Publicado em 04/12/2025 às 20:00 | Atualizado 04/12/2025 às 20:00 por felipetommyreal
Vereadores barram requerimento que buscava explicações sobre gastos milionários na obra inexistente da ponte do Rio Pulgas.
A rejeição da convocação do prefeito Aurélio pela Câmara Municipal de Parauapebas provocou forte reação popular e intensificou as suspeitas sobre a chamada “ponte fantasma”, contratada pelo município e paga mesmo sem existir fisicamente. A discussão do requerimento nº 301/2025, apresentado pelo vereador Zé do Bode, tinha como finalidade levar o prefeito Aurélio Goiano ao plenário para explicar irregularidades graves apontadas no Contrato Administrativo nº 20230451/2023
O pedido foi rejeitado por 8 votos contrários, apenas 4 votos favoráveis e 1 abstenção, configurando um movimento que muitos cidadãos classificam como uma tentativa de impedir a transparência. Os vereadores que votaram contra foram: Elias da Construforte (PV), Francisco Eloécio (PSDB), Graciele Brito (União), Laécio da ACT (PDT), Leandro do Chiquito (SD), Léo Márcio (SD), Sadisvan (PRD) e Sargento Nogueira (Avante). Já os votos favoráveis foram de Zé do Bode (União), Fred Sanção (PL), Maquivalda Barros (PDT) e Érica Ribeiro (PSDB), a abstenção que favoreceu a decisão foi final foi do vereador Alex Ohana (PDT).
Crise Política
A votação, entretanto, não encerrou o debate. Pelo contrário. Ela ampliou a crise política no governo Aurélio Goiano, que enfrenta acusações de irregularidades no contrato da ponte sobre o Rio Pulgas, localizada na Vicinal Alto Bonito. A obra de 35 metros em concreto armado simplesmente não existe, conforme vistoria relatada no requerimento original. No local, só há um antigo bueiro em concreto simples, incompatível com o projeto contratado.
Mesmo sem obra executada, o município realizou pagamentos que ultrapassam R$ 1.500.884,35, valor superior ao custo inicialmente previsto, de aproximadamente R$ 1.198.942,00. Há também indícios de medições sem lastro físico, duplicidades e ausência de fiscalização adequada, além da possibilidade de uso indevido de recursos do royalty da mineração.
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Pressão Popular
Os vereadores que rejeitaram a convocação do prefeito Aurélio agora enfrentam forte pressão popular. Para críticos, o grupo teria “traído Parauapebas” ao impedir que o chefe do Executivo explicasse fatos graves que podem resultar em responsabilização administrativa e até afastamento do cargo. A percepção geral é que a Câmara teria perdido uma oportunidade essencial de exercer seu papel constitucional de fiscalização.
O requerimento também detalha que o contrato foi retomado pela gestão atual em 2025 sem que houvesse comprovação de execução anterior. Além disso, um aditamento transferiu a responsabilidade da obra da SEGOV para a SEMOB sem justificativas técnicas plausíveis. Para o autor do requerimento, vereador Zé do Bode (União), somente o próprio prefeito poderia esclarecer por que a obra não existe apesar dos pagamentos, como foi o fluxo de liberação dos recursos e quais medidas estão sendo tomadas para evitar danos ao erário.
Combate a corrupção acabou?
A situação se agrava ainda mais porque Aurélio Goiano, quando vereador na legislatura passada, se apresentava como combatente da corrupção. Entretanto, ao assumir a Prefeitura, deixou de cumprir promessas de campanha e agora se vê no centro de um escândalo que envolve suspeita de desvio de recursos públicos e possível responsabilização judicial.
Mesmo com o avanço das suspeitas, a rejeição impediu que a sessão ocorresse. Ainda assim, a pressão popular continua a crescer e alguns setores acreditam que o Ministério Público deve intensificar as investigações.
A crise da ponte fantasma tornou-se, portanto, um dos maiores abalos da atual administração. A votação deixou claro que parte da Câmara preferiu blindar o prefeito, mas o desgaste político se espalha rapidamente. A população exige transparência. E espera respostas.

O Portal Felipe Tommy segue acompanhando o caso e está aberto para divulgar o posicionamento dos envolvidos.
