Publicado em 21/10/2025 às 16:37 | Atualizado 21/10/2025 às 16:37 por felipetommyreal
Maquivalda Barros acusa Aurélio Goiano, Zé da Lata e Léo Márcio de ataques com uso de inteligência artificial e difamação online.
A violência política de gênero voltou a ser tema central na Câmara Municipal de Parauapebas nesta terça-feira (21). Durante a 31ª Sessão Ordinária, a vereadora Maquivalda Barros (PDT) denunciou uma série de ataques criminosos direcionados contra ela. Segundo a parlamentar, as agressões envolvem adulteração de imagens por inteligência artificial (IA), manipulação de voz e difamação nas redes sociais.
Em discurso firme na tribuna, Maquivalda afirmou que as ofensas partem de perfis ligados à base do prefeito Aurélio Goiano (AVANTE). “Minha imagem foi dissolvida, minha voz adulterada e o meu rosto exposto de forma criminosa. Esses ataques partem de pessoas ligadas à base da gestão municipal, que deveria dar exemplo de respeito às mulheres”, declarou.
Acusações contra aliados do prefeito
A vereadora apresentou provas que envolvem o prefeito Aurélio Goiano, o vereador Zé da Lata e o líder de governo Léo Márcio. Segundo ela, prints e vídeos comprovam que os conteúdos ofensivos circularam em perfis oficiais e anônimos associados ao grupo político. As publicações teriam o objetivo de desmoralizá-la e silenciá-la em sua atuação como vereadora de oposição.
Maquivalda também revelou que chegaram a ser divulgados nudes falsos montados digitalmente para insinuar que seriam dela. Ela classificou o ataque como “cruel, silencioso e real”, destacando o impacto psicológico e moral causado por essa prática.
Uso de tecnologia para difamação
Entre as principais violações, a parlamentar citou:
- Manipulação de imagem e voz, com uso de IA para criar conteúdos falsos.
- Difamação com nudes falsos, produzidos para constranger e desqualificar.
- Ofensas sexistas, como ser chamada de “mentirosa” e “prostituta velha”.
Essas ações, segundo a vereadora, extrapolam o campo político e configuram crime conforme a Lei nº 14.192/2021, que combate a violência política contra mulheres. A norma prevê punições severas para quem manipula imagens ou áudios com intenção de humilhar ou difamar.
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Casos já estão na Justiça
O Portal Felipe Tommy obteve documentos que mostram que Maquivalda registrou boletins de ocorrência na Polícia Civil e ingressou com ações na 2ª Vara Criminal e na 2ª Vara Cível e Empresarial de Parauapebas. Os processos envolvem queixas de difamação, uso indevido de imagem e vídeos manipulados, todos acompanhados pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).
Essas medidas legais evidenciam que a vereadora busca justiça desde maio de 2025, demonstrando que a escalada da violência não é recente.


Gestão de Goiano sob crítica
Durante o discurso, Maquivalda questionou o prefeito Aurélio Goiano sobre o compartilhamento de memes ofensivos em seu próprio perfil. Ela o desafiou a discutir políticas públicas de frente, e não “se esconder atrás de piadinhas”.
As denúncias sugerem que a base governista pode estar envolvida em uma campanha organizada para intimidar opositoras e naturalizar o machismo na política local. A vereadora pediu que as autoridades competentes atuem com rigor para garantir a segurança das mulheres que exercem mandato público.
O caso amplia o debate sobre o respeito às mulheres na política e reforça a necessidade de responsabilização de quem usa a tecnologia para destruir reputações.
Democracia sob ameaça
A situação de Maquivalda expõe uma fragilidade democrática em Parauapebas. Uma parlamentar eleita, no exercício de sua função fiscalizadora, tem sua imagem distorcida e sua honra atacada.
Se confirmadas as acusações, o episódio pode se tornar um dos maiores escândalos de violência política de gênero no Pará. A sociedade civil e as instituições públicas são cobradas a reagir diante das provas apresentadas.

O Portal Felipe Tommy segue acompanhando o caso e está aberto para divulgar o posicionamento dos envolvidos.
