Publicado em 24/06/2026 às 04:07 | Atualizado 24/06/2026 às 04:07 por felipetommyreal
Vereadores acusam filho e filha de Zé da Lata de extorsão e contrato fantasma de R$ 1,2 mi em sessão explosiva na Câmara.
O bate-boca Câmara Parauapebas extorsão que tomou conta do plenário nesta terça-feira (23) deixou claro que o ambiente político da cidade está em ebulição. A sessão ordinária da Câmara Municipal foi marcada por um embate sem precedentes após o vereador Zé da Lata (Avante) apresentar o Requerimento nº 207-2026, que solicita à Mesa Diretora que oficie a Prefeitura para que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade preste informações detalhadas sobre compras diretas e dispensas de licitação realizadas nos anos de 2021 e 2024.
O que parecia ser mais um requerimento de fiscalização de rotina rapidamente se transformou em um campo de batalha político. Isso porque os alvos indiretos do pedido são os próprios filhos de Zé da Lata: o prefeito Aurélio Goiano e a secretária da SEGOV, Natália Santos Oliveira. Portanto, o que veio depois foi uma sequência de acusações graves, contestações duras e um silêncio revelador do autor do requerimento ao final da sessão.
Vereadora acusa prefeito de extorsão no mandato anterior
A vereadora Maquivalda Barros (PDT) foi a primeira a subir à tribuna para rebater Zé da Lata. Ela questionou diretamente a coerência do vereador ao propor fiscalização de contratos de anos anteriores, período em que o próprio filho dele, Aurélio Goiano, era vereador e, portanto, tinha o dever institucional de fiscalizar o Executivo.
Em seguida, a parlamentar elevou o tom e lançou uma acusação grave contra o atual prefeito: segundo ela, Aurélio Goiano não fiscalizava os contratos quando era vereador. Em vez disso, teria montado processos para extorquir secretários municipais. Além disso, Maquivalda afirmou que há denúncias registradas no TCM, no Ministério Público e no Judiciário sobre as práticas do então vereador. Ela concluiu descrevendo o comportamento de Zé da Lata durante a sessão como um sorriso de deboche para a população.
Contrato de R$ 1,2 milhão em ônibus que nunca apareceu
O vereador Fred Sanção (PL) foi o segundo a ocupar a tribuna para contestar o requerimento. Sua linha de ataque foi diferente, mas igualmente contundente. Ele questionou a coerência política de um vereador que busca fiscalizar gestões passadas enquanto a administração do próprio filho enfrenta problemas graves no presente.
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O parlamentar do PL trouxe à tona uma denúncia específica: um contrato de R$ 1,2 milhão envolvendo ônibus que nunca teria sido entregue, ligado à atuação de Natália Santos Oliveira à frente da Secretaria Especial de Governo. Sanção cobrou que Zé da Lata apresentasse esse tipo de requerimento para fiscalizar sua própria filha, classificando como ridícula a estratégia de mirar em gestões antigas. O vereador encerrou sua fala chamando a postura de Zé da Lata de vergonhosa diante do colegiado e da população.
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Zé da Lata fica em silêncio e requerimento é aprovado
Após a sequência de contestações duras vindas de diferentes frentes do plenário, o vereador Zé da Lata optou pelo silêncio. O autor do requerimento não respondeu às acusações levantadas pelos colegas e não exerceu o direito de réplica. Dessa forma, o silêncio diante das denúncias tornou-se, por si só, um elemento político relevante na sessão.
Contudo, a votação seguiu seu curso e o Requerimento nº 207-2026 foi aprovado pela maioria dos vereadores. Ou seja, a Prefeitura Municipal deverá encaminhar à Câmara as informações sobre as compras diretas e dispensas de licitação realizadas pela SEMA nos anos de 2021 e 2024. Por conseguinte, as respostas da Secretaria de Meio Ambiente podem trazer novos elementos a um debate que já começou extremamente acalorado.
O pano de fundo: operação do Gaeco e crise institucional
O bate-boca Câmara Parauapebas extorsão ocorre em um contexto de crise institucional profunda no município. O prefeito Aurélio Goiano já foi alvo de uma operação do Gaeco deflagrada no dia 15 de junho, quando agentes do Ministério Público do Pará vasculharam sua residência e o gabinete da prefeitura. A investigação corre em segredo de justiça, mas o impacto político já é sentido em cada sessão da Câmara.
Igualmente, a cidade vive um cenário de tensão acumulada. Trabalhadores de saúde e educação ameaçam greve geral. A infraestrutura urbana apresenta falhas graves. E agora o plenário da Câmara se transforma em palco de acusações cruzadas envolvendo diretamente o núcleo familiar do vereador que mais alto fala em fiscalização. Sobretudo, esse cenário levanta questões que a população de Parauapebas tem o direito de ver respondidas: quais contratos foram irregulares, quem se beneficiou e quais medidas serão tomadas para responsabilizar os envolvidos?
O que esperar dos próximos passos
Visto que o requerimento foi aprovado, a Prefeitura terá que responder formalmente à Câmara sobre as dispensas de licitação da SEMA. Todavia, as acusações de extorsão e o contrato fantasma de R$ 1,2 milhão vão muito além do escopo do requerimento e demandam apuração independente pelos órgãos de controle. Finalmente, o bate-boca desta terça-feira foi mais do que um episódio de calor político: foi um sinal de que a crise em Parauapebas está longe de se encerrar e que novos capítulos ainda estão por vir.
