Michelle Bolsonaro deixa PL Mulher

Michelle Bolsonaro deixa o PL Mulher em meio à crise com Flávio

Nacional Política
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Publicado em 01/07/2026 às 02:01 | Atualizado 01/07/2026 às 02:01 por felipetommyreal


Ex-primeira-dama diz que vai cuidar do marido; saída ocorre após desentendimento com Flávio Bolsonaro sobre aliança no Ceará.

Michelle Bolsonaro deixa o PL Mulher em um momento de forte turbulência política. A ex-primeira-dama anunciou na noite desta terça-feira (30) sua saída da presidência do movimento. A decisão ocorre em meio a uma crise aberta com Flávio Bolsonaro, seu enteado e pré-candidato à Presidência da República pelo PL.

A renúncia foi acertada durante uma reunião entre Michelle e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, na sede do PL Mulher, em Brasília. Portanto, a saída não foi impulsiva. Ela resultou de uma conversa formal com a liderança máxima do partido antes do anúncio público.

O motivo declarado: cuidar da família

Na nota divulgada após o encontro, Michelle afirmou que tomou a decisão após refletir com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, o momento vivido pela família pesou na escolha. Consequentemente, ela declarou que vai se dedicar integralmente aos cuidados do marido e da filha.

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e foi condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado. Desse modo, Michelle justificou a decisão com base nas circunstâncias pessoais e familiares que enfrenta neste momento. Além disso, ela não mencionou planos para as eleições de 2026 na nota divulgada.

A crise com Flávio Bolsonaro

O pano de fundo da saída é um conflito político sério entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Um vídeo divulgado anteriormente mostrou a ex-primeira-dama relatando ter sido maltratada e humilhada pelo enteado durante uma ligação telefônica. Por isso, a tensão entre os dois se tornou pública e chegou ao conhecimento de toda a militância do partido.

O desentendimento gira em torno de uma aliança eleitoral no Ceará. Michelle se opõe a um acordo com o ex-governador Ciro Gomes, atualmente no PSDB. Flávio, por outro lado, defende a aliança. Entretanto, o episódio relatado por Michelle teria acontecido no fim do ano passado, mostrando que a crise não é recente.

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O impacto político da saída

A decisão de Michelle Bolsonaro deixa o PL Mulher com implicações diretas para a pré-campanha de Flávio. Isso porque a ex-primeira-dama é uma das principais lideranças do eleitorado feminino conservador no Brasil. Sobretudo, Flávio registra maior resistência justamente entre as mulheres nas pesquisas eleitorais.

O PL pretendia lançar Michelle como candidata ao Senado no Distrito Federal em 2026. Além disso, a expectativa da pré-campanha de Flávio era que ela participasse de um encontro de mulheres do partido nesta quarta (1º), sinalizando publicamente que a crise havia sido superada. Consequentemente, a saída na véspera do evento representa um revés político significativo para o enteado.

O legado de Michelle à frente do PL Mulher

Em sua nota, Michelle destacou o trabalho realizado desde que assumiu o PL Mulher, em 2023. Segundo ela, o movimento existia apenas no papel quando chegou ao comando. Em seguida, ela percorreu o Brasil inteiro, instalou diretórios nos estados e nomeou presidentes estaduais e municipais.

Igualmente, ela ressaltou que o PL elegeu 1.005 candidatas nas eleições de 2024. O número representa um aumento de 45,8% em relação a 2020. Por conseguinte, Michelle deixa o cargo com um histórico de expansão expressiva do movimento que ela mesma chegou a chamar de o maior movimento político-partidário de mulheres do Brasil.

A posição de Valdemar Costa Neto

O presidente nacional do PL também divulgou uma nota sobre a saída de Michelle. Valdemar afirmou que as divergências são naturais em um partido que cresceu muito. Além disso, reconheceu que Michelle passa por um momento difícil e que a decisão dela deve ser respeitada.

Por fim, Valdemar reafirmou que o PL permanece unido em torno de um objetivo maior. Para ele, as indignações internas não superam o que une o partido. Atualmente, Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão da madrasta, o que adiciona mais incerteza ao cenário político do PL para as eleições de 2026.

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