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Falta de água em Parauapebas gera protesto com pneus incendiados

Política Regional
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Publicado em 02/07/2026 às 11:29 | Atualizado 02/07/2026 às 11:29 por felipetommyreal


Moradores dos bairros Minérios e Vila Nova pagam faturas de R$ 300 sem receber água; esgoto invade casas há mais de 15 dias.

A falta de água em Parauapebas gerou um protesto com pneus incendiados nesta quarta-feira (1º) nos bairros Minérios e Vila Nova I e II. Moradores interditaram a via durante a manifestação para chamar a atenção das autoridades e da concessionária Águas do Pará. O Corpo de Bombeiros Militar controlou as chamas, mas a revolta da comunidade permanece acesa.

O problema tem raízes profundas e já dura mais de 15 dias em diversos pontos dos bairros afetados. Portanto, a paciência dos moradores chegou ao limite. Famílias recorrem a baldes e medidas paliativas para sobreviver sem o serviço que a concessionária é obrigada a fornecer.

Moradores atearam fogo em pneus devido a falta de água em seu bairro – Foto Reprodução Internet

Faturas de R$ 300 sem uma gota d’água

O presidente da Associação de Moradores do Vila Nova, Hebert Maciel, foi direto ao denunciar a situação. Segundo ele, a empresa cobra tarifas por serviços que não estão sendo prestados adequadamente. Além disso, o esgoto está jorrando a céu aberto enquanto as faturas continuam chegando.

Ebert Marcial, outro representante dos moradores do Vila Nova, descreveu o drama cotidiano da falta de água em Parauapebas com clareza. Segundo ele, a água simplesmente não chega nas torneiras nem nas caixas d’água. Quando, por milagre, o serviço retorna, a água vem suja, com odor insuportável e sem condições de uso. Para muitos, parar a rotina de trabalho para captar água em baldes virou parte do dia a dia.

Moradora exibe faixa que cobra água potável – Foto: Moradores Bairro dos Minérios

Esgoto invade casas e coloca a saúde em risco

O presidente da Associação dos Moradores do Bairro dos Minérios, Oziel Fernandes, denunciou uma situação ainda mais grave. Além da falta de água, o esgoto está estourando dentro dos banheiros e invadindo as residências. Consequentemente, o risco à saúde pública é real e imediato.

Oziel relatou que a comunidade encaminhou ofícios formais à Águas do Pará e participou de audiências públicas, mas não recebeu respostas concretas. Por isso, a revolta tomou as ruas nesta quarta-feira. Ele também criticou as justificativas técnicas da empresa: para ele, uma manutenção que dura mais de 15 dias e deixa uma região inteira desassistida não é manutenção, é falta de compromisso com o cidadão.

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O peso das faturas sobre quem não tem serviço

A cobrança por serviços não prestados é outro ponto central das reclamações. Moradores relatam receber faturas de R$ 200 e R$ 300 mesmo sem ter acesso regular à água. Desse modo, as famílias acumulam contas que não conseguem pagar, já que o básico não é garantido pela concessionária.

Oziel Fernandes destacou ainda que muitos moradores precisam deixar baldes sob as torneiras para captar a pouca água que esporadicamente chega às residências. Sobretudo, essa realidade aponta para um colapso total do serviço de abastecimento nos dois bairros afetados. Por conseguinte, a comunidade exige tanto a regularização do fornecimento quanto a revisão das cobranças abusivas.

O que diz a Águas do Pará

Em nota enviada à imprensa, a Águas do Pará informou que realiza melhorias nos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário dos bairros Minérios e Vila Nova. A empresa explicou que o cronograma sofreu impactos nos últimos dias por causa do furto de cabos elétricos e da queima de uma bomba que precisou ser substituída. Além disso, afirmou que caminhões-pipa reforçam o abastecimento enquanto as obras são executadas.

Igualmente, a concessionária informou que já eliminou o rodízio de abastecimento em nove bairros de Parauapebas e pretende estender a regularidade ao restante da cidade. Atualmente, equipes realizam um mutirão de limpeza e desobstrução da rede de esgoto dos bairros. Por fim, para atendimento, a Águas do Pará disponibiliza o telefone e WhatsApp 0800 091 0091, o aplicativo Águas App e postos presenciais na Estação Cidadania e na Galeria Diamond.

O contexto maior da crise hídrica em Parauapebas

O protesto desta quarta-feira não acontece de forma isolada. A falta de água em Parauapebas é parte de um quadro mais amplo de precariedade nos serviços públicos de uma cidade que arrecadou mais de R$ 3,4 bilhões no biênio 2025-2026. Visto que o município tem recursos fiscais expressivos, a população questiona por que o serviço básico de abastecimento segue em colapso.

Todavia, a responsabilidade pelo serviço recai sobre a concessionária privada, e não diretamente sobre a prefeitura. Entretanto, a gestão municipal tem papel regulatório e fiscalizador sobre a qualidade dos serviços concedidos. Por isso, moradores cobram que tanto a Águas do Pará quanto a administração municipal deem respostas concretas e urgentes à população que enfrenta a crise hídrica nos bairros Minérios e Vila Nova.

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