Publicado em 08/07/2026 às 01:16 | Atualizado 08/07/2026 às 01:16 por felipetommyreal
Canaã dos Carajás lidera com US$ 3,6 bi e Marabá aparece em 2º; estudo mostra nova realidade econômica na região.
Parauapebas perde a liderança nas exportações do Pará em um cenário que representa uma mudança histórica para a Região de Carajás. Durante décadas, a chamada Capital Nacional do Minério liderou com folga os indicadores de comércio exterior do estado. Contudo, os dados do primeiro semestre de 2026 revelam uma nova realidade: o município agora ocupa apenas a terceira colocação entre os maiores exportadores paraenses.
O levantamento foi elaborado pelo economista Wesley Oliveira, parceiro do Portal Pebinha de Açúcar, com base em dados do MDIC/Comex Stat. Os números mostram que Canaã dos Carajás assumiu a liderança estadual com US$ 3,6 bilhões em exportações. Marabá aparece em segundo lugar com US$ 2,2 bilhões. Portanto, Parauapebas ficou com US$ 1,8 bilhão no período.
Os números que mostram a nova hierarquia
O que mais impressiona não é apenas a mudança de posições no ranking, mas a diferença de volume entre os municípios. Sozinha, Canaã dos Carajás exportou praticamente o dobro de Parauapebas nos seis primeiros meses de 2026. Consequentemente, o município consolidou uma posição dominante que poucos imaginariam há alguns anos.

Na participação sobre o total exportado pelo Pará, os dados evidenciam ainda mais essa transformação. Canaã dos Carajás respondeu por 26,7% de todas as exportações do estado no semestre. Marabá ficou com 16,7% e Parauapebas com apenas 13,5%. Ou seja, mais de um quarto de tudo que o Pará exportou no período teve origem em Canaã dos Carajás.
Por que Canaã dos Carajás avançou tão rápido
O crescimento de Canaã dos Carajás não acontece por acaso. Nos últimos anos, o município recebeu investimentos de grande escala na expansão da atividade mineral. O principal motor desse crescimento é o Projeto S11D, considerado um dos maiores empreendimentos de mineração de ferro do mundo. Por isso, a produção e a comercialização dos minérios passaram a ser contabilizadas em Canaã, alterando o peso de cada município nas estatísticas.
Além disso, Marabá também ampliou sua participação graças ao fortalecimento de seu parque industrial, da logística e da atividade siderúrgica. Dessa forma, a antiga concentração do poder exportador em Parauapebas deu lugar a um cenário mais distribuído, com três grandes polos disputando protagonismo na economia paraense.
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O impacto direto na CFEM e nas finanças municipais
Os números vão além das estatísticas do comércio exterior. A movimentação das exportações influencia diretamente a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral, a CFEM, conhecida como os royalties da mineração. Visto que a CFEM incide sobre a comercialização dos bens minerais, municípios com maior produção e volume de vendas tendem a ampliar suas receitas.
Igualmente, aqueles que reduzem sua participação relativa podem sentir impactos na arrecadação ao longo do tempo. Sobretudo, essa dinâmica é relevante para Parauapebas, que historicamente dependeu da mineração como principal fonte de arrecadação municipal. Portanto, a queda no ranking exportador pode ter reflexos concretos no orçamento da cidade nos próximos anos.
O desafio da diversificação econômica
Os dados apresentados por Wesley Oliveira reforçam um debate que especialistas vêm travando há anos. Parauapebas perde a liderança nas exportações em um momento em que a necessidade de diversificação econômica se torna ainda mais urgente. Reduzir a dependência da mineração e estimular novos setores produtivos são caminhos fundamentais para garantir crescimento sustentável.
Por fim, o cenário retrata uma mudança histórica no mapa econômico do Pará. Atualmente, Parauapebas continua sendo uma potência mineral e mantém posição de destaque nacional. Entretanto, os novos protagonistas do ranking de exportações mostram que a corrida econômica na Região de Carajás ganhou novos e poderosos competidores. Por conseguinte, o futuro da cidade dependerá da capacidade de atrair investimentos em indústria, comércio, tecnologia e serviços além da mineração.
