Prefeito de Parauapebas na COP30

Prefeito de Parauapebas causa polêmica na COP 30 com fala sobre trabalhadores e crise financeira

Política Regional
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Publicado em 11/11/2025 às 18:57 | Atualizado 11/11/2025 às 18:57 por felipetommyreal


Durante discurso na COP 30, o prefeito de Parauapebas afirmou que trabalhadores da Vale vivem no esgoto e que o município está quebrado, mas dados oficiais mostram o contrário.

Durante a COP 30, o prefeito de Parauapebas, em um discurso no estande do próprio município, gerou forte repercussão nacional. A fala ocorreu no espaço organizado pela Secretaria de Mineração, Energia, Ciência e Tecnologia (Semmect), em conjunto com as pastas de Meio Ambiente (Semma) e Desenvolvimento (Seden).

O prefeito de Parauapebas na COP30 afirmou que “os trabalhadores que trocam turno na Vale vivem dentro do esgoto”, e que o município estaria quebrado, alegando perda de R$ 40 milhões mensais em CFEM e R$ 500 milhões em ICMS. Ele também declarou sentir vergonha “pela situação de um município com 16 anos de administração da esquerda”, afirmando que “se a esquerda administrasse o deserto do Saara, em seis meses acabaria a areia”.

Parauapebas é bilionária, dados oficiais comprovam

Apesar do tom dramático, dados orçamentários mostram que Parauapebas continua entre as cidades mais ricas do Pará. De janeiro até 11 de novembro de 2025, o município arrecadou R$ 1.992.960.891,74 em receita orçamentária e R$ 277.865.725,28 em receita extraorçamentária um total de R$ 2.270.826.617,02.

Esses números comprovam que Parauapebas é bilionária, sendo o segundo município mais rico do Pará, atrás apenas de Belém que possui mais de 1,3 milhão de habitantes, contra cerca de 300 mil em Parauapebas.

Folha de pagamento inchada confirma contradição do discurso

Além das declarações polêmicas, o prefeito também afirmou durante a COP 30 que “a folha de pagamento está inchada”. De fato, os números confirmam essa realidade. Atualmente, a gestão Aurélio Goiano conta com 11.276 servidores, sendo 5.165 contratados e 1.027 comissionados, totalizando uma folha de R$ 94.680.406,09.

Em comparação, o ex-prefeito Darci Lermen deixou a administração com 10.184 servidores, dos quais 4.117 eram contratados e 1.077 comissionados, e uma folha mensal de R$ 86.800.665,56 em dezembro de 2024. A diferença entre as duas gestões é de R$ 7.879.740,53, demonstrando que o governo Aurélio Goiano realmente inchou a folha de pagamento, aumentando o gasto mensal com pessoal em mais de 9% em menos de um ano de mandato.

Falas desastrosas e contradições

Ao afirmar que os trabalhadores da Vale vivem em esgoto, o prefeito acabou expondo a própria gestão. O município possui recursos significativos, incluindo o PROSAP Parauapebas, que tem orçamento de US$ 87,5 milhões, sendo US$ 70 milhões financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e US$ 17,5 milhões de contrapartida municipal.

Esse montante representa cerca de R$ 437,5 milhões, considerando a taxa de câmbio de R$ 5 por dólar. Portanto, se ainda há esgoto a céu aberto, a responsabilidade recai sobre a administração atual, que já completa um ano à frente da prefeitura sem cumprir promessas básicas como tapar os buracos da cidade em 3 meses, compromisso repetido durante a campanha eleitoral.

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Histórico recente contradiz discurso

O prefeito também responsabilizou governos anteriores, dizendo que “a cidade foi destruída pela esquerda por 16 anos”. Contudo, essa afirmação é incorreta. Entre 2013 e 2016, o município foi administrado por Valmir Mariano, que se apresentava como político de direita.

Durante a gestão de Darci Lermen, foram entregues 62 obras em 2020, o equivalente a uma a cada cinco dias. O investimento totalizou R$ 136 milhões, incluindo obras de drenagem, pavimentação, escolas, praças e ampliação da infraestrutura urbana.

Além disso, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostrou que Parauapebas foi o 4º município que mais gerou empregos na construção civil no país, ficando atrás apenas de São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba. Foram 4.784 novas vagas com carteira assinada o melhor resultado da história do município.

Especialistas apontam desgaste político

Analistas locais afirmam que o prefeito de Parauapebas na COP30 demonstrou despreparo e insegurança ao usar o evento internacional para ataques políticos. Segundo eles, a fala desastrosa ampliou o desgaste de sua imagem, já abalada por promessas não cumpridas e pela falta de resultados administrativos.

A popularidade do gestor tem caído gradualmente, e as críticas à sua condução da máquina pública aumentam. O episódio da COP 30 reforça a percepção de que falta planejamento e clareza nas ações do governo municipal.

Portal Felipe Tommy segue acompanhando o caso e está aberto para divulgar o posicionamento dos envolvidos.