Publicado em 06/08/2026 às 11:20 | Atualizado 06/08/2026 às 11:20 por felipetommyreal
Vídeo mostra crianças do Complexo VS-10 esperando ônibus que não chegou; secretária Maura Paulino é ré na Justiça
A falta de transporte escolar em Parauapebas voltou a deixar crianças fora da sala de aula. Um vídeo chegou à redação do Portal Felipe Tommy nesta quinta-feira (6). As imagens mostram vários alunos do Complexo VS-10 parados na beira da rua. Eles esperaram o ônibus que nunca apareceu.
O autor da gravação mora no bairro Bom Jesus e preferiu não se identificar. Ele registrou o grupo de crianças de costas, ainda com as mochilas. Além disso, cobrou uma resposta direta da prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação. O tom do relato é de abandono.
Morador cobra o prefeito e a secretária no vídeo
No áudio, o morador cita nominalmente os responsáveis pela pasta e pelo município. Ele usa a expressão “cidade bilionária” para contrastar o orçamento com a cena das crianças na rua. Portanto, a crítica vai além da falha pontual daquela manhã.
“Complexo VS10, bairro Bom Jesus, 6 de agosto de 2026. Essa é a situação da cidade bilionária. As crianças querem ir para a escola e o transporte escolar não tem. Secretária Maura, nos ajude. Prefeito Aurélio Goiano, o senhor entrou para a história do prefeito mais votado na cidade de Parauapebas. E tá aqui, Complexo VS10, bairro Bom Jesus, as crianças esperando o transporte escolar e até agora nada. O Complexo VS10 teve vários vereadores eleitos pela população e tá aí. Esse é o preço que a população paga. Tem criança que ainda não tomou nem café e não tem nem condição de ir andando até a escola, que chega a ser quilômetros de distância.”
O relato termina com o dado mais duro da gravação. Segundo o morador, há criança que saiu de casa sem tomar café. A escola fica a quilômetros de distância do bairro. Ou seja, ir a pé não é opção real para esses alunos.
A denúncia expõe um drama cotidiano da rede pública municipal. Muitos estudantes perdem o dia de aula por não conseguirem percorrer o trajeto sozinhos. Dessa forma, a falta do ônibus vira falta na chamada.
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Justiça mantém secretária e empresa no banco dos réus
A denúncia popular chega em um momento delicado para a gestão da educação municipal. Conforme o Portal Felipe Tommy já noticiou, a secretária Maura Regina Paulino continua respondendo na Justiça. A empresa New Locações & Serviços EIRELI também segue como ré no processo.
A Ação Popular apura supostas irregularidades no contrato do transporte escolar em Parauapebas. Além disso, aponta um rombo estimado em R$ 3.560.198,88 nos cofres públicos. O juiz Lauro Fontes Júnior assinou a decisão. Ele é titular da Vara de Fazenda Pública e Execução Fiscal da comarca.
O magistrado saneou o processo e definiu quem permanece no polo passivo. Dessa forma, manteve a responsabilidade direta da secretária. Maura Paulino assinou o Terceiro Termo Aditivo do contrato. Ela também atuava como ordenadora de despesas da pasta.
Já a New Locações segue ré por outro motivo. A empresa foi a beneficiária direta dos repasses financeiros. Por isso, precisa comprovar formalmente a prestação dos serviços cobrados.
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Apagão de dados levou o juiz a inverter o ônus da prova
A vereadora Maquivalda Aguiar Barros moveu a Ação Popular. Antes disso, ela tentou as vias de consulta pública. No entanto, encontrou um verdadeiro “apagão de dados” nos portais de transparência da Prefeitura de Parauapebas.
Diante da falta de informação oficial acessível, o juiz aplicou a distribuição dinâmica do ônus da prova. Assim, a obrigação de provar mudou de lado. Agora a secretária e a empresa contratada precisam demonstrar que não houve superfaturamento. Elas também devem comprovar a execução regular do contrato.
Enquanto o processo corre, o problema do transporte escolar em Parauapebas continua nas ruas. O Complexo VS-10 elegeu vários vereadores, lembra o morador na gravação. Contudo, a comunidade segue sem resposta sobre a rota escolar.
Outro lado
O Portal Felipe Tommy procurou a Secretaria Municipal de Educação (Semed) e a secretária Maura Paulino. A reportagem questionou a falha no atendimento ao Complexo VS-10. Também pediu posicionamento sobre a tramitação da ação judicial.
Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação dos citados. Portanto, qualquer resposta será publicada na íntegra.
