito Aurélio Goiano.

Leia também abaixo.

As acusações que fundamentam o processo

O documento entregue ao Poder Legislativo detalha fatos de junho de 2025. De acordo com a denúncia, o prefeito usou a tribuna da Câmara durante a Sessão Solene do Dia do Evangélico, em 11 de junho de 2025. Na ocasião, ele classificou religiões de matriz africana como “coisas do demônio”. Ainda segundo a peça, o gestor afirmou que “só existe espaço em Parauapebas para religiões católicas e evangélicas”.

A denúncia destaca também a atuação do Departamento Municipal de Assuntos Religiosos (DARP). O próprio gestor qualificou o órgão como estrutura para “evangelizar” praticantes de cultos afro-brasileiros. Por isso, o documento trata o caso como prática institucional, e não como fala isolada.

O texto lista ainda os desdobramentos do episódio. O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) abriu procedimento sobre o caso. A Defensoria Pública do Estado enviou notificação. Além disso, a própria Câmara emitiu nota oficial e a OAB-PA divulgou manifestação de repúdio.

A denunciante aponta também a manutenção do racismo institucional no município. Ela cita a disparidade na destinação de recursos públicos entre eventos de matrizes religiosas diferentes. Esse desequilíbrio, segundo o documento, se repetiu ao longo de 2025 e 2026.

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Os próximos passos do processo

A partir de agora, o processo de cassação de Aurélio Goiano segue o rito do Decreto-Lei nº 201/1967 e o Regimento Interno da Câmara. Primeiramente, a Casa instala a Comissão Processante. Três vereadores sorteados entre os desimpedidos conduzem os trabalhos.

Depois disso, a Câmara notifica oficialmente o prefeito. Ele terá o prazo de 10 dias para apresentar defesa prévia por escrito e indicar provas. Em seguida, começa a instrução probatória.

  1. Formação da Comissão Processante, com três vereadores sorteados.
  2. Notificação do prefeito e defesa prévia em 10 dias.
  3. Instrução probatória, com testemunhas, documentos e diligências.
  4. Parecer conclusivo da comissão.
  5. Julgamento final em Plenário.

Na fase de instrução, a comissão ouve testemunhas e analisa o vídeo oficial da sessão. Também junta documentos e realiza diligências complementares. Por fim, emite parecer pelo arquivamento ou pela procedência da denúncia.

Quórum de dois terços decide a cassação

O julgamento final acontece em sessão de Plenário. Para cassar o mandato, a Câmara precisa do voto favorável de dois terços dos membros. Ou seja, o placar de 10 a 6 registrado no recebimento não garante o resultado.

O recebimento da denúncia também não representa condenação. Nessa etapa, os vereadores decidem apenas se o caso merece apuração formal. Portanto, o prefeito permanece no cargo durante todo o trâmite.

O portal acompanha cada etapa do processo. Além disso, mantém espaço aberto para a manifestação do prefeito Aurélio Ramos de Oliveira Neto e de sua defesa.

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