Publicado em 10/07/2026 às 05:19 | Atualizado 10/07/2026 às 05:19 por felipetommyreal
Mesma empresa forneceu maçã a R$ 17,90/kg para Parauapebas e a R$ 10,00/kg para Canaã; preço superou o dobro do valor no supermercado.
Um levantamento de notas fiscais da merenda escolar em Parauapebas acendeu um sinal de alerta sobre os gastos públicos com alimentação escolar no município. O cruzamento de dados revela que a prefeitura pagou R$ 17,90 por quilo de maçã nacional ao mesmo fornecedor que cobrou apenas R$ 10,00 por quilo de Canaã dos Carajás. A diferença de 79% entre os preços ocorreu em um intervalo de menos de três meses em 2026.
O contraste fica ainda mais grave quando comparado ao mercado convencional. Por volta da mesma época, o preço médio da maçã nacional no varejo girava em torno de R$ 4,99 por quilo em supermercados e feiras da região. Portanto, o poder público chegou a pagar quase quatro vezes o valor praticado no comércio local pelo mesmo produto.
Os números que expõem o sobrepreço
Os documentos analisados detalham três compras distintas realizadas no início de 2026. Em 3 de fevereiro, Parauapebas adquiriu 4.078 quilos de maçã pelo preço de R$ 17,90 por quilo, totalizando R$ 72.996,20. Em seguida, em 26 de fevereiro, Canaã dos Carajás comprou 16.066 quilos pelo mesmo fornecedor ao preço de R$ 10,00 por quilo, totalizando R$ 160.660,00. Além disso, em 29 de abril, Canaã adquiriu mais 4.320 quilos pela mesma tabela de R$ 10,00.
Ou seja, Parauapebas pagou R$ 7,90 a mais por cada quilo comprado em relação ao município vizinho. Consequentemente, o sobrepreço de 79% representa um gasto significativamente superior para o mesmo produto entregue pela mesma empresa em datas próximas. Desse modo, a disparidade dificilmente se justifica por variações normais de mercado.

A inversão das proporções que intriga
Além do preço, a quantidade adquirida levanta outra questão relevante. Canaã dos Carajás conta com uma rede de aproximadamente 18,8 mil alunos e comprou mais de 20 toneladas de maçã nas duas notas analisadas. Por outro lado, Parauapebas, com uma demanda muito maior de cerca de 50 mil alunos, comprou pouco mais de 4 toneladas na nota fiscal do mesmo período.
Portanto, o município com mais alunos comprou menos produto e ainda pagou um preço consideravelmente mais alto. Sobretudo, essa inversão das proporções entre demanda e volume adquirido adiciona mais uma camada de questionamento à gestão dos recursos da merenda escolar em Parauapebas.
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A maçã é apenas a ponta do iceberg
A análise das notas fiscais revela que a maçã não é um caso isolado. Outros itens destinados à merenda escolar de Parauapebas também registram variações de preço contundentes em relação a outros municípios. Igualmente, o padrão encontrado sugere algo que vai além de uma oscilação pontual de mercado e merece investigação aprofundada.
É fundamental destacar que os documentos, isoladamente, não configuram comprovação de irregularidades. Contudo, as evidências são robustas o suficiente para exigir uma apuração técnica rigorosa. Por isso, o levantamento levanta a necessidade de atuação dos órgãos de controle, como o Ministério Público e os Tribunais de Contas do Estado do Pará.
O que os órgãos de controle precisam investigar
As perguntas centrais que o levantamento suscita são claras. Como o mesmo fornecedor justifica praticar preços tão diferentes para municípios vizinhos em tão pouco tempo? Por que Parauapebas comprou um volume muito menor de merenda escolar para uma base de alunos significativamente maior? Esses questionamentos exigem respostas formais e transparentes das autoridades competentes.
Por fim, a transparência e a eficiência na aplicação dos recursos públicos não são favores concedidos pelas administrações. Atualmente, trata-se de uma obrigação constitucional perante a sociedade. Visto que recursos destinados à merenda escolar em Parauapebas devem garantir alimentação de qualidade para dezenas de milhares de crianças, qualquer indício de irregularidade precisa ser investigado com rigor e urgência.
