Eliene Fontes cobra respeito à memória da filha e transforma a página Justiça por Yasmin em memorial
A mãe de Yasmin Macêdo publicou uma carta aberta nas redes sociais dois dias após o julgamento de Lucas Magalhães de Souza. Eliene Fontes dirigiu o texto à advogada que atuou na defesa do réu. O júri popular ocorreu no dia 25 de agosto de 2026, em Belém. Assim, a família voltou a se manifestar publicamente sobre o caso.
Na publicação, Eliene afirma que escreve não apenas como mãe. Ela também se apresenta como alguém que passou anos para que a história da filha fosse ouvida. Além disso, cobra respeito à memória da jovem. Portanto, o texto une luto e crítica direta à condução da defesa no plenário.
Mãe critica a forma como a filha foi retratada no júri
Segundo a carta, houve tentativas de culpabilizar Yasmin durante a atuação da defesa. Eliene classificou os comentários feitos no Tribunal do Júri como ofensivos. “Ouvir uma mulher tentar culpabilizar Yasmin de uma forma tão baixa e cruel foi algo que jamais imaginei presenciar”, escreveu.
Ainda de acordo com a publicação, chamar a filha de “bêbada” não seria apenas estratégia processual. Reduzi-la a alguém “da noite” também não. Para a mãe, dizer que a vida da jovem era marcada por “farras” configura violência contra a memória dela.
Dessa forma, Eliene cobrou postura diferente de quem atuou no plenário. “Faltou empatia, humanidade, respeito pela família que estava ali diante de uma das situações mais difíceis de sua vida. Era realmente necessário chegar a esse ponto?”, questionou.
“Nada do que foi dito apaga quem Yasmin foi”
No mesmo texto, a mãe falou sobre a personalidade e a trajetória da filha. Segundo ela, a família conhece uma Yasmin que não apareceu nas acusações apresentadas em plenário. Ou seja, a defesa teria descrito alguém que os parentes não reconhecem.
“Nós conhecemos a filha, amiga, estudante, menina doce, amorosa e cheia de sonhos que ela foi. Sabemos de sua história, seus valores, sua essência. E nada do que foi dito naquele tribunal é capaz de apagar quem Yasmin realmente foi”, declarou.
A mãe de Yasmin Macêdo também citou a repercussão das falas feitas no julgamento. Para ela, a reação do público mostra que a postura adotada passou do ponto. “O que aconteceu ali ultrapassou os limites da defesa para muitas pessoas que acompanhou tudo. E a repercussão que se seguiu demonstra o quanto aquela postura foi considerada cruel e desnecessária por tanta gente”, escreveu.
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Página Justiça por Yasmin passa a ser memorial
No fim da publicação, a mãe de Yasmin Macêdo anunciou uma mudança de propósito na página criada durante a busca por justiça. O perfil acompanhou o caso desde os primeiros meses. Agora, o espaço muda de nome e de função.
“Hoje, esta página deixa de ser Justiça por Yasmin. A partir de agora, ela será um memorial da pessoa mais doce e linda que eu já conheci na vida”, afirmou. Em seguida, a mãe disse que a filha deve ser lembrada pela pessoa que foi, pelo amor que deixou e pelos sonhos que tinha.
Por fim, ela encerrou a carta com um recado direto. “E que fique registrado: nada do que foi dito sobre Yasmin por aquela mulher muda a verdade sobre quem ela era. Nós sabemos quem era nossa Yasmin. E continuaremos contando a história dela com amor, verdade e dignidade”, concluiu.
O que o Tribunal do Júri decidiu em Belém
O julgamento aconteceu em 25 de agosto de 2026 e durou cerca de 15 horas. Os jurados absolveram Lucas Magalhães de Souza dos crimes de homicídio e de fraude processual. No entanto, ele foi condenado por porte e por disparo de arma de fogo durante o passeio de lancha.
A pena ficou em 4 anos e 10 meses, em regime semiaberto, com direito de recorrer em liberdade. A acusação sustentava a tese de homicídio com dolo eventual, rejeitada pelos jurados. Já a defesa negou a responsabilidade do réu pelo que aconteceu com a jovem.
Yasmin Cavaleiro de Macêdo tinha 21 anos e cursava medicina veterinária. Ela desapareceu em 12 de dezembro de 2021, durante um passeio no rio Maguari, em Belém. Havia 19 pessoas na embarcação naquele dia. O corpo foi localizado no dia seguinte, e a causa apontada foi afogamento.
Atualmente, a decisão dos jurados ainda pode ser questionada em instância superior. Cabe recurso. Portanto, o caso segue aberto no Judiciário do Pará, quase cinco anos depois do desaparecimento da jovem.
