Pará no debate presidencial

Pará no debate presidencial: o que Lula e Flávio disseram

Nacional Política
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Em 2h10 de debate na Globo, o nome do estado foi dito duas vezes, as duas pelo candidato do PL

O Pará no debate presidencial deste segundo turno ocupou um espaço pequeno. O último encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, foi ao ar na noite de sexta-feira, 23 de outubro, nos Estúdios Globo. A transmissão durou duas horas e dez minutos. O Portal Felipe Tommy gravou o debate inteiro e transcreveu a íntegra.

O levantamento mostra um dado objetivo. A palavra Pará apareceu duas vezes em todo o debate, e as duas saíram da boca de Flávio Bolsonaro. Lula não citou o nome do estado em nenhum momento. Belém foi mencionada quatro vezes, Altamira uma, e a Transamazônica duas. Todas essas menções estão concentradas em um único trecho, que começa aos 33 minutos e termina aos 39 minutos de transmissão.

O que Flávio Bolsonaro disse sobre o Pará

O tema da região Norte foi sorteado no primeiro bloco. Coube a Flávio formular a pergunta, e ele escolheu saneamento básico. Segundo o senador, cerca de 90 milhões de brasileiros não têm esgoto tratado em casa e aproximadamente 40 milhões não têm água tratada. Ele defendeu o marco legal do saneamento e cobrou a meta de atender mais de 90% da população até 2033.

Na réplica, Flávio dirigiu a fala diretamente ao Pará. Ele citou o governador eleito do estado, a quem chamou de doutor Daniel, e disse querer trabalhar junto com ele. Em seguida, descreveu o que afirma ter visto no centro de Belém: moradias com esgoto a céu aberto. O candidato do PL se comprometeu a ajudar a capital paraense a fazer, nas palavras dele, o maior programa de saneamento básico da cidade.

O senador também falou de Altamira e da Transamazônica. De acordo com ele, a rodovia segue sem asfalto por causa da atuação de órgãos ambientais do atual governo. Além disso, Flávio prometeu à população paraense aquilo que chamou de direito de trabalhar. Por fim, ele tratou da Zona Franca de Manaus, que classificou como sagrada, e defendeu autonomia para que os povos indígenas decidam o uso de suas terras.

A resposta de Lula sobre a Amazônia

Lula respondeu sem usar o nome do estado. O presidente afirmou que o adversário não conhece o país e associou o conhecimento de Flávio sobre a região a um episódio da pandemia. Ele mencionou a crise de oxigênio em Manaus e a reação de Jair Bolsonaro na época. Depois, listou investimentos no Amazonas e sugeriu que o senador pesquisasse os números na internet.

Na tréplica, o presidente mudou o eixo da discussão para o meio ambiente. Lula criticou a política ambiental do governo anterior e defendeu o que chama de economia verde. Segundo ele, a floresta em pé rende mais do que a floresta derrubada, e mais do que plantar capim ou criar gado. O petista também citou o Fundo Amazônia, que afirma ter recolocado em funcionamento.

Dessa forma, o bloco se encerrou sem que nenhum dos dois apresentasse número, prazo ou valor para obras específicas no estado. As promessas ficaram no campo da intenção.

Carajás ficou fora das duas horas e dez minutos

A transcrição completa permite medir o que não foi dito. As palavras Carajás, Parauapebas e Marabá não aparecem uma única vez no debate. O mesmo vale para mineração, Tucuruí e Ferrogrão. Ou seja, a região que responde pela maior parte das exportações paraenses não entrou na conversa.

Isso tem peso econômico direto. Atualmente, o minério extraído em Carajás escoa pela Estrada de Ferro Carajás até o porto de Itaqui, no Maranhão. A logística, a energia e a contrapartida social da mineração são pautas antigas no sudeste do Pará. No entanto, nenhum dos dois candidatos tocou no assunto durante as duas horas e dez minutos de transmissão.

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Como foi medido o Pará no debate presidencial

O portal baixou o áudio da transmissão e gerou a transcrição por reconhecimento automático de fala. O arquivo cobre as duas horas e dez minutos de debate, do primeiro ao último bloco. A contagem de menções considera o nome próprio escrito, inclusive quando aparece no meio de uma frase.

O bloco da região Norte começa aos 33 minutos e 21 segundos, quando o tema é sorteado. Ele termina aos 39 minutos e 45 segundos, quando a mediação anuncia a região Nordeste. São pouco mais de seis minutos para uma região que reúne sete estados. Para efeito de comparação, o Nordeste abriu o bloco seguinte e o Sudeste já havia sido tratado antes.

O segundo turno das Eleições 2026 será decidido neste domingo, 25 de outubro. As urnas abrem às 8h e fecham às 17h, no horário de Brasília. O eleitor precisa apresentar documento oficial com foto, e o título de eleitor não é obrigatório em papel.

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