Prefeita de Conceição do Araguaia diz que empresário não fez parte da obra e vai devolver o que não comprovar
Élida Elena nega propina e gravou um vídeo para responder às acusações feitas por um empresário em Conceição do Araguaia. A prefeita falou por dois minutos e cinquenta e nove segundos. O material é editado e circula nas redes sociais dela. Nele, ela aparece segurando um comprovante bancário.
A frase central vem no fim da gravação. Segundo a prefeita, não existe propina no caso. Para ela, o que existe é um serviço que o empresário deixou de executar. Além disso, afirma que ele assumiu o compromisso de pagar as empresas que concluíram a obra.
O documento que a prefeita mostrou
Durante o vídeo, ela exibe um comprovante de transferência do banco BNP Paribas. O papel registra um pagamento feito em 29 de dezembro de 2022, às 14h10. O valor aparece circulado em vermelho: R$ 1.436.250,00. A operação saiu por internet banking.
O pagador é a Araguaia Níquel Metais Ltda., empresa do Projeto Araguaia, da mineradora Horizonte Minerals, no município. Já o beneficiário é a JN Prestação de Serviços Ltda. Portanto, o documento mostra dinheiro privado indo para a empresa de obras, e não recurso público.
A versão da prefeitura sobre a obra
O convênio é de 2022 e previa 12 pontes, além do encabeçamento delas. Segundo a prefeita, o empresário não executou essa segunda etapa. Ele então teria autorizado que outras empresas fizessem o serviço. Em contrapartida, pagaria essas empresas assim que o recurso saísse.
O dinheiro chegou apenas no mandato dela. A prefeita afirma que o chamou para conversar e que ele reconheceu o acordo. Contudo, diz que ele recebeu a primeira parcela e não repassou nada às outras empresas. Foi nesse ponto que a relação azedou.
Élida Elena nega propina e conta o que respondeu ao empresário. Segundo ela, avisou que devolveria o recurso caso ele não pagasse quem executou o serviço. A partir daí, afirma ter passado a ser pressionada. Nas palavras dela, a ameaça era de denúncia caso não recebesse o valor integral.
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O que o ex-prefeito disse
Jair Martins gravou a resposta dele na porta da delegacia de Conceição do Araguaia. Ele registrou boletim de ocorrência por calúnia, sob o número 00056/2026.101944-2. No documento, aponta a J.N. Prestação de Serviços Ltda. como a empresa contratada. O proprietário citado é Ricardo José Nascimento.
As duas versões coincidem nos pontos principais. Ambos falam do convênio de 2022, do encabeçamento não executado e da entrada de outras empresas. Além disso, os dois citam o percentual de 35% que caberia a quem terminou o trecho. Nenhum dos dois reconhece pagamento de propina.
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O que os empenhos confirmam
A reportagem consultou o portal da transparência do município. A JN Prestação de Serviços Ltda. aparece com dois empenhos em 2026, ambos de 16 de junho. Juntos, somam R$ 2.910.845,41, integralmente pagos. O objeto é a superestrutura de 12 pontes de concreto armado, sendo 7 na PA-449 e 5 na PA-327.
O CNPJ que aparece no comprovante exibido pela prefeita é o mesmo desses empenhos. Ou seja, a empresa que recebeu da mineradora em 2022 é a mesma que recebeu da prefeitura em 2026. Os registros citam o contrato 061/2022 e o convênio 156/2022 com a Setran. Logo, a obra foi licitada na gestão anterior e paga na gestão atual.
O que ainda não está comprovado
Élida Elena nega propina e diz que aguarda a chegada de um técnico para medir a obra. Depois disso, pagaria apenas o que estiver comprovado. O restante voltaria ao órgão de origem. Até agora, no entanto, nenhuma medição oficial foi apresentada publicamente.
O comprovante bancário também tem limite. Ele registra um pagamento da mineradora à empresa, mas não descreve a qual obra se refere. Além disso, os dois vídeos trazem acusações pessoais contra o empresário, entre elas a de que ele já foi preso pela Polícia Federal. O Portal Felipe Tommy não localizou registro público dessa informação, que aparece aqui apenas como declaração das duas autoridades.
O outro lado
O empresário levou a acusação à Câmara Municipal de Conceição do Araguaia. Segundo ele, executou a obra e não recebeu o que lhe é devido. A reportagem busca contato direto com ele para que responda aos pontos levantados nos dois vídeos. O espaço permanece aberto.
Por fim, vale separar o que está documentado do que segue como versão. O portal relata o conteúdo de três gravações e de documentos públicos. Contudo, não afirma que houve propina, calúnia ou desvio de recurso. A apuração continua, e a matéria será atualizada a cada nova manifestação.
