Publicado em 28/06/2026 às 02:45 | Atualizado 28/06/2026 às 02:45 por felipetommyreal
Operação Ultimato prende jovem de 15 anos que transmitia mortes de gatos na dark web e recebia pagamentos por isso.
A Polícia Civil do Pará apreendeu um adolescente de 15 anos em Marabá acusado de tortura e morte de animais ao vivo na dark web. A Operação Ultimato foi deflagrada na última terça-feira (23) e resultou na apreensão do jovem, investigado por matar gatos e transmitir os crimes em tempo real em plataformas como Telegram, Discord e ambientes da dark web. O Juizado da Infância e da Juventude deferiu o pedido de internação provisória do menor.
O delegado Walter Ruiz confirmou a materialidade dos atos infracionais. O adolescente, que usava o pseudônimo Dylan, confessou ter matado três felinos entre janeiro e abril de 2026. Além disso, ele recebia pagamentos de membros de um grupo fechado no Telegram chamado SSK para realizar as transmissões ao vivo. Portanto, o caso envolve não apenas violência contra animais, mas também uma rede de financiadores virtuais.
Como a operação chegou ao adolescente
As investigações identificaram o jovem como integrante ativo do grupo SSK. Esse coletivo operava em ambiente fechado no Telegram e pagava membros para realizar e transmitir atos de crueldade contra animais. Desse modo, o adolescente atuava como executor e transmissor das torturas para uma plateia que pagava para assistir.
Além dos crimes contra os animais, as autoridades identificaram um histórico de outros atos infracionais. As investigações apontaram ameaças praticadas pelo jovem e supostos planos relacionados a ataques em unidades de ensino da região. Por conseguinte, o caso vai muito além dos maus-tratos e aponta para um perfil de comportamento violento mais amplo.
Fake news colocam adolescente inocente em risco
Paralelamente ao avanço do caso, as redes sociais criaram um problema grave. Um segundo adolescente teve seu nome e fotografia vinculados erroneamente ao crime. Em seguida, ele e sua família passaram a receber graves ameaças de pessoas que acreditaram nos boatos.
A delegada Simone Felinto, diretora da Seccional de Polícia Civil, alertou sobre a situação. Segundo ela, pessoas buscaram os dados da família do jovem inocente, passaram a entrar em contato e fizeram ameaças diretas. Contudo, a Polícia Civil descartou completamente qualquer envolvimento deste segundo adolescente no caso. Por isso, a corporação reforçou que a população não deve compartilhar boatos sem confirmação oficial.
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Os próximos passos da investigação
A Polícia Civil segue trabalhando em duas frentes simultâneas. A primeira é a identificação dos financiadores, ou seja, os membros do grupo virtual que pagavam, incentivavam ou orientavam as torturas. A segunda frente é a análise pericial do celular apreendido com o menor. Dessa forma, os investigadores buscam mapear toda a dinâmica da rede criminosa envolvida.
Sobretudo, os investigadores querem identificar quem estava do outro lado das transmissões. Visto que havia pagamentos financeiros envolvidos, há suspeita de que adultos participem da rede. Por conseguinte, a investigação pode resultar em novas prisões e apreensões nos próximos dias.
O amparo legal e o adolescente tortura animais em Marabá
Como o investigado é menor de idade, o caso segue o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA. O ato infracional é análogo ao crime de maus-tratos a animais com resultado morte. Igualmente, o caso também observa os parâmetros da Lei de Crimes Ambientais, a Lei nº 9.605 de 1998.
Atualmente, o adolescente segue em internação provisória por determinação do Juizado da Infância e da Juventude. As medidas socioeducativas aplicáveis serão definidas conforme o andamento do processo. Por fim, o caso de adolescente tortura animais em Marabá expõe um problema sério: redes criminosas que recrutam jovens vulneráveis para praticar atos de crueldade em troca de dinheiro no ambiente digital.
O alerta para pais e responsáveis
O episódio levanta um alerta urgente para famílias de todo o Brasil. Grupos fechados em aplicativos como Telegram e Discord podem expor adolescentes a conteúdos extremos. Além disso, algumas dessas comunidades chegam a recrutar jovens ativamente para praticar crimes em troca de recompensas financeiras.
Portanto, o monitoramento do uso do celular e das plataformas digitais pelos filhos é essencial. Antes de tudo, o diálogo aberto entre pais e adolescentes pode prevenir que jovens entrem em contato com essas redes. Finalmente, quem tiver informações sobre grupos que incentivam maus-tratos a animais ou outros crimes deve denunciar imediatamente aos órgãos de segurança pública.
