controle das terras raras

EUA buscam controle das terras raras diante do domínio chinês

Internacional Mineração
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Publicado em 01/08/2025 às 13:37 | Atualizado 01/08/2025 às 13:37 por felipetommyreal


Com dependência crítica dos metais estratégicos, os EUA intensificam acordos e estratégias para reduzir influência da China sobre terras raras.

Os EUA buscam reduzir a dependência chinesa no controle das terras raras, elementos fundamentais para tecnologias avançadas e defesa militar. Esse movimento ocorre em meio a tensões comerciais crescentes entre as potências. As terras raras são compostas por 17 elementos químicos, incluindo escândio, ítrio e os lantanídeos. Apesar do nome, esses metais não são escassos, mas são difíceis de extrair e processar sem causar danos ambientais. Esses materiais estão presentes em celulares, TVs de tela plana, turbinas eólicas, luzes LED e baterias de veículos elétricos. Na área da saúde, são usados em aparelhos de ressonância magnética e tratamentos contra o câncer.

Importância militar e dependência estratégica

O setor de defesa dos Estados Unidos também é altamente dependente dessas substâncias. Caças F-35, mísseis Tomahawk, satélites e submarinos utilizam terras raras em seus componentes. Um estudo do CSIS em 2025 reforça a importância desses minerais para a segurança nacional americana. Apesar disso, os EUA não têm capacidade para separar terras raras pesadas, e ainda dependem da China para essa etapa crítica. Até recentemente, mesmo as terras raras extraídas na Califórnia eram enviadas para a China para o processamento. Esse gargalo estratégico virou alvo de mudanças políticas e econômicas.

China domina o mercado global

A China controla 61% da produção minerada e 92% do processamento global das terras raras, segundo a Agência Internacional de Energia. Pequim já mostrou disposição para usar esse domínio como arma geopolítica. Em resposta às tarifas impostas por Donald Trump em abril, a China reforçou controles de exportação sobre sete tipos de terras raras. O gesto foi visto como uma retaliação direta às medidas americanas. Mesmo após uma trégua em Genebra, o governo americano teme que os chineses mantenham as restrições e utilizem os metais como moeda de barganha internacional.

Acordos internacionais e novas rotas

Em busca de alternativas, os EUA assinaram um acordo de terras raras com a Ucrânia. Donald Trump também sugeriu a anexação da Groenlândia, rica em minerais estratégicos, em maio. A Ucrânia tem potencial mineral, mas sua indústria de mineração ainda é incipiente. A Groenlândia, por outro lado, possui um mapeamento mais promissor, tornando-se alvo de interesse geopolítico. A Arábia Saudita também entrou na rota diplomática americana como alternativa para diversificação das fontes de terras raras.

Brasil no jogo global: Carajás pode ser chave nas terras raras

O Brasil também entra no mapa estratégico das terras raras, especialmente com o potencial mineral da região de Carajás, no Pará. Próximo a Parauapebas, está localizada a maior jazida de minério de ferro a céu aberto do mundo, explorada pela mineradora Vale. Embora o foco da exploração em Carajás ainda seja o ferro, estudos apontam que a região é rica em diversos elementos estratégicos, incluindo terras raras. A presença desses minerais no subsolo paraense coloca o Brasil como um player em potencial na disputa global por recursos tecnológicos, despertando o interesse de potências mundiais e reforçando a necessidade de uma política nacional voltada à soberania mineral e à agregação de valor no território brasileiro.

Mina de Ferro Carajás da empresa Vale – Parauapebas – Pará

Leia também abaixo.

O futuro do domínio tecnológico

O controle das terras raras é uma peça-chave na disputa global por hegemonia tecnológica e militar. Enquanto os EUA tentam desenvolver infraestrutura própria, a China continua ditando as regras do jogo. A batalha por esses recursos revela como elementos invisíveis ao público moldam decisões políticas, alianças internacionais e rumos econômicos.

Denuncia

Portal Felipe Tommy segue acompanhando o caso e está aberto para divulgar o posicionamento dos envolvidos.