Flávio Bolsonaro tarifas Trump

Flávio Bolsonaro participa de audiência nos EUA sobre tarifas de Trump

Nacional Política
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Publicado em 07/07/2026 às 01:50 | Atualizado 07/07/2026 às 01:50 por felipetommyreal


Senador se posiciona contra a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e qualquer medida relacionada ao PIX; prazo acaba em 15 de julho.

O senador Flávio Bolsonaro e as tarifas de Trump se cruzam nesta terça-feira (7) em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, em Washington. O parlamentar e pré-candidato à Presidência viajou à capital americana neste domingo (5) para participar do evento e se posicionar de forma contrária às tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Além disso, ele deve defender que nenhuma medida seja tomada contra o PIX.

A atuação de Flávio nesse campo internacional é independente e não tem relação com o Itamaraty. Portanto, o senador age por conta própria ao articular com representantes do governo norte-americano de Donald Trump. A lista de participantes da audiência também inclui o embaixador Roberto Azevedo, representando a Confederação Nacional da Indústria, e Letícia Sperb Masselli, da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados.

O que Flávio defendeu antes da audiência

Na semana passada, o senador enviou uma manifestação formal ao USTR com argumentos detalhados sobre o tema. No documento, Flávio afirmou que o PIX não substitui cartões de crédito e sugeriu que o meio de pagamento não seja conectado a sistemas não ocidentais. Desse modo, ele buscou afastar as preocupações americanas sobre o sistema de pagamentos brasileiro.

Além disso, o senador pediu que os Estados Unidos adiem a aplicação das tarifas por 180 dias. Igualmente, sugeriu que as taxas de 25% só sejam implementadas após as eleições brasileiras. Para ele, as sanções prejudicam investimentos americanos no Brasil e não produzem os efeitos desejados sobre o comportamento do governo do presidente Lula.

O presidente Donald Trump, o senador Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo na Casa Branca — Foto: Divulgação/Casa Branca

O argumento central: tarifas fortalecem Lula eleitoralmente

O raciocínio de Flávio Bolsonaro sobre as tarifas de Trump parte de uma leitura política do cenário eleitoral brasileiro. Segundo ele, o tarifaço aplicado anteriormente pelos EUA não mudou o comportamento das autoridades brasileiras. Ao contrário, as investidas tarifárias do governo Trump acabaram fortalecendo politicamente o governo Lula em um ano eleitoral.

O governo do presidente Lula enquadrou as ações americanas no campo econômico como ataques à soberania nacional. Consequentemente, cada nova tarifa se transforma em munição política para o PT. Por isso, na avaliação do senador, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que adotou de obstruir negociações sérias e converter a retaliação em vitória política interna.

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A posição do governo brasileiro na audiência

O governo brasileiro tomou uma decisão diferente da de Flávio Bolsonaro. O Itamaraty optou por não se inscrever para discursar nas audiências públicas sobre o tarifaço proposto por Trump, que acontecem nesta segunda (6) e terça-feira (7). Contudo, a embaixada em Washington enviou representantes como observadores para acompanhar os argumentos apresentados.

O entendimento do governo Lula é que as audiências públicas não são o espaço adequado para uma negociação real. Por conseguinte, o Itamaraty aposta nas conversas técnicas e de alto nível que têm ocorrido nas últimas semanas e estão programadas para os próximos dias. Todavia, o prazo para um acordo expira em 15 de julho, o que coloca pressão sobre todos os envolvidos.

O que é o USTR e qual seu papel nesse processo

O USTR é o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, órgão responsável por formular e negociar a política comercial americana. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas. Sobretudo, as audiências públicas fazem parte do rito formal desse processo de investigação.

Atualmente, o Brasil está na mira de uma tarifa de 25%, o que impacta diretamente setores exportadores como calçados, aço, alumínio e produtos agroindustriais. Por fim, a presença de Flávio Bolsonaro na audiência desta terça representa uma aposta do senador em construir uma imagem de interlocutor com o governo Trump, diferenciando-se do governo Lula em relação à condução das negociações comerciais com os Estados Unidos.

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