Publicado em 04/08/2025 às 19:26 | Atualizado 04/08/2025 às 19:26 por felipetommyreal
Celular de PM preso com R$ 5 milhões revela esquema envolvendo deputado, secretário e empresas da COP30
A corrupção na licitação da COP30 está no centro de uma investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que analisa mensagens encontradas no celular do policial militar Francisco Galhardo, preso com R$ 5 milhões em Castanhal (PA), em outubro de 2024.
A quantia, sacada às vésperas das eleições, levantou suspeitas iniciais de crime eleitoral. Contudo, o conteúdo do aparelho revelou algo maior: indícios de corrupção em contratos milionários do governo do Pará relacionados à COP30.

PM fazia saques milionários
Francisco Galhardo não era um PM comum. Ele também atuava como segurança e homem de confiança do deputado federal Antônio Doido (MDB-PA). Entre 2023 e 2024, sacou R$ 48,8 milhões, segundo o Coaf.

Os saques vinham de contas das construtoras J.A Construcons, da esposa do deputado, Andréa Dantas, e da JAC Engenharia, de Geremias Hungria, funcionário de uma fazenda ligada ao parlamentar. Ambas as empresas venceram licitações da COP30 que somam quase R$ 300 milhões.
Mensagens revelam contatos suspeitos
As mensagens no celular indicam contato direto entre Galhardo e o secretário de Obras do Pará, Ruy Cabral. Em 20 de setembro de 2024, dia em que o consórcio das empresas venceu a licitação de R$ 142 milhões, Galhardo sacou R$ 6 milhões e trocou mensagens cifradas com o secretário.
A PGR destaca frases como “Vem”, “Entra. Vem. Na minha porta atrás” e “Deixei com a Andreia”, sugerindo encontros e entregas de dinheiro. A Andreia citada seria, segundo a PGR, a esposa do deputado Antônio Doido.

A corrupção na licitação da COP30 ficou ainda mais evidente com essas conversas. Os diálogos indicam uma relação hierárquica entre o PM e o secretário, reforçando a tese de que valores foram entregues para favorecer o consórcio.
Cancelamento da licitação
Após a repercussão da prisão e das investigações, o governo do Pará revogou a licitação em dezembro de 2024. A gestão de Helder Barbalho afirmou que a obra havia sido desassociada da COP30. Contudo, documentos oficiais contradizem essa versão.
A PGR afirma que o cancelamento ocorreu após as denúncias de irregularidades e a prisão de Geremias Hungria.
Investigação avança no STF
A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, no STF. A PGR pediu abertura de inquérito contra Antônio Doido, sua esposa, Francisco Galhardo e Ruy Cabral por corrupção ativa e passiva, entre outros crimes.
A Procuradoria ainda aponta que os envolvidos podem compor uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos por meio de licitações fraudulentas no Pará.
Resposta dos envolvidos
A defesa de Antônio Doido afirma que o deputado está tranquilo e que os questionamentos são ilações. O governo do Pará nega que o secretário tenha se reunido com o PM ou recebido valores. Também declarou que colocará os mecanismos de controle interno à disposição das autoridades, caso seja notificado formalmente.

O Portal Felipe Tommy segue acompanhando o caso e está aberto para divulgar o posicionamento dos envolvidos.
Matéria produzida com informações do Metropóles.
