Publicado em 08/12/2025 às 13:30 | Atualizado 08/12/2025 às 13:30 por felipetommyreal
Trabalhadores da empresa Ambiental Novo Ciclo denunciam atrasos recorrentes, jornadas excessivas sem pagamento e assédio moral em contrato emergencial da Prefeitura.
Na manhã desta segunda-feira, 08 de dezembro, trabalhadores da empresa Ambiental Novo Ciclo paralisaram parcialmente os serviços em Parauapebas. O motivo foi o atraso salarial Parauapebas, que se tornou recorrente, segundo relatos dos funcionários. A empresa presta serviços de roçagem, pintura de ruas e meio-fio para a Prefeitura de Parauapebas. A contratação ocorreu por meio da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SEMURB), sob contrato emergencial nº 20250523.
Paralisação por falta de pagamento
De acordo com os trabalhadores, o pagamento referente ao mês de novembro deveria ter sido feito entre os dias 1º e 5 de dezembro. Porém, até o fechamento desta matéria, nenhum valor havia sido creditado, mesmo no dia 08/12/2025. Segundo os empregados, o atraso não é isolado.
Eles afirmam que todos os meses os salários sofrem atraso, criando insegurança financeira constante.
Jornada excessiva e horas não pagas
Os funcionários relatam que o horário oficial de trabalho vai das 8h às 17h. Entretanto, na prática, chegam às 6h30 e saem entre 18h30 e 18h40. Mesmo com essa carga extra diária, as horas excedentes não são pagas. Além disso, segundo os relatos, não há pagamento de hora extra, mesmo em jornadas prolongadas.
Descontos em feriados geram revolta
Outro ponto grave envolve os descontos realizados no contracheque. Os trabalhadores afirmam que três feriados em novembro foram descontados, inclusive alimentação. Dois desses feriados caíram em sábado e domingo. Mesmo sem expediente regular ou fornecimento de refeição, os valores foram deduzidos dos salários.
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Áudios revelam prática recorrente
O Portal Felipe Tommy recebeu mais de 60 áudios exclusivos. Neles, trabalhadores denunciam atrasos frequentes e tentativas de mascarar os prazos de pagamento. Segundo os relatos, a empresa exige assinatura do contracheque apenas após a data limite, para aparentar pagamento regular.
Porém, na realidade, o valor chega sempre após o dia previsto.
Relatos escancaram impacto social do atraso salarial
Os áudios obtidos pelo Portal Felipe Tommy revelam o impacto direto do atraso salarial Parauapebas na vida dos trabalhadores. Em um dos relatos, um funcionário descreve o desespero diante das contas vencidas.
“Eu tava contando com esse dinheiro pra pagar meu aluguel. Já venceu, tá com cinco dias. A gente tem compromisso pra pagar. Difícil é nem pagar as contas”, relata.
Segundo ele, a situação expõe os trabalhadores a constrangimentos. O funcionário afirma que precisa justificar atrasos ao proprietário do imóvel.
“A gente trabalha, mas fica passando como mentiroso. O acordo vira problema quando o pagamento não cai”, desabafa.
Outro áudio evidencia medo de retaliação interna. De acordo com o trabalhador, reclamar pode resultar em demissão.
“O cara vai reclamar e a primeira coisa que eles falam é que vão mandar o cara embora”, afirma.
O clima de insegurança também aparece em outro relato, enviado por um trabalhador indignado com o silêncio do setor administrativo.
“Esse pagamento até agora nada. A gente precisa comprar coisa em casa, pagar conta. Os boletos já estão batendo na porta e o juro tá correndo”, declarou.
Ele destaca que a maioria dos funcionários vive de aluguel. Segundo o relato, cerca de 70% dos trabalhadores estão com aluguel atrasado.
“O pessoal do RH não fala nada. A gente só quer saber o que está acontecendo. O aluguel tá todo atrasado”, conclui.
Os depoimentos reforçam que o atraso salarial da empresa vai além de um problema administrativo.
Trata-se de uma crise social que afeta diretamente centenas de famílias.
Denúncias de assédio moral
Durante os chamados Diálogos de Segurança (DS), os funcionários relatam assédio moral constante.
Eles citam provocações, cobranças excessivas e tratamento desrespeitoso por parte da gestão. Além disso, os trabalhadores criticam a qualidade dos ônibus fornecidos, classificados como precários.
Contrato, salários e benefícios
Atualmente, a empresa conta com mais de 170 funcionários. Todos possuem contrato no valor de apenas um salário mínimo. O vale-refeição é de R$ 26,00, mas sofre desconto mensal de 10%. Segundo os empregados, o benefício é reduzido, mesmo diante de longas jornadas.
Empresa de fora novamente em Parauapebas
A Ambiental Novo Ciclo é o nome fantasia da empresa Ricardo Augusto de Lima Martins LTDA. Ela foi aberta em 25 de fevereiro de 2025, com sede em Marabá. Ou seja, trata-se de mais uma empresa de fora prestando serviços no município. Esse fator também gera críticas por parte dos trabalhadores e da população local.
Pagamentos milionários confirmados
Ao consultar o Portal da Transparência, o Portal Felipe Tommy constatou que a Prefeitura realizou seis pagamentos entre agosto e novembro. O valor total pago à empresa foi de R$ 9.486.987,63. Segundo o mesmo portal, o mês de dezembro ainda não foi pago pela Prefeitura. Mesmo assim, os salários seguem atrasados, gerando questionamentos.

Imagem do Portal da Tranparência que demonstra os pagamentos feitos a empresa
Empresa não se pronunciou
A equipe do Portal Felipe Tommy esteve na sede da empresa, localizada ao lado do Supermercado Mateus, PA-160, antiga Equatorial. A entrada foi autorizada. Contudo, até o fechamento da matéria, a empresa não se pronunciou oficialmente, nem por nota. A Prefeitura de Parauapebas também foi procurada para esclarecimentos.

O Portal Felipe Tommy segue acompanhando o caso e está aberto para divulgar o posicionamento dos envolvidos.
