Aurélio Goiano incoerência política

Aurélio Goiano e a incoerência política entre fala e prática

Política Regional
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Gravações mostram o prefeito indo de “babão do Bolsonaro” a parceiro de Helder, Beto Faro e Gleisi Hoffmann

O prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano (Avante), construiu a imagem pública sobre a bandeira bolsonarista. Gravações e registros oficiais, contudo, mostram outra rota. A incoerência política de Aurélio Goiano aparece na distância entre o discurso e a prática. Em pouco mais de dois anos, ele perdeu o comando do PL, atacou a esquerda, rompeu publicamente com Jair Bolsonaro e passou a agradecer aliados do PT e do MDB.

A trajetória partidária já indicava esse movimento. Primeiramente, ele foi vereador em Água Fria de Goiás pelo PPS, entre 2005 e 2008. Depois, elegeu-se vereador em Parauapebas pelo PSD, em 2020. Por fim, chegou à prefeitura pelo Avante, em 2024, com 92.073 votos.

“Eu sou babão do Bolsonaro”

Em 27 de abril de 2024, ainda pré-candidato, ele deu entrevista a um podcast local. Na ocasião, definiu a própria posição sem meio-termo. “Eu fiz campanha com o Bolsonaro em 2018, o Bolsonaro subiu no meu trio elétrico quando ele foi em Parauapebas”, disse. E completou: “Eu sou babão do Bolsonaro.”

Na mesma entrevista, o então candidato atacou a esquerda. “Porque eu não consigo mais entender essa política de oba-oba da esquerda, que prefere entregar uma cesta básica do que arrumar um emprego pro cara”, afirmou. Além disso, criticou ocupações de terra na região.

Um mês antes, entretanto, ele já havia perdido o comando do PL em Parauapebas. A destituição da presidência municipal ocorreu em março de 2024, depois de um conflito interno na legenda. Na época, ele negou expulsão. Segundo declarou, faltava clima para disputar a eleição pelo partido. Em seguida, filiou-se ao Avante.

O rompimento público com Bolsonaro

Já prefeito, ele voltou ao assunto em 18 de janeiro de 2025. A fala ocorreu durante a entrega de ônibus escolares para a zona rural. Dessa vez, o tom era outro. “Eu não falo mais de Bolsonaro, porque eu lutei desde 2018 pelo Bolsonaro”, disse.

Na sequência, ele explicou o motivo da ruptura. “Na hora de me derem o partido para sair candidato, me tomaram o partido do Bolsonaro”, afirmou. Logo depois, foi direto: “Ou seja, eu estou pouco me lixando também para Bolsonaro.” E concluiu: “A minha linha é direita, não Bolsonaro.”

Os encontros com quem ele chamava de oba-oba

A partir de 2025, a agenda do prefeito mudou de endereço. Em 12 de março, ele fechou acordo com o governador Helder Barbalho (MDB). Os dois anunciaram a regionalização do hospital de Parauapebas. Combinaram, ainda, cem quilômetros de asfalto, divididos entre estado e município.

“Governador, você dá conta de colocar 50? Eu ponho 50”, disse o prefeito na ocasião. Em 5 de abril, ele recebeu Helder Barbalho para um café na cidade. Quatro dias depois, seguiu para Brasília.

No dia 9 de abril de 2025, Aurélio Goiano gravou um vídeo dentro do Senado. Ao lado dele estava o senador Beto Faro, do PT. O tema era a liberação de R$ 2 milhões em emendas para a saúde do município. “Independentemente de lado político, estamos aqui e ele acabou de liberar aí com a Parauapebas 2 milhões de reais”, declarou o prefeito.

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Em 10 de maio, houve novo encontro com o governador. Dessa vez, o assunto era a sede da universidade estadual do sul e sudeste do Pará. “Conte comigo, porque o Estado está indo com força”, disse o prefeito no vídeo gravado ao lado de Helder Barbalho.

“Esta senhora vai virar governadora”

O passo mais explícito veio em 24 de agosto de 2025. Naquele dia, o prefeito recebeu o governador e a vice-governadora Hana Ghassan (MDB) em Parauapebas. Diante das câmeras, ele fez uma projeção eleitoral. “Já já, o ano que vem, esta senhora vai virar governadora”, afirmou.

Em 16 de outubro de 2025, ele foi a Brasília. Na ocasião, esteve com Gleisi Hoffmann, então ministra das Relações Institucionais e ex-presidente nacional do PT. Beto Faro também participou do encontro. A lista inclui, ainda, reuniões com o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), em fevereiro e julho de 2025 e em março de 2026. Com Helder Barbalho, houve novo encontro em 13 de fevereiro deste ano.

Buscar recurso é atribuição do cargo

Nenhuma dessas agendas é irregular. Pelo contrário: buscar recurso em Belém e em Brasília faz parte da função de prefeito. Parauapebas depende do governo estadual para o hospital regional, para o asfalto e para a escola cívico-militar. Portanto, a crítica não recai sobre o ato de negociar.

O ponto é outro. O mesmo gestor que classificou a política da esquerda como “oba-oba” agradeceu publicamente a um senador do PT pela emenda liberada. Além disso, projetou a vitória da candidata do grupo que comanda o estado. Ou seja, o discurso de 2024 e a prática de 2025 não se encaixam.

Aurélio Goiano em companhia do ex-governador Helder Barbalhor, Deputado Chamonzinho, Prefeita Mariana Chamon e atual governadora Hana Ghassan.

De volta ao PL, agora pedindo voto

Em 2026, o prefeito faz campanha para o deputado federal Joaquim Passarinho, do PL. Segundo publicação do próprio Aurélio Goiano nas redes sociais, o parlamentar destinou cerca de R$ 10 milhões em emendas ao município desde 2025. Trata-se do mesmo partido que ele deixou em 2024.

Passarinho, inclusive, é o parlamentar que aparece na gravação clandestina revelada por este portal em junho deste ano. O áudio, de 2022, foi feito pelo próprio Aurélio Goiano, então vereador do PSD. Na conversa, os dois tratam de troca de legenda e de apoio financeiro de campanha.

O portal encaminhou pedido de posicionamento à assessoria da Prefeitura de Parauapebas e à assessoria do deputado federal Joaquim Passarinho. O espaço permanece aberto para resposta.

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