Bloqueio de gelo no rio cedeu e liberou onda de lama que varreu vilas na fronteira com o Tibete
Uma avalanche de gelo e rocha provocou uma inundação devastadora na fronteira entre o Nepal e a região do Tibete, na China. O desastre aconteceu nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026. De acordo com autoridades dos dois países, ao menos 18 pessoas morreram. Além disso, centenas de pessoas seguem desaparecidas.
A onda de lama e água desceu a montanha em poucos minutos. Assim, ela atingiu vilarejos inteiros sem qualquer tempo de aviso. Equipes de resgate ainda tentam alcançar as áreas mais afetadas. No entanto, estradas e pontes destruídas travam o acesso.
O que provocou a avalanche de gelo no Nepal
Cientistas e autoridades locais apontam um terremoto de magnitude 4,4 como gatilho inicial. O tremor atingiu a região montanhosa na manhã de quarta-feira. Em seguida, uma enorme massa de gelo se desprendeu do alto. Ou seja, o tremor e a avalanche aconteceram no mesmo intervalo de horas.
O material bloqueou temporariamente o rio Lhende Khola, afluente do Bhote Koshi. Dessa forma, surgiu uma represa natural instável na parte alta do curso. O bloqueio cedeu de repente pouco depois. Logo, uma onda violenta de lama, água e gelo derretido desceu em direção às vilas.
A sequência do desastre foi rápida. Primeiramente, o tremor soltou a massa de gelo e rocha. Em seguida, o material fechou o leito do rio. Por fim, a represa improvisada cedeu e liberou toda a água de uma só vez.
Mortes confirmadas no Nepal e no Tibete
O Nepal confirmou 18 mortes até a última atualização oficial. Os registros apontam uma vítima em Rasuwa e sete em Nuwakot. Além disso, o país contabiliza seis mortes em Dhading e quatro em Gorkha. O balanço deve subir, já que as buscas continuam.
Do lado chinês, a agência estatal de notícias relatou grandes baixas na região portuária de Gyirong, no Tibete. As autoridades locais também informam múltiplos desaparecidos. Por isso, o número final de vítimas segue incerto. Atualmente, os dois governos trabalham com dados provisórios.
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Turistas estrangeiros estão entre os desaparecidos
O Conselho de Turismo do Nepal confirmou 384 viajantes desaparecidos. Desse total, 291 são turistas estrangeiros. Inclusive, a lista reúne cidadãos da Índia, dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Malásia.
Mais de 26 policiais nepaleses e funcionários alfandegários também estão desaparecidos. Todos atuavam nos postos de fronteira quando a enxurrada chegou. A água engoliu os pontos de controle em poucos minutos. Portanto, a força do rio surpreendeu o efetivo de plantão.
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Energia e comércio ficaram comprometidos
A força da água destruiu casas, estradas e pontes internacionais de comércio. Esses acessos ligam o Nepal à China e concentram parte importante do fluxo de mercadorias. Assim, o comércio na fronteira parou por completo. As autoridades ainda avaliam a extensão dos danos.
O desastre atingiu ainda cerca de 12% de toda a capacidade de geração hidrelétrica do Nepal. A perda equivale a mais de um décimo do parque energético nacional. Consequentemente, o país passa a conviver com risco de falta de energia.
Resgate internacional e risco de uma segunda onda
O governo do Nepal pediu oficialmente apoio militar da China e da Índia. O objetivo é coordenar buscas aéreas e terrestres em uma região de difícil acesso. Além disso, o presidente chinês, Xi Jinping, ordenou esforços máximos de resgate. Ele também determinou o monitoramento em tempo real de novos desastres.
Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas, o ICIMOD, fizeram um alerta grave. Segundo o centro, ainda existem bloqueios de gelo instáveis na parte alta do rio. Portanto, uma segunda inundação pode acontecer a qualquer momento.
Por isso, moradores de comunidades ribeirinhas receberam ordem de evacuação imediata. O aviso vale para as margens dos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani. As famílias devem procurar áreas mais altas o quanto antes. Por fim, a avalanche de gelo no Nepal segue como ameaça ativa, e não como um episódio encerrado.




